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sábado, 28 de julho de 2012

Os Segredos de Hunter S. Thompson





Curtindo muito a semi-auto-biografia de Hunter S. Thompson.
Thompson, para quem ainda não conhece, foi um jornalista americano, conhecido por popularizar o estilo 'gonzo' de jornalismo.
O gonzo, nada mais é do que a interferência do próprio jornalista na matéria que está escrevendo. No caso de Thompson, ele interferiu, e, muitas vezes, virou a personagem principal de suas próprias matérias.
O exemplo mais eloquente, foi uma matéria que Thompson foi fazer para o 'The Nation' sobre a gangue de motociclistas 'Hell's Angels'. Hunter acabou passando mais de ano convivendo com os motociclistas, e após, a matéria acabou virando livro, publicado em 1966, 'Hell's Angels' (L&PM, 2010).
Thompson teve sorte de escapar com vida de seu 'trabalho'. O relacionamento com os Angels chegou ao fim, quando Hunter, em um de seus porres frequentes, cometeu o deslize de afirmar para um Angel que sua moto era mais veloz que a deles.
'Medo e Delírio em Las Vegas' (LP&M, 2010), publicado em 1971, é provavelmente seu trabalho mais conhecido. Nele, Thompson narra sua viagem para cobrir uma convenção nacional de tiras, em Las Vegas. O problema foi que Thompson, atravessou o país, em um carro literalmente cheio de todo o tipo possível e imaginável de drogas. Além, é claro, de um estoque monumental de cerveja e rum.
O assunto do congresso, era justamente o combate as drogas, e Hunter e seu advogado (tão louco quanto ele), compareciam ao seminário completamente chapados. Muito estranhamente, os dois conseguiram se safar. Eram tratados como 'tiras exóticos'. Hunter só foi embora quando detonou toda a grana do patrocinador da matéria em bebidas, drogas, e hotéis de luxo.




'Rum: Diário de um Jornalista Bêbado' (L&PM, 2011), foi seu primeiro trabalho, mas o último a ser publicado. Nele, Hunter conta o tempo que passou em Porto Rico trabalhando em um jornal local, e diga-se de passagem que Thompson morou até no Rio de Janeiro. Este livro foi transportado para o cinema, com Johnny Depp - grande amigo de Hunter - no papel do jornalista gonzo (The Rum Diary, 2011).


Em 'Reino do Medo', publicado em 2003, (Companhia das Letras, 2007) , a tal quase auto-biografia de Hunter S. Thompson que estou lendo, o cara conta de tudo um pouco. Seu fascínio pelas drogas, sua fixação em armas de fogo poderosas, mas mais do que tudo, ele demonstra o amor por seu país.
Democrata convicto, Thompson, chegou a concorrer ao cargo de Xerife, em sua cidade do Colorado, sendo derrotado por pouco. Foi amigo do candidato democrata a presidência George McGovern, e lutou com todas as suas forças contra o envolvimento dos EUA na guerra do Vietnã.
 Seu maior trauma, foi quando cobriu a convenção democrata em Chicago, em 1968, e viu os guardas espancarem quem estivesse na frente. Ele nunca se recuperou disto! 
O livro também inclui matérias suas, publicadas em jornais, e comentários da imprensa sobre essas matérias e principalmente sobre o protagonista principal - o próprio 'gonzo', é claro.
Thompson soube aproveitar a vida! Quando as coisas ficaram difíceis - ele fez uma cirurgia na coluna que não teve sucesso -, Hunter resolveu que era hora de parar de vez. Não foi surpresa! Todos sabiam que 'vida de aposentado' não combinava com ele.
Hunter apenas se fechou em seu escritório, em fevereiro de 2005, sacou uma 'Smith & Wesson 645', e explodiu os miolos.
A vida continua em seus livros!





sexta-feira, 13 de julho de 2012

'Sopa de Cabeça de Bode' - Stones!



Aproveitando o friozinho, que dá vontade de tomar sopa, e o 'Dia do Rock', resolvi falar um pouco sobre o álbum 'Goats Head Soup' dos Rolling Stones.
Considerado muitas vezes, um trabalho menor da banda, penso que ele foi subestimado.
O problema é que este disco se encaixou em uma fase fantástica dos Stones. Espremido entre o pesado e exótico 'Exile on Main Street' (1972) e o clássico 'It's Only Rock'n'Roll' (1974), este trabalho foi avaliado na época como 'pra baixo' e confuso.

Os Stones após seu exílio no sul da França de 71/72, eram considerados uns párias. Ninguém os queria como hóspedes. Para fugir do fisco inglês, e se manter juntos, eles teriam que ser criativos.
A Suiça, um dos poucos países que concordou com a presença de Keith Richards, logo se tornaria um lugar maçante para o guitarrista, que ainda vivia uma fase, digamos, agitada em sua carreira.


A solução veio através da música. Naquele final de 1972, novos ritmos vinham sendo escutados atentamente com ouvidos de lince das campinas por Mick & Keef. O reggae, que começava a flexionar seus músculos, com os primeiros álbuns de Bob Marley, chamou a atenção da alta cúpula stoniana.
Assim, a Jamaica foi um lugar menos estranho do que se podia imaginar para o séquito dos Stones se instalar.
Na capital, Kingston, a banda descobriu um estúdio em condições e logo convidaram seus amigos Nicky Hopkins, Billy Preston, Ian Stewart, Bobby Keys, Jim Horn, e cia, para o início dos trabalhos.

