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domingo, 2 de junho de 2013
Roy Buchanan - O 'Feeling' da Guitarra!
Roy Buchanan, americano do Arkansas, nunca foi um guitarrista conhecido do grande público. Filho de um pastor, a religião teria uma forte influência em sua formação blueseira. Menino-prodígio da guitarra, já tocava seu violão aos 5 anos de idade.
Quando o rock'n'roll surgiu na vida de Roy, no final dos anos 50, ele resolveu encarar a estrada. Sua educação rígida, logo entraria em conflito com a vida de guitarrista itinerante.
Ele formaria em 1960 a banda The Hawks com o canadense Ronnie Hawkins, cujo baixista se chamava Robbie Robertson. Este grupo, mais tarde, evoluiria para o aclamado The Band, já sem a presença de Roy.
Na estrada, Buchanan não se segurava. Bebia pesado, e usava drogas de todos os tipos. Sempre em conflito consigo mesmo, Roy cansou desta vida, e em 1963 se casou com Judy, sua única esposa.
Seu estilo único de tocar guitarra chamou a atenção de gente como Eric Clapton e Jimmy Page. Robbie Robertson, claramente o imitava em seu trabalho na The Band. Roy foi então convidado a gravar.
Infelizmente seu estilo não se adaptava aos estúdios de gravação. Ele queria sempre impor suas próprias composições e sua técnica diferente. Roy não gostava de cantar, o que aumentava a rejeição das gravadoras.
Mesmo com todos os problemas, álbuns como 'Roy Buchanan' (1972), 'Second Album' (1973) e 'In The Beginning' (1974), compõe uma belo retrato sonoro do estilo inovador de Roy com sua inseparável Fender Telecaster.
O verdadeiro Roy Buchanan aparecia nas apresentações ao vivo. Ver o álbum 'Live Stock' (1975). Quando carinhas como Jeff Beck ouviam Roy dedilhar sua Tele em músicas como 'Sweet Dreams', sentiam que estavam presenciando algo único.
Aliás, em 1975 Beck homenageou Roy, dedicando a ele a canção 'Cause We've Ended as Lovers', composta por Stevie Wonder!
As gravações continuavam a não satisfazer o perfeccionismo de Buchanan que trocou de gravadora, passando da Polydor para a Atlantic. Na Atlantic, ele lançou dois álbuns interessantes: 'A Street Called Straight' (1976) e 'You're Not Alone' (1978), mas sempre com pouca repercussão.
Com problemas financeiros, agravados por suas bebedeiras e vícios diversos, seu estilo de vida começou a cobrar seu preço, fazendo com que sua guitarra ás vezes ficasse em segundo plano.
Em um último esforço, Roy gravou três álbuns para o selo Alligator, em que finalmente os resultados o deixaram satisfeito. 'When a Guitar Plays the Blues' (1985), 'Dancing on the Edge' (1986) e 'Hot Wires' (1987), mostram um guitarrista maduro, mas com seu feeling de garoto do Arkansas ainda intocado.
Em agosto de 1988, no interior da Virginia, Buchanan foi preso na madrugada por bebedeira e desordem. Ao amanhecer estava morto. Ele teria supostamente cometido suicídio, enforcando-se na cela. Os amigos que viram seu corpo notaram vários hematomas, e acusaram os policiais da Viginia, famosos por sua truculência. Nada ficou provado.
Perdemos assim, o 'melhor guitarrista desconhecido' do mundo!
Em rara entrevista, tentando explicar seu talento, Roy comentou: "Acho que é o feeling, o sentimento que ponho nas coisas. Existem vários guitarristas mais técnicos que estão no rádio todo dia, mas quando as pessoas me ouvem no rádio, elas sabem imediatamente que sou eu. É o feeling e a simplicidade".
Feeling e simplicidade de um cara único, chamado Roy Buchanan!!!
quarta-feira, 17 de abril de 2013
'Vida e Obra de Johnny McCartney' - Leno
Quem não lembra da Jovem Guarda e da dupla Leno e Lilian? O compacto simples da dupla com 'Devolva-me' no lado A e 'Pobre Menina', lançado em 1966, é provavelmente o de maior sucesso de todos os tempos no Brasil.
