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quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Apple Scruffs - Sementes e vermes da 'Maçã'


Foi lançado mês passado lá fora, os álbuns remasterizados dos poucos e ótimos artistas que fizeram parte do catálogo da Apple!
Acima temos a foto da coletânea também lançada, que inclui Mary Hopkin, James Taylor, Badfinger, Jackie Lomax, Billy Preston e Doris Troy entre outros.

O norte-americano James Taylor, talvez atualmente o nome mais reverenciado deste time, lançou seu primeiro álbum pela Apple em 1969. O disco foi um sucesso moderado, apesar de composições que depois se tornariam clássicas como 'Carolina in My Mind', que inclui a participação de Paul McCartney no baixo.


O 'descobridor' de Taylor foi Peter Asher, responsável pelo setor de artistas da Apple ( e cunhado até 1968 de McCartney ), que após a chegada de Allen Klein, partiu com James para os EUA, onde passaria a produzir seus principais álbuns pela Warner ( não sem antes também serem processados por Klein ), incluindo 'Sweet Baby James' e 'Mud Slide Slim & The Blue Horizon', ambos clássicos!


A cantora Mary Hopkin, - quem não lembra dela?  - foi descoberta num programa de talentos na TV pela modelo Twiggy, amiga de Paul McCartney que se interessou pela voz soprano de Hopkin. Seu primeiro álbum chamou-se 'Post Card', e emplacou graças ao single 'Those Were The Days', produzido por Paul, e sucesso no mundo todo. Seu single seguinte, composto por McCartney, também emplacaria nas paradas. 'Goodbye' foi feito sob medida para a bonita voz da loira.

 
Seu segundo trabalho, que adquiri agora, 'Earth Song/Ocean Song', é mais voltado para o estilo que a própria Mary preferia cantar: a música Celta.
Sua carreira após o fim da Apple não deslanchou, e depois de casar com o maestro e produtor Tony Visconti ( arranjos de 'Band on the Run' ), pouco se ouviu falar dela.


Outro que não precisa de apresentações, é Billy Preston, pianista e organista norte-americano, que quando chegou na Apple, trazido pelas mãos de George Harrison, já acumulava uma larga experiência em gravações na década de 60. Após participar do disco e do filme 'Let It Be' dos Beatles, Billy lançou 2 álbuns pela gravadora.
O primeiro, "That's the Way God Planned It', lançado em 1969, tem a faixa título como maior destaque.
Em 1970 ele gravaria o álbum 'Encouraging Words', mais bem trabalhado, e produzido com a ajuda do amigo George.


Incluídas neste disco estão as versões para 'My Sweet Lord' e 'All Things Must Pass' de George, e 'I've Got a Feeling' de McCartney, além de várias bônus.
Billy Preston, foi sem dúvida um músico muito criativo e talentoso, espcecialmente no órgão. Sua marca nas canções 'Let It Be' e 'Get Back', especialmente, é inesquecível! Billy continuaria nos anos seguintes lançando outros trabalhos e acompanhando gente como Ringo, George e Eric Clapton. Ele faleceu em 2006.


A banda Badfinger também fez parte deste time de estrelas da Apple. Tendo começado em 1969, lançando o álbum 'Maybe Tomorrow', com o nome de The Iveys, eles logo seriam contratados por sugestão de Paul.

John e Paul não gostavam do nome da banda e sugeriram vários outros, até que Pete Ham ( guitarrista solo ) e Tom Evans ( baixista ) se decidiram por Badfinger, após descobrirem que o título de trabalho da música 'With a Little Help From My Friends', havia sido 'Badfinger Boogie'.
Depois da mudança, Paul McCartney compôs uma canção especialmente para eles. A música 'Come and Get It', foi gravada em menos de 1 hora por Paul, que fez uma demo e a mostrou aos integrantes da banda.
Pete Ham e Tom Evans queriam dar seu 'toque' nela, mas McCartney não deixou eles mudarem um acorde sequer.
A insistência de Paul deu resultado, a canção entrou na trilha sonora do filme 'The Magic Christian', estrelado por Peter Sellers e Ringo Starr, e foi sucesso nas paradas.


Em seu segundo disco 'No Dice', lançado em 1970, o guitarrista Joey Molland se unia a Pete, Tom e Mike Gibbins ( baterista ), carregando mais no peso o som do grupo.
'No Matter What' de Pete Ham, foi o grande sucesso do álbum, que ainda continha trunfos como 'We're for the Dark' e 'Midnight Caller', ambas de Ham e 'Love Me Do' de Molland.
Uma pérola escondida neste álbum, 'Without You', de Evans e Ham, iria ganhar fama no mundo todo, mas apenas 2 anos depois, e na voz de Harry Nilsson, cantor americano fã dos Beatles.


Para o próximo álbum, que se chamaria 'Straight Up', o grupo tinha grandes expectativas. George Harrison ofereceu-se para produzir o disco, e assim eles entram em Abbey Road em junho de 1971 para as gravações. Após apenas um mês de trabalho, George é obrigado a desistir devido a sua participação como mentor e líder do Concerto para Bangladesh, que iria se realizar em 01º de agosto.
O Badfinger inclusive participou de Bangladesh, com uma sessão toalmente acústica de violões e percussão, incluindo um solo de violão de Pete Ham com George em 'Here Comes the Sun'.
Infelizmente, o trabalho que estava indo tão bem com George, foi abandonado, e quando retomado, tempos depois o produtor seria Todd Rundgren.
A maioria das versões foi regravada, e o som ficou muito mais grandioso! A ideia original de George e Ham, acabou sendo extrapolada por Rundgren. Mesmo assim, canções como 'Baby Blue', 'Name of the Game' e 'Sweet Tuesday Morning', dão uma ideia de como ficaria o trabalho sem a participação de Todd Rundgren.


