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sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Roman Polanski - Cenas Mais do que Reais!!

            Em 2008, escrevi este texto sobre um de meus diretores preferidos. Polanski completava 75 anos no dia 18 de agosto daquele ano. 
Fui obrigado a fazer uma observação no final do texto, devido a novos acontecimentos relacionados com o caso de intercurso sexual ilegal, que se arrasta desde 1977, e claro, um novo filme lançado!
Longa vida ao Mestre!!               


        
Um dos maiores diretores de cinema ainda em atividade, Polanski é igualmente conhecido pela sua magnífica obra e suas tragédias pessoais.
Roman nasceu em Paris, filho de pais poloneses, ele passaria sua infância em Varsóvia onde sua mãe seria uma vítima do holocausto. O pequeno Polanski consegue sobreviver buscando abrigo junto a amigos e parentes durante a segunda guerra mundial. Quando a guerra acaba ele reencontra seu pai. Os dois foram os úncios sobreviventes da família.

Polanski cedo se interessa por fotografia e filmagens e cursa a Escola de Cinema de Lodz, onde conclui os estudos em 1959. Neste mesmo ano ele se casa com a atriz polonesa Barbara Kwiatkowska.
Após vários curtas de sucesso, como ‘Dois Homens e Um Guarda-Roupa’, ‘Quando os Anjos Caem’, ‘O Gordo e o Magro’ e ‘Mamíferos’, ele consegue rodar seu primeiro longa na Polônia chamado ‘A Faca na Água’. Lançado em 1962, é um interessante estudo psicológico de 3 pessoas convivendo em um pequeno barco.

Na França em 1964,  conhece aquele que viria a ser seu roteirista em vários filmes, Gérard Brach, e consegue um acordo de filmagem com a produtora de cinema “Compton Group’. A quatro mãos, Polanski e Brach escrevem o roteiro de ‘Repulsa ao Sexo’ que viria a ser seu primeiro filme falado em inglês, e com a participação da então iniciante atriz Catherine Deneuve.
Apesar de ser um dos filmes que menos o agradou tecnicamente, Polanski conseguiu notoriedade com esse drama de terror psicológico muito à frente de seu tempo.

 
Já separado de sua primeira mulher, Barbara, em 1965, ele  parte para  Holy Island na Inglaterra, onde roda um de seus melhores trabalhos, o pouco conhecido do público, ‘Armadilha do Destino’. Este longa, viria a ser um dos mais influentes filmes para uma geração inteira de cineastas. Os movimentos de câmera são inovadores para a época, e a trama,  tendo como pano de fundo um castelo claustrofóbico, é uma mistura de humor e tragédia, o que sempre foi uma marca de seus filmes e de sua vida.  Muito justamente ele seria premiado com o ‘Urso de Ouro’ de melhor filme em Berlim, 1966.


No final desse ano, Roman começa a escrever com Gérard Brach um roteiro sobre vampiros. Na verdade ‘A Dança dos Vampiros’ se tornaria uma paródia e um de seus filmes mais cultuados. Para atriz principal lhe é sugerido o nome de Sharon Tate, uma americana que fazia pontas em séries de TV.
Ele não apenas a contrata, como também se apaixona por Sharon. Eles se casariam em janeiro de 1968.


Faltava para Polanski um grande sucesso comercial, e ele viria com o filme ‘O Bebê de Rosemary’, baseado no livro de Ira Levin. Foi seu primeiro filme em Hollywood, e as locações foram quase todas feitas no sinistro Dakota Apartments em Nova Iorque. Destaque para a magistral atuação de Mia Farrow, como a dona de casa que teve um bebê com o demônio. Outra marca registrada de Roman é o cuidado com a trilha sonora. Seu amigo de longa data, o músico polonês Komeda, compõe duas canções de ninar belíssimas para a interpretação da própria Mia Farrow, que acrescentam ao filme um efeito hipnótico.


Após o imenso sucesso de ‘O Bebê de Rosemary’, ele decide descansar e aproveitar a vida doméstica. Sua esposa Sharon engravida, e ele resolve fixar residência nos EUA.        
Após longas férias, ele se vê obrigado a viajar para Londres a fim de trabalhar em um novo roteiro, pouco antes da data prevista para o nascimento de seu primeiro filho.
Em agosto de 1969 a tragédia se abate novamente sobre Roman Polanski. Sua mulher Sharon Tate, grávida de oito meses, e mais 4 amigos são brutalmente assassinados pela infame gangue do maníaco Charles Manson, em sua casa de Los Angeles.
Muito tempo depois, Roman diria que a morte de Sharon foi o único divisor de águas em sua vida. A partir daquele momento sempre que estivesse se divertindo, ele se sentiria culpado.