Pois bem. No final de 1970, Gileno Azevedo, mais conhecido como Leno, estava em plena carreira solo. Um dos músicos que participava do trabalho de composição e da produção do próximo disco de Leno, era um tal de Raulzito!
Sim, pessoal, Raul Seixas antes de estourar com sua música 'Ouro de Tolo' em 73, participava dos trabalhos dos amigos, e era produtor da CBS.
O álbum que viria a se chamar 'Vida e Obra de Johnny McCartney', acabou esbarrando nos censores da ditadura. O projeto foi abortado por tempo indeterminado, e cada um seguiu seu caminho.
Em 1995 a gravadora de Leno achou estas fitas em algum baú e o lançou em CD com pouca repercussão.
Foi somente em 2008 quando os direitos sobre a obra foram cedidos por Leno a 'Lion Records', gravadora norte-americana, que o Cd foi relançado lá fora. Tive agora o privilégio de receber este disco enviado pelo próprio Leno e confesso que me surpreendi com a qualidade do trabalho.
O álbum vem com um encarte muito legal, em inglês, contando toda a carreira de Leno e com as letras das canções.
Quem participou do trabalho foi o grupo 'A Bôlha', dando um tratamento bem rock ás canções de Leno e Raulzito. O álbum, além do bom e velho rock'n'roll, puxa para o lado do pós-tropicalismo.
Leno, que sempre foi ótimo músico e compositor, esbanja seu talento em canções como 'Por Que Não?', 'Não Há Lei Em Grillo City', e 'Deixo o Tempo Me Levar', todas composições suas. As letras, apesar de em sua maioria, parodiar e dar pequenos 'toques' na ditadura militar, não soam datadas.
Sua parceria com Raulzito na faixa-título ('Johnny McCartney') é um rock de arrepiar.
''Pobre do Rei' é uma música que Leno ganhou de presente de Marcos Valle. Na época Leno namorava a irmã de Marcos, e além de compô-la, Marcos também tocou piano elétrico na gravação. Sem dúvida, um ponto alto do disco. 'Peguei uma Apollo' de Arnaldo Brandão, se tornou um clássico 'cult' instantâneo para a geração anos 70.
Todo o álbum parecia a frente de seu tempo, por isso soa tão atual nos dias de hoje.
As outras composições com Raul, incluem a deliciosa 'Sr. Imposto de Renda', já naquela época reclamando do apetite do 'leão', a bela melodia de 'Convite para Ângela', que depois Raulzito transformaria na canção 'Sapato 36' e 'Sentado no Arco-Íris', que em seguida Leno cantaria no Festival Internacional da Canção de 1971, driblando os censores.
Este trabalho foi gravado entre novembro de 1970 e janeiro de 71 nos estúdios da CBS em 8 canais.
Apesar dos 42 anos de atraso até eu ter contato com este trabalho, fiquei com a sensação que a vida e a obra de Johnny McCartney poderia ter sido lançado hoje.
Leno, continua sua carreira lançando álbuns, DVDs e se apresentando ao vivo. Ele também lançou outro CD exclusivamente com as canções em dupla com Raul Seixas que tive o prazer de receber autografado.
Viva o rock nacional!
quinta-feira, 4 de abril de 2013
Mr. Eric Clapton - 'Old Sock'!
Tenho ouvido muitas críticas negativas ao último disco de Mr. Eric Clapton lançado mês passado no mundo todo.
Confesso que não entendo as pessoas que criticam os trabalhos de figuras como ele, Paul McCartney, Bob Dylan, etc... O que mais esperam deles??
Clapton sempre foi uma pessoa que procurou evoluir em sua música, e na sua própria vida.
Do guitarrista que tocava 'blues puro' com os 'Yardbirds' (saiu porque a banda estava ficando comercial), e com os 'Bluesbreakers' de John Mayall, Clapton decidiu arriscar e montar um 'power trio' com Jack Bruce e Ginger Baker, o famoso 'Cream'!
