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quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Gram Parsons - O Anjo Atormentado!!

                                            
                                                                          
                                                                Desenho de Paulo Chagas



Este texto está presente no livro 'Alto & Bom Som'.
Gram Parsons nunca foi conhecido e muito menos reconhecido nos EUA, quem dirá por estas bandas. Quando travei contato com a música dele nos anos 90, senti algo como o próprio Keith Richards disse quando soube de sua morte: 'havia tanto talento, tanta promessa ali."
Parsons, anos depois passou a ser refêrencia a qualquer coisa ligada a música country ou country-rock. Ele participou das gravações de pelo menos dois grandes clássicos: 'Sweet Heart of the Rodeo' (1968) dos Byrds e 'The Gilded Palace of Sin' de sua banda 'The Flying Burrito Brothers!





Considerado por muitos o criador do estilo country-rock, Ingram Cecil Connor III, mais conhecido como Gram Parsons, nasceu em  5 de novembro de 1946, em Winter Haven, Florida.
Garoto de clase média-alta, desde pequeno ele se interessou por música country. Apesar de Gram levar o crédito de ser o primeiro astro de country-rock, graças a seu cabelo comprido e sua atitude de  rockeiro, ele, na verdade, se considerava apenas um músico country.
Parsons foi fundamental para o aparecimento de bandas como os famosos Eagles, no início dos anos 70, e sua influência continua inspirando grupos como The Jayhawks, Wilco e cantores como Elvis Costello e Ryan Adams até os dias atuais.
Após algumas gravações com The Shilos no início dos anos 60, Gram estreia pra valer em um disco com a International Submarine Band. A novidade caiu no gosto do público em 1967, com o lançamento do álbum Safe at Home”. O disco é recheado com algumas pequenas pérolas do country como Blue Eyes e Do You Know How It Feels to Be Lonesome? - canções que se encaixam perfeitamente no característico timbre caipira urbano e inigualável de Parsons.  
  

Seu estilo de cantar chamou a atenção de Roger McGuinn, dos Byrds, que o incorporou à banda em 1968, juntamente com Chris Hillman, velho amigo de Gram. O resultado foi o álbum “Sweetheart of the Rodeo”, marca do country-rock. Mas Gram foi impedido de ter seus vocais lançados, na época, devido a problemas contratuais. Felizmente, na década de 90, em sua edição em cd, ‘Sweetheart’ traz como bônus os vocais de Gram em One Hundred Years From Now, Hickory Wind, The Christian Life, Life in Prison e outras jóias raras.
Apesar do sucesso do álbum, sua relação com McGuinn sempre foi turbulenta. O ápice do desgaste ocorre quando Parsons se negou a viajar em turnê para a África do Sul, episódio que resultou na saída de Gram da banda. 
Em 1969, Parsons encontra o baixista Chris Ethridge. Juntos, eles resolvem fundar seu próprio grupo, The Flying Burrito Brothers. Para afinar a banda, juntam-se à dupla 'Sneak' Pete Kleinow, no slide, e Chris Hillman, que também deixara os Byrds, na guitarra.


Seu primeiro álbum, “The Gilded Palace of Sin”, traz aquelas que talvez tenham sido  as melhores composições de Gram, com a colaboração de Hillman e Ethridge. Ali estão ás clássicas, Christine's Tune(Devil in Disguise), Hot Burrito Nº1, Juanita, Sin City e a maravilhosa releitura do soul, Dark End of the Street, por Gram.
Nesta época, o cara estava fazendo amizade com o Stone Keith Richards, influenciando os ingleses tanto em álbuns - “Let It Bleed” e “Exile on Main Street” - como até na maneira de Keith tocar a guitarra. Em 1972, Gram passa um tempo na casa de Richards no sul da França onde ‘Exile’ estava sendo gravado.
Após alguns excessos - coisa normal na companhia de Keith - e cobranças de sua banda, Gram volta com um pequeno presente dos Stones, a música Wild Horses, que faria parte do álbum seguinte dos Burritos, entitulado “Burrito Deluxe”, onde também comparecem as geniais High Fashion Queen, Image of Me e Cody, Cody.  
Após 1970, Gram parece perder o interesse pela banda e, depois de várias discussões com Hillman, deixa o grupo. Ele resolve partir para uma carreira solo, onde procuraria desenvolver seu estilo, que ele definiu, como 'Cosmic American Music'. Convenhamos que a idéia é bem adequada, já que seria difícil rotulá-lo como apenas um músico country ou country-rock. Gram diria que para ele o 'Cosmic' significava universal...  
Em 1972 Gram conhece Emmylou Harris, que cantava em pequenos clubes em Washington D.C. A bela voz foi convidada para participar de seu primeiro álbum solo que se chamaria “GP”. Emmylou seria um complemento perfeito para o vocal de Gram, e eles brilham em canções como, She, Streets of Baltimore e The New Shoft Shoe.
Gram resolve recrutar Emmylou permanentemente e, com N.D.Smart II  na bateria e Kyle Tullis no baixo, cria o Gram Parsons and the Fallen Angels, banda com a qual excursionaria e gravaria seu disco seguinte em 1973, chamado “Grievous Angel”, com destaque para as composições Return of the Grievous Angel, Brass Buttons, In My Hour of Darkness e a regravação de Love Hurts
Em 1973, durante o funeral de Clarence White, antigo membro dos Byrds e amigo chegado, Gram comenta com parceiros e seu roadie, Phil Kaufman, que, quando morresse, não gostaria de ser enterrado, e sim que seu corpo fosse levado à Joshua Tree, no sul da Califórnia, onde queria ser cremado. Gram adorava esse deserto onde passava suas férias e buscava inspiração para suas músicas.  
Em férias, no dia 19 de setembro de 1973, Gram se hospeda no 'Joshua Tree Inn' com duas amigas. Após algum tempo, sofre uma parada cardíaca devido a uma overdose de drogas e álcool. Apesar de ser prontamente atendido, Gram morre, tragicamente, com apenas 26 anos.


Phil Kaufman cumpriu à risca o que Gram havia pedido e, quando seu corpo  já se encontrava no aeroporto pronto para ser trasladado para a Florida, Kaufman o 'roubou' e  levou de volta ao deserto, onde foi cremado!! 
A última homenagem a Gram  foi feito em 1999, quando foi lançado um álbum organizado por Emmylou Harris, onde as músicas de Parsons são interpretadas por gente como: Beck, Elvis Costello, The Pretenders, Cowboy Junkies e Sheryl Crow, além é claro da própria Emmylou que intitulou o disco de “Return of the Grievous Angel”.
Sem dúvida, um belo tributo para aquele menino rico da Florida, que um dia sonhou se tornar apenas um bom cantor de música country e acabou influenciando várias gerações.
Sound as ever, Gram! 
                                                                              

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