Indeciso sobre o que fazer para tentar esquecer mais esta tragédia, Polanski busca a saída no trabalho, e resolve adaptar ‘Macbeth’ de William Shakespeare para o cinema. Trabalhando em Londres com Kenneth Tynan no roteiro, eles produzem uma versão acessível de Shakespeare, passando longe dos clichês teatrais presentes nas películas de Orson Welles e Akira Kurosawa.
Em 1972, ele fixa residência em Roma, onde roda seu filme mais obscuro, a comédia ‘Que?’, com Sydne Rome e Marcello Mastroianni. Um fracasso comercial para os padrões de Polanski.

 
Precisando recuperar o prestígio, Polanski resolve relutantemente aceitar o convite de Jack Nicholson e voltar a Los Angeles, onde tudo lhe lembrava o trágico assassinato de sua esposa.
Instalado na casa de Nicholson, Roman é presenteado com um exemplar do livro ‘Chinatown’ de Robert Towne. Ele e Jack resolvem imediatamente unir esforços e fazer uma versão para o cinema.Towne é contratado para trabalhar com Roman no roteiro complicadíssimo.
‘Chinatown’ ficaria conhecido como um dos mais belos thrillers já realizados, - teve várias indicações ao ‘Oscar’, inclusive tendo ganho o de melhor roteiro – e como uma  das melhores atuações de Jack Nicholson no cinema. O sucesso de crítica e comercial foi imediato e estrondoso.

De volta à França em 1976, ele resolve dirigir e atuar naquele que seria o aclamado cult movie, ‘O Inquilino’, onde ele interpreta o papel de um tímido bancário que passa a ter alucinações e se vestir de mulher. Este filme rodado com um orçamento baixíssimo, até hoje é motivo de discussão entre os apaixonados pela obra de Polanski.

Novamente nos EUA no início de 1977, é contratado para fotografar adolescentes para a revista ‘Vogue’, o que acaba gerando uma grande confusão, incluindo um processo contra si por ‘intercurso sexual ilegal’ de uma garota de 14 anos. A Vogue não se manifesta a favor de Roman no processo, aliás alega nem tê-lo contratado.
Polanski é obrigado a se declarar culpado para evitar danos maiores à menina, e é sentenciado a um período de no máximo 3 meses para avaliação psicológica numa penitenciária em Los Angeles. Após 42 dias ele é libertado e imagina poder continuar vivendo normalmente nos EUA, quando o juiz, - em uma reviravolta do caso, pressionado pela mídia e a opinião pública - pensa em mandá-lo novamente para a prisão por tempo indeterminado.
Ele então abandona a América, fugindo para Paris, ficando impossibilitado de regressar aos EUA, pois seria preso ao desembarcar.
 Até hoje o caso é polêmico, mas Polanski sempre jurou inocência e recebeu o apoio de amigos como Jack Nicholson e Harrison Ford.

 
Após a encrenca em Los Angeles, Roman mergulha novamente no trabalho e resolve adaptar o romance  de Thomas Hardy, ‘Tess dos Urbervilles’. O filme - a produção mais cara até então a ser  realizada na França - marca a  estréia de Nastassja Kinski  em um papel  de destaque. Ela então com apenas 17 anos seria alçada a condição de estrela. Nastassja e Polanski também viveriam um tórrido caso de amor, que duraria pouco tempo.
‘Tess’, foi um grande sucesso, apesar da longa e difícil filmagem. O filme levou o ‘Oscar’ de melhor figurino, direção de arte e fotografia.

Um antigo roteiro escrito por Polanski e Brach  - ‘Piratas’ -  feito com a ideia de ter Jack Nicholson no papel-título, é reformulado e filmado com Walter Matthau como o perverso ‘Captain Red’! Uma sátira sensacional de Polanski aos filmes de piratas e que seria muito imitada, inclusive em filmes atuais como ‘Piratas do Caribe’.
‘Busca Frenética’ une Roman e seu amigo Harrison Ford num thriller em homenagem a Hitchcok, em que sua atual mulher Emanuelle Seigner faz sua estreia no cinema.


'Lua de Fel’ lançado em 1992, com a participação de Hugh Grant e também de Seigner,  é considerado um de seus melhores filmes. Houve até quem enxergasse um paralelo da vida – principalmente sexual - de Polanski com o personagem de Grant.