A partir daí ele começaria a misturar o bom e velho rock e a compor e cantar, coisa que anteriormente não ousava.
No início de sua carreira-solo, ele enveredou por um lado mais swingado em álbuns como '461 Ocean Boulevard' e 'There's One in Every Crowd''. Muitos já não o entendiam. Queriam de volta o 'deus' da guitarra!!
As pessoas mudam e evoluem, Clapton é o melhor exemplo.
Em seus últimos trabalhos, ele já vinha mostrando sinais de que sua paixão passou a ser o jazz. Mas jazz ao estilo de Clapton.
Álbuns como 'Back Home' (2005), mais pesado, e 'Clapton' (2010) já delineavam com clareza a nova investida jazzistica de EC. Esta proposta chegou ao auge, quando EC se juntou a Wynton Marsalis e sua banda, para shows ao vivo que resultou no brilhante 'Play the Blues', um dos melhores álbuns de 2011!
Neste seu novo trabalho, 'Old Sock', EC faz uma mescla de canções que lhe caem bem aos ouvidos. Nada radical, porém o foco aqui passou a ser a harmonia, o vocal, o trabalho em conjunto, a música, enfim, e não as guitarras!
Claro que Mr. Clapton não dispensa seus solos, mas eles soam deveras contidos.
Sua escolha de repertório varia de clássicos dos anos 30, como 'The Folks Who Live on the Hill' de Hammerstein e 'Goodnight Irene' de Lead Belly, passando por country-music, com a bonita 'Born to Lose', composta em 1943, e chegando a um território bem conhecido de EC, o reggae de Peter Tosh em 'Till Your Well Runs Dry'.
Há convidados importantes no disco: Taj Mahal compôs, toca banjo e faz harmonia com Clapton na música de abertura 'Further On Down the Road', também em ritmo de reggae. Seu amigo J.J. Cale, parceiro do disco 'The Road to Escondido' em 2006, volta a acompanhar Clapton em 'Angel', uma canção sua de 1981.
A parceria mais importante porém, foi com Paul McCartney, que acompanha o vocal de EC em 'All of Me', além de tocar baixo acústico, os dois super contidos.
Surpresas no repertório? Acho que não. Talvez 'Still Got the Blues' de Gary Moore, tocada de forma emocional, mas ao mesmo tempo austera. Ela tem um belo arranjo de cordas, e um órgãozinho maneiro tocado por Steve Winwood.
Gostei muito de 'Your One and Only Man' de Otis Redding, na qual EC se solta mais, mas sempre com o reggae em vista.
Canções novas? Apenas duas. Ambas de seu 'aluno' Doyle Bramhall II: 'Gotta Get Over', muito legalzinha, com Chaka Khan acompanhando nos vocais e 'Every Little Thing' (não é a dos Beatles)!!
Mr. Eric Clapton encerra os trabalhos com outro standard: 'Our Love is Here to Stay' de George Gerhwin, deixando claro que este será o seu caminho daqui pra frente, até a aposentadoria, que, segundo ele, será daqui a dois anos apenas.
Tudo pode mudar! Como EC está sempre evoluindo, podemos também esperar mudanças significativas de uma hora para outra! As capas externas e internas do álbum sugerem uma eterna e inexorável mudança do tempo. Clapton pensa em sua música e em si mesmo deste mesmo jeito? Pode ser!
Atualmente, Clapton encontra-se em plena turnê norte-americana, e já está se preparando para a 4ª edição do 'Crossroads Guitar Festival 2013', em 12 e 13 de abril no Madison Square Garden, já com lotação esgotada. Este festival que acontece de 3 em 3 anos, tem toda sua renda destinada para 'Crossroads Foundation'. Esta ONG bancada por EC auxilia os ex-viciados em drogas e álcool.
Vida longa ao 'slowhand'!!!
terça-feira, 2 de abril de 2013
Who Breaks a Butterfly on a Wheel?
Ultimamente com a onda dos 50 anos dos Stones a pleno vapor, me deixei contaminar por esta febre.