O último trabalho pela Apple do Badfinger foi o álbum 'Ass' lançado em 1974.
A banda já havia deixado a companhia dos Beatles e assinado com a Warner, graças é claro, a interferência do sr. Allen Klein, que fazia o possível para se ver livre de todos que possuíssem talento.
Embora este fosse um disco já gravado sem muita expectativa, por não poder continuar no selo dos Beatles, ele contêm várias grandes canções. Pete Ham, neste disco não têm grande participação em número de músicas, mas as duas que ele coloca são clássicas.
A primeira e a última do álbum são dele: "Apple of My Eye', é um adeus em alto estilo para a gravadora na qual eles tanto tinham se envolvido e 'Timeless', um belíssimo ponto final.

O Badfinger continuaria sua carreira nos anos seguintes e lançaria bons trabalhos, como o disco 'Badfinger' e 'Wish You Were Here', pela Warner, mas parece que a magia tinha se esvaído.

Após vários desentendimentos, e, graças também a um empresário esperto, que os roubava acintosamente, a banda chegou num impasse. Não havia dinheiro das turnês e seus álbuns não vendiam. Quem mais sofreu foi Pete Ham que não aguentando a pressão se suicidou em 1975.
Alguns anos depois, Tom Evans, também cometeria suicídio, enforcando-se em seu quintal. Um triste fim para uma grande banda, que até hoje é lembrada e respeitada como uma das mais sinceras e talentosas de seu tempo,

   
Um artista inglês, nem tão conhecido por aqui, mas que também fez parte do elenco da Apple, foi Jackie Lomax. Amigo dos caras, desde Liverpool, onde tocou num conjunto chamado The Undertakers, ele era um guitarrista competente sem uma banda, quando o grupo se desfez.
Lomax, com a ajuda de George e de Paul  - que tocou bateria em algumas canções - lançou apenas este álbum.
'Is This What You Want?', é um honesto primeiro trabalho de um cara, que não tem no vocal seu ponto forte, e não decolou, apesar do ritmo interessante do final dos anos 60, comandado por músicos experientes.
 Músicas como a faixa-título, 'Speak to Me' e 'Sour Milk Sea' ( esta de Harrison ), me deixaram com a sensação, de que em seu próximo disco haveria uma evolução de seu trabalho, mas não houve tempo para descobrir.


Uma grande cantora de rhythm and blues, Doris Troy deixou sua marca na Apple com este álbum.
Doris foi descoberta por James Brown e ao longo da carreira fez backing vocals para vários artistas famosos, entre eles, Pink Floyd, Rolling Stones e Nick Drake.
Recomendada por Billy Preston, ela chega à Apple em 1970 para este trabalho. Belas canções, com uma bela voz, o disco é irrepreensível para os amantes do gênero.
Ela faz covers para ''Games People Play' e 'Get Back' de Paul, e Harrison compõe algumas músicas para seu gogó afinado.
Doris Troy faleceu em 2004.


Nem só de rock e blues vivia a Apple. Paul e John, como fãs de música clássica e alternativa sugeriram alguns nomes, e o Modern Jazz Quartet foi contratado.
Eles gravariam dois álbuns pela Apple, 'Under the Jasmin Tree' ( 1968 ) e 'Space' ( 1969 ).
Ambos os discos tem o toque tradicional do MJQ, com bastante teclados e efeitos.
Recomendado para um público que curta free-jazz.

 
Uma descoberta de John Lennon, foi o músico britânico John Tavener. Também egresso do meio experimental da swinging London, os dois álbuns que Tavener gravou pela Apple, ganham uma versão única neste lançamento.


A suite mais conhecida é 'The Whale', um bonito trabalho de Tavener para quem curte música experimental. 'Celtic Requiem', pouco conhecida, me parece uma peça bem mais abrangente. Enfim, não custa nada dar uma espiada.



Vários outros artistas também participaram da Apple lançando singles. Podemos citar 'The Black Dyke Mills Band', que durante muito tempo foi a orquestra preferida de McCartney, Brute Force, Ronnie Spector, na época mulher de Phil Spector e que gravou 'Try Some, Buy Some' de George. Chris Hodge, The Hot Chocolate Band e Lon & Derrek van Eaton.


Todos estes nomes contribuíram para que a Apple de 1968-1975 fosse uma das grandes empresas do mercado mundial de discos!
Hoje, saneada e totalmente reestruturada ela continua a lançar o trabalho dos Beatles e seus amigos da época!
Neil Aspinall, também já falecido, foi durante muito tempo o cara que comandava esta estrutura.
Estes lançamentos.é importante dizer, todos eles, sempre passam pelo crivo de Paul, Ringo, Yoko Ono e Olivia Harrison.

Que a maçãzinha verde, continue a dar seus bons frutos!! 




2 comentários:

Veri disse...

Adorei seu blog Dado!
Adorei os assuntos

Tenho saudades da época onde os cantores sabiam cantar...

=D

Eduardo Lenz de Macedo disse...

É verdade, Veri! Aquele tempo eram 'outros tempos! Valeu.