Em 1994 estreia ‘A Morte e a Donzela’, um filme sobre torturados políticos, tendo como cenário um país sul-americano libertado de uma ditadura sangrenta, estrelando Sigourney Weaver e Ben Kingsley.
No final da década, Polanski volta a brincar com o sobrenatural e lança o pouco inspirado ‘O Último Portal’ com Johnny Depp.

No ano de 2001 Polanski resolve finalmente enfrentar o fantasma de sua infância e começa a filmar o holocausto baseado num livro de Wladyslaw Szpilman.
‘O Pianista’, lançado em 2002, é para muitos a sua obra prima. Foi difícil esta revisita ao passado, mas ele venceu a batalha. O filme conta todo o horror da ocupação nazista num gueto de Varsóvia, habitado por um sensível e brilhante pianista, que perde toda sua família.


 Além da ‘Palma de Ouro’ de melhor filme em Cannes, o filme ganha 3 “Oscar’. Melhor ator para Adrien Brody, melhor roteiro adaptado, e finalmente o de melhor diretor para Polanski, que não podendo comparecer a cerimônia da Academia teve de receber seu prêmio em Paris das mãos de Harrison Ford.

Seu último trabalho lançado foi ‘Oliver Twist’. Apesar da bela fotografia e cenários majestosos, foi apenas uma pálida imagem da grande obra de Charles Dickens.

Polanski aos 75 anos, está mais ativo do que nunca. Após desistir do projeto do filme ‘Pompéia’, ele prepara para setembro deste ano o começo das filmagens de ‘The Ghost’. O filme será sobre um ‘ghost writer’ – escritor que recebe para escrever um trabalho, mas que não tem seu nome creditado - contratado para escrever as memórias de um ex-primeiro ministro inglês.

Sempre uma pessoa polêmica, despertando ao mesmo tempo admiração e repulsa,  o certo é  que Roman Polanski soube superar todos os obstáculos e é simplesmente impossível ficarmos impassíveis quando assistimos a qualquer uma de suas obras.

      
*Em setembro de 2009  cumprindo mandado de prisão expedido pelos EUA, Roman Polanski é preso pela polícia ao desembarcar na Suíça vindo da França para receber um prêmio por sua obra.
 Uma longa batalha judicial tem início. Ele é solto sob fiança dois meses depois e transferido para prisão domiciliar em seu chalé na Suíça, onde fica confinado até julho de 2010, quando é libertado pelas autoridades suíças que negaram o pedido de extradição aos EUA.

Em 2010 seu filme  ‘The Ghost Writer’ – o qual Polanski terminou a pós-produção na cadeia – tem sua estreia nos cinemas, com as partcipações de Ewan McGregor e Pierce Brosnam. Sucesso de crítica!

6 comentários:

Alice disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Eduardo Lenz de Macedo disse...

Bah, Alice! Eu assisti esse filme nos anos 70! Até pela presença da Sharon, eu achei ele assustador e fascinante ao mesmo tempo.
Imagina vc com uma banheira em casa, e assistindo aquela cena do banho!!! Dá medo..hehe.

E o 'Bebê de Rosemary', não te deu medo?

Alice disse...

Eu sempre fui de ficar muito impressionada com filmes, por isso, JAMAIS assistí e nem assistirei 'Bebê de Rosemary', 'O Exorcista' e afins...
Morri de medo do final dos Gremlins que mandava olhar debaixo da cama (renderam anos de medo)!!!

Alice disse...

E 'Lua de Fel' assisti estes dias, acho q menos de uma semana. Achei completamente doentio! Se era uma 'caricatura' da vida do Polanki, pobre infeliz... hehehe

Eduardo Lenz de Macedo disse...

Hehe, tá certo! Meu filho ficou traumatizado quando viu o 'Chuck, o boneco assassino' a primeira vez... hehehe.

Mas o 'Bebê' é mais um tipo também de 'terror psicológico', ao menos eu não acho assustador. Agora, é um clássico.

Eduardo Lenz de Macedo disse...

É meio doentio sim, o Lua de Fel, mas um grande filme tb! Acho que não tem nada a ver com o Polanski, mas ás pessoas comentam pq ele tinha uma imagem de playboy!
Enfim, é um filme onde tudo gira em torno dos relacionamentos das pessoas! O casal 'certinho' que não era tão certinho assim! E o 'malucão' do Peter Coyotte (com a namorada mais maluca ainda)que fez um grande papel.