Em 2010 eu já havia lido a antológica auto-biografia de Keef, chamada 'Vida'.
No início do ano passado passei os olhos pelo interessante livro 'Under Their Thumb' de Bill German, um relato bem legal de um fã que vivenciou a 'stonemania' dos anos 70 e 80.
Pouco tempo atrás terminei a auto-biografia de Ron Wood, que se não foi uma maravilha como a de Keith, tem muita curiosidade incrustada naquelas páginas, e mostra o brincalhão Woodie, exatamente como eu o imaginava: um festeiro de primeira linha!
Um outro livro chamou minha atenção nos últimos dias, e o estou devorando como se fosse um chocolate de Páscoa! Trata-se de 'Encurralados - Os Stones no Banco dos Réus' (Madras, 2012), de Simon Wells.
Como podemos ver pelo título, o livro trata dos problemas (que não foram poucos) dos Stones com a justiça.
Começando a ter que prestar contas a Lei em 1964, por urinarem do lado de fora de um posto de gasolina, até os sérios problemas de Keith com a heroína, o livro não é apelativo, e mostra com clareza como os caras foram perseguidos, principalmente nos anos 60, por forças reacionárias, determinadas a vê-los atrás das grades.
O ponto alto da pesquisa de Wells, nos leva a famosa festa realizada em 'Redlands', casa recém comprada por Richards, em fevereiro de 1967.
Ninguém havia programado uma festa, mas a ocasião serviria para o já iniciado Keef, apresentar o LSD para seu parceiro Mick Jagger, e então eles se tornariam - era o que se esperava - pessoas mais próximas.
Além de Keef e Mick, que trouxe sua namorada Marianne Faithfull, quem também apareceu foi o marchand Robert Fraser, amigo da dupla. Quem não poderia faltar também, era o fotógrafo Michael Cooper, amigo de Fraser, e que se tornaria íntimo de Keith. Cooper imortalizou imagens da ocasião - principalmente de Keith na praia - e depois também seria obrigado a clicá-los algemados!!
Brian Jones e sua ainda namorada Anita Pallenberg, foram barrados, após Keith ir buscá-los em casa, e presenciar outra de suas famosas brigas! Ela logo trocaria Brian por Keef!
Robert Fraser trouxe seu mordomo particular, chamado Mohammed Jajaj, e outro penetra foi um jovem conhecido por Nicky Kramer, que quase não abriu a boca durante a reunião festiva, e depois atrairia muitas suspeitas.
De longe, o furão mais chamativo e simpático, era o canadense David Schneiderman, mais conhecido nos EUA como o 'Rei do Ácido', que havia conhecido Keith em Los Angeles, e agora se infiltrara no mundo dos Stones em Londres. Entre os amigos, comentava-se que um dos objetivos maiores de Schneiderman na Inglaterra, era o de 'batizar' os reservatórios de água potável inglesa com seu produto alucinógeno!
O tal encontro que começara no sábado por volta da meia-noite, com os caras apenas relaxando com maconha, haxixe, e outros afins, pegaria fogo no dia seguinte, com passeios na beira da praia, música a todo volume o dia inteiro (incluindo The Who e 'Blonde on Blonde' de Dylan), e viagens com o ácido lisérgico.
Outros visitantes que surgiram no domingo à tarde, incluíam o beatle George Harrison e sua esposa Pattie, além de seu assessor Tony Bramwell.
Após o passeio na praia, Marianne Faithfull, que na época iniciava relacionamento com Jagger, resolveu tomar um banho. Como ela havia esquecido de trazer outra muda de roupa, ela se enrolou em uma colcha toda forrada de pele. E desta maneira, vestida somente com a tal colcha - mas parecendo um casaco de pele - desceu para a sala para usufruir do restante da festa. Este incidente ficaria famoso, inclusive tendo sido criado um boato infame de que além de nua, Marianne também estava 'portando' uma barra de chocolate 'Mars' em uma parte íntima de seu corpo, barra esta que Mick estaria degustando!
O que ninguém no local sabia, era que a polícia havia sido avisada por jornalistas do diário 'News of the World', que estava rolando uma 'drug party' - ou festa a base de narcóticos - na mansão. O jornal queria assim vingar-se de Mick Jagger, que os processava por calúnia.
Coincidência ou não, Harrison e Pattie, saíram da casa pouco antes das 20.00 hrs, quando um batalhão policial, munido de um mandado de busca, invadiu pacificamente a mansão de Keef.
Moral da história: em uma revista completa na casa e nos hóspedes dela, acharam-se algumas substâncias proibidas.
Mick, tinha um frasco de benzedrina com 4 comprimidos esquecidos no bolso, desde uma viagem ao exterior onde eles eram permitidos e Robert Fraser, foi flagrado com uma pequena quantidade de heroína. Os dois, além de Keith que era o dono da casa, e, supostamente permitia o uso de drogas em sua residência, foram dias mais tarde indiciados e levados à juri. Schneiderman foi revistado, mas uma maleta que portava, não!
Todos, é claro, seriam julgados por um tribunal hiper conservador, que queria torná-los um exemplo para os jovens do Reino Unido.
Jagger, Richards e Robert Fraser foram condenados a prisão e multados.
Eles chegaram a ser fotografados algemados uns aos outros, com Jagger tentando forçar um sorriso, mas completamente apavorado.
Durante sua curta estadia vendo o sol nascer quadrado, Jagger compôs '2000 Light Years From Home' e 'We Love You', mostrando seu desespero e solidão.
Marianne Faithfull, não foi acusada no tribunal, mas foi citada como uma certa 'Madame X', que circulava praticamente nua pela festa, provavelmente sobre o efeito de hipnóticos. A imprensa só precisou somar 2 + 2 pra descobrir quem era a tal Madame X, e no dia seguinte fotos de Marianne, embora não citada abertamente como a Madame, estampavam a primeira página de vários diários ingleses.
A dúvida que ficou foi de quem os 'entregou' pro 'News of the World'.
Nick Kramer, mesmo agredido por seguranças dos Stones, dias depois, negou ser o dedo-duro. O 'Rei do Ácido' Schneiderman, (que portava sempre a tal maleta com todo tipo de substâncias proibidas), sumiu dois dias depois da festa, tendo deixado a Inglaterra apressadamente, com um de seus vários passaportes falsos. Keith, em sua biografia, diz ter certeza que foi seu motorista na época, chamado 'Patrick', quem os denunciou.
Após recorrer da sentença, Mick e Keith seriam soltos após alguns dias sob fiança (altíssima), e mais tarde venceriam um recurso em alta instância. Fraser, por portar uma droga pesada, pagou o pato e ficaria preso por alguns meses!
Um fato que ajudou muito a defesa de Jagger e Richards, foi o editorial do 'The Times', um dos jornais mais conceituados de toda a Inglaterra. Seu editor chamado William Rees-Mogg, apesar de também conservador, não achou justa a sentença de Jagger.
Ele escreveu o editorial 'Who Breaks a Butterfly on a Wheel'? (Quem Submete uma Borboleta à Roda do Suplício?), o título vindo de um verso do poema 'Epistle to Dr. Arbuthnot', de Alexander Pope, poeta do século XVIII.
Rees-Moog, discorreu no editorial, sobre a incoerência de uma pena exemplar para um delito pequeno, apenas porque os acusados eram famosos! A repercussão foi enorme!
Batalha ganha, os Stones seguiram em frente, mas a perseguição continuaria pelos anos seguintes. A vítima seguinte seria Brian Jones!
O poema de William Blake que abre os trabalhos do livro, serve de epitáfio para os problemas dos Stones:
O JARDIM DO AMOR
Deitei-me à margem do rio
Onde o amor dormia;
Cujo lamento frio
Pela relva gemia e gemia.
Para os campos e desertos rumei,
Onde cardos e desolação encontrei,
Que me contaram como ludibriados
Foram expulsos e à solidão relegados.
Segui para o Jardim do Amor;
E vi o que jamais avistara;
Uma Capela erguida no centro
Do gramado onde eu brincara.
Portões fechados encontrei,
"Não entreis", lia-se na entrada.
Então ao Jardim do Amor me voltei,
E às doces flores que ostentara.
Mas repleto de sepulturas o vi
Com lápides em vez de flores;
E padres de negro vagavam,
Sufocando com espinhos meus ardores.
quinta-feira, 21 de março de 2013
Como Tudo Começou!
O dia 22 de março de 1963, ficará para sempre gravado na história musical do planeta. Nesta data, Paul McCartney, Ringo Starr, John Lennon e George Harrison lançavam seu primeiro LP!
Os carinhas já haviam estreado em 1962 com dois singles: 'Love Me Do/P.S. I Love You' e 'Please Please Me/Ask Me Why', mas agora a coisa era prá valer!
Produzido em apenas um dia (11 de fevereiro), o álbum 'Please Please Me' foi gravado em meros dois canais, que era a 'alta tecnologia' dos estúdios EMI da época.
O produtor George Martin fez o possível para reproduzir o som deles como era ouvido ao vivo no 'Cavern Club'! Assim, apesar de sua pouca experiência em estúdio, os rapazes se sentiram à vontade, e a maioria da canções foi gravada em apenas um 'take'.
Martin, no início, procurava por um líder e um cantor principal para a banda. Ele ficou na dúvida entre John e Paul.
O destino se encarregou de mostrar a Martin, que os Beatles funcionavam melhor como conjunto! Apesar do vocal de Lennon prevalecer nos primeiros álbuns do grupo, o início arrasador do disco cabe a Paul McCartney, com o rock estonteante e inovador chamado 'I Saw Her Standing There'.
Ao comando de 'one, two, three, four...' de McCartney, até a o último acorde da guitarra de George em 'Twist and Shout', os Beatles começavam a mostrar aos ingleses, e depois ao mundo todo, como a música funcionaria a partir daquele momento.
McCartney, em sua formação musical, gostava de rock e de baladas, seus ídolos eram Elvis Presley, Buddy Holly e Little Richard. Seu vocal, quando se inspirava em Richard, era perfeito para rockões como a faixa de abertura. A harmonia vocal dos caras, que sobressai nessa canção, também sempre foi um ponto alto da banda. E estamos falando de 1963, quando eles nem haviam ouvido ainda os 'Beach Boys', que seriam outra grande inspiração para as harmonias.
Os Beatles queriam aproveitar seu material do 'Cavern' para este disco, então esta foi uma das poucas vezes que eles utilizariam seus singles já lançados para completar um álbum.
Temos então presente no LP, ás já citadas 'Love Me Do', a primeira música escolhida por eles para uma gravação, e 'P.S. I Love You', ambas com o vocal de Paul.
A balada mais adocicada de McCartney - que seria outra marca registrada da banda - foi a cover de 'A Taste of Honey', sucesso dos Beatles desde o tempo de Hamburgo.
O trabalho conjunto dos Beatles, exigia que todos cantassem ao menos uma música. Era assim nas apresentações e seria assim nos discos futuros.
Ringo Starr, era conhecido por ter uma voz 'maneira', apesar de não ter muito alcance vocal, e além disso ele era idolatrado em Liverpool, por entre outras coisas, sua técnica estranha de tocar bateria. Era necessário então que Ringo tivesse seu espaço como solista. A escolhida para ele foi 'Boys' do grupo feminino americano The Shireless, de quem a banda era fã.
Aqui faz-se necessário comentar a enorme influência da música americana na formação dos caras. Não apenas Elvis (que John e Paul adoravam), Carl Perkins e Chet Atkins (ídolos de George), mas principalmente a música negra. Coisas da gravadora Motown. Ray Charles e Stevie Wonder, os grupos femininos de rhythm & blues e soul, o próprio blues, e o country (Ringo era fã), tudo isso marcou muito os rapazes.
Harrison, no início da banda, queria se dedicar mais a seus solos e acompanhamentos de guitarra. Então John compôs especialmente para seu vocal a balada 'Do You Want to Know a Secret?', já neste tempo inspirada em Lewis Carrol. Outro ponto alto no começo da banda, era quando George fazia harmonia com Paul para os vocais de John, ou numa ocasião rara, quando ele mesmo acompanhou Lennon em 'Baby It's You', um grande momento do disco.
A participação de John Lennon neste primeiro trabalho, fez muita gente imaginar que ele seria o 'solista' do conjunto. Sua voz afiada, principalmente em 'Misery' (junto com Paul), na já citada 'Please Please Me', e, principalmente na cover de 'Anna (Go to Him)' e no final épico com 'Twist and Shout', - sua voz estava no limite, após horas gravando, mas ele se entregando de corpo e alma à musica, - ajudaram a fazer deste álbum uma das maiores estreias em LP de uma banda de rock.
Os Beatles eram ainda pouco conhecidos. Este seu primeiro álbum os tornariam famosos no Reino Unido. Isto era apenas o início. O melhor ainda estava por vir!
quinta-feira, 7 de março de 2013
Uma Aula!!
Pois é, amigos. O Elton John arrasou em Porto Alegre.
Muitas coisas contribuíram para que o show desse certo, na minha opinião. Primeiro a acústica do Estádio do Zequinha, que surpreendeu. Ao menos para quem estava próximo ao palco, ela foi perfeita. O tempo que estava chuvoso, ficou bom perto da hora do show. A Vip Lounge, que se não foi uma maravilha, pelo menos não me deixou de mau-humor. E o principal, claro, o senhor Reginald Kenneth Dwight, 65 anos, mais conhecido como Elton John, estava animado!
Eu não havia gostado da voz desse cara no show de São Paulo, mas ao vivo.... Foi de arrepiar. O piano parece o mesmo da década de 70, matador. Alie-se a isto, um equipamento de primeira, uma banda super-competente, cujo destaque são os remanescentes dos primeiros discos de Elton: o baterista Nigel Olsson e o guitarrista - que guitarra - Davey Johnstone, e você tem uma aula de música!!!
Não precisou pirotecnia, não precisou efeitos especiais. Elton nem falou muito, além dos 'Boa Noites' e 'Obrrrigados' - apesar de levantar toda hora do piano para 'provocar' a galera. Não precisava mais nada mesmo!
Ás 21.10 mins., aos primeiros acordes de 'The Bitch is Back', o cara começou a conquistar o público presente. Quase lotado, diga-se de passagem.
Aí desfilaram 'Benny and The Jets', 'Grey Seal', ambas do álbum antológico 'Goodbye Yellow Brick Road', que ganhou destaque no show!
Gostei muito de 'Levon', com EJ atacando a música sózinho ao piano. Os dois telões instalados no 'Zequinha', deram uma amostra de sua técnica ímpar nos teclados.
A parte que eu mais esperava, e que me deixou emocionado, foi seu tributo inesquecível a Norma Jeane, em 'Candle in the Wind'. Essa canção, pra mim, nunca envelheceu. É bom não esquecermos aqui a imensa contribuição do letrista Bernie Taupin, para a carreira de Elton John. Sem ele, não sei se EJ chegaria onde chegou.
Outro ponto alto, foi como eu esperava, a suíte 'Funeral For a Friend'! A banda deslanchou de vez, e nós embarcamos numa viagem pelo mundo do rock progressivo anos 70! Aí o carinha esnoba, e entra logo depois num clima jazzy, com 'Honky Cat', do grande álbum Honky Château. Nesse momento eu tive que comentar com meus amigos presentes no show: 'o cara passeia por todos os ritmos...' Uma verdadeira e legítima aula!!!
Falando em Honky Château, não poderia faltar 'Mona Lisas and Mad Hatters'! Eu adorei, parece que tem gente que não conhece ela direito.... Fazer o quê???
'Skyline Pigeon' era obrigatória! Eu deveria ter 11 ou 12 anos quando a ouvi no rádio pela primeira vez! EJ parece curtir tocá-la ainda, isso que eu acho importante. Ele não se envergonha do seu passado!
As baladas continuaram com 'Daniel', "Believe' (com corações vermelhos na plateia) e 'Sad Songs'. De seu recente álbum em dupla com Leon Russell chamado 'The Union', surgiu 'Hey Ahab', muito legal, mas que poucos se ligaram.
As mais agitadas foram chegando. Vibrei com a homenageada pela turnê, (40 anos de) 'Rocket Man', 'Crocodile Rock', 'I'm Still Standing' e 'Saturday's Night Alright for Fighting'.
Ok, pessoal, o espetáculo estava acabando! Quase!! Faltava aquela....
EJ saiu e voltou para encerrar com 'Your Song'!!!
Não preciso dizer mais nada. Com isso ele satisfez a vontade das pessoas que conhecem sua música!!
Um dos melhores shows que já vi!!!
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013
Elton John - 'The bitch is back'!!
O ano de 1973 me traz boas recordações. Foi nesta época distante que comecei a me interessar mais por música!
Um dos primeiros álbuns que comprei, para ouvir numa vitrolinha portátil foi 'Goodbye Yellow Brick Road', de um certo Elton John que começava a ganhar as paradas de sucesso do Brasil e do mundo.
Eu lembro até do momento quando ouvi uma canção deste disco no rádio do carro pela primeira vez. Naquele tempo de rádio AM, havia aqui em Santa Maria, um cara que entendia tudo de som. O apelido dele era 'Baratinha', e numa destas tardes de sábado ele botou pra tocar a música 'Funeral for a Friend (Love Lies Bleeding)', de Elton. Lembro que o Baratinha comentou que "este cara sempre tinha sido muito comercial, e que, pela primeira vez dava 'uma dentro'."
Sim, o som era inovador, prenunciando a década do rock progressivo, e, claro, eu sabia quem era Elton John, porque já tinha ouvido muito o single 'Skyline Pigeon', algum tempo antes.
Moral da estória: corri para a loja mais próxima pra tentar achar essas canções, achando que estariam no mesmo álbum.
Foi então que fui apresentado a 'Goodbye Yellow Brick Road'! Não, 'Skyline Pigeon', não estava lá, que decepção. 'Funeral for a Friend', sim! Praticamente furei este vinil de tanto ouví-la! Porém existia muito mais coisa boa ali.
Uma pena que a edição do LP nacional veio terrivelmente mutilada. Depois vim a saber que o álbum original era duplo, com 17 canções, e ali só haviam 9!!! A contra-capa falava de 'ilustrações na capa interna', mas não havia capa interna. Era tudo feito para baratear o produto, e a gravadora nacional selecionou as canções que julgou ser as mais comerciais.
Mas como falei, algumas canções muito legais entraram no pacote nacional. Entre elas a linda 'Candle in the Wind', uma homenagem arrepiante de Elton a sua (e nossa) musa, Marilyn Monroe! Claro, a faixa-título, também emplacou direto nas paradas.
Comecei então (como fiz com os Beatles) a descobrir o trabalho anterior de Elton John. Logo fiquei sabendo que seu primeiro lançamento datava de 1969, e era o álbum 'Empty Sky' (ali estava a Skyline Pigeon). Seu disco seguinte que se chamava 'Elton John', tinha uma música inesquecível para mim: 'Your Song'! Até hoje a ouço como se fosse a primeira vez!
A procura me levou a outros discos muito bons como 'Tumbleweed Connection' e 'Honky Château', que possuia duas músicas clássicas: 'Rocket Man' e 'Mona Lisas and Mad Hatters'!!
Olhando para o futuro, acompanhei a carreira de Elton em álbuns como 'Madman Across the Water', e a música 'Tiny Dancer', assim como em 'Caribou', que tinha a deliciosa 'The Bitch is Back'!!
Os sucessos e as baladas nunca terminaram. Exemplos: 'Daniel', 'I Guess That's Why they Call it the Blues' e 'Levon'!
Bem, pessoal, tudo isto só pra dizer que estou 'aquecendo' pro show da 'titia' do rock, nesta terça, dia 05 em Porto Alegre!
Todas estas canções que citei deverão fazer parte do espetáculo!
Notícias na volta!!!
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