Desde junho de 1969, Mick Taylor havia assumido o posto de segundo guitarrista da banda, em substituição, ao agora falecido Brian Jones. Com seu talento natural, Taylor modificou totalmente o enfoque das canções da dupla Jagger & Richards. Agora haveriam solos de guitarra. O disco 'Sticky Fingers' de 71, já havia dado uma bela amostra da competência de Taylor. Se em 'Exile...' Keith optou por um som mais pesado, e atirar em todas as direções, agora em 'Goats...', Taylor teria mais espaço para atuar.


O grande sucesso do álbum, que muita gente acha que só pintou em single, foi a canção 'Angie'.
Segundo a lenda, Mick Jagger e David Bowie, compuseram juntos esta música, na cama, inspirados por Angela Bowie! Verdade ou não, ela é certamente uma das melhores baladas dos Stones, com direito a um piano matador tocado por Nicky Hopkins (e não Mick Taylor, como alguns pregam), Taylor só a tocou em um clip, e ao vivo, quando Nicky não acompanhava os Stones.

'Dancing with Mr. D.' e principalmente 'Doo Doo Doo Doo Doo (Heartbreaker)', também se sobressaíam como aspirantes as paradas de sucesso, mas não eram nem de longe as melhores faixas do álbum.
Este posto é dividido por duas canções quase obscuras. 'Coming Down Again', uma das melhores criações de Richards, é sofrida e surpreendente, com seu vocal espectral. 'Winter', também com o piano de Nicky Hopkins, e a guitarra de Taylor babando, fez com que Mick Jagger elevasse o nível de seu trabalho vocal, e o arranjo de cordas da música, arrasou.


Não podemos esquecer também de '100 Years Ago', soando como um momento raro de coesão da banda,  e com um belo 'approach' de Billy Preston. A harmônica de Jagger se destaca em 'Silver Train', que traz o piano de Ian Stewart, e 'Hide Your Love' é descartável.

Talvez o que de melhor a banda produzia na época possa ser apreciado em 'Can You Hear the Music'. Esta canção sintetiza, como nenhuma outra, a fase dos longos e belos solos (de Taylor), e a quase 'jam session', que se iniciara em 71 com canções como 'Can't You Hear Me Knocking', e principalmente 'Moonlight Mile', e duraria até 74 com os petardos 'Fingerprint File' e 'Time Waits for No One'.
Esta última, aliás, foi um dos motivos da saída de Mick Taylor da banda. Taylor queria os créditos da canção, como compositor, - certamente por seus longos solos e improvisações - ao lado de Mick e Keef, mas não foi atendido.
Com a partida de Taylor, encerrava-se, talvez, a melhor fase da banda. Nunca mais os Stones ousariam tanto dentro de um estúdio de gravação.


Pra encerrar 'Goats Head Soup' - que fome -, o rock tradicional dos Stones se fez presente. Só que como sempre, de maneira provocante. A simples e eficiente 'Star Star', ficaria muito mais conhecida pelo jargão stoniano, 'star fucker', do que por qualquer outra coisa. Nem todos os álbuns de rock, tinham um final tão triunfante!
A produção do álbum ficou a cargo de Jimmy Miller, pela última vez. Sua associação com os Rolling Stones que começara no 'Beggar's Banquet' de 68, e passara pelos melhores momentos da banda, chegava ao final. Miller, foi mais um daqueles tantos que não segurou a barra das drogas. Afinal, junto com os Stones, isto não era coisa fácil mesmo de se conseguir.


A capa do disco também foi controversa. Ray Lawrence desenhou e o famoso David Bailey clicou, a pedido de Jagger, uma foto em que os Stones apareceriam com um tipo de 'máscara mortuária', como se já tivessem partido desta pra uma melhor!
Não, os Rolling Stones não estavam mortos! E se estamos falando deles hoje, no Dia do Rock, 39 anos após 'Goats Head Soup' e 50 anos depois do primeiro single da banda, é um sinal de, no mínimo, muito talento, persistência e criatividade. Ou não?




sábado, 7 de julho de 2012

Brian Jones no Marrocos!





Era uma vez o verão de 1968, quando revoltas estudantis varriam o planeta. A 'Primavera de Praga' também já deixara sua marca na mente dos ocidentais. Os Beatles já haviam revolucionado a música com 'Sgt. Pepper's', e preparavam o 'White Album'! Bob Dylan estava sumido! Elvis estava gordo, mas ainda não tanto!
Os Stones o que faziam? Eles preparavam com cuidado um álbum - que viria a se chamar 'Beggars Banquet' -  que poderia revitalizar a banda após o fiasco de 'Their Satanic Majesties Request'.
Naquele verão, Mick Jagger e Keith Richard, praticamente descartaram Brian Jones como um integrante vital do grupo.
A rusga era antiga. Brian, inicialmente havia sido o líder. Pouco a pouco ele foi perdendo espaço dentro da banda principalmente por não compor. Keith e Mick se uniram, compunham o que lhes vinha na cabeça e levavam as canções prontas ao restante da banda. Se Charlie Watts e Bill Wyman não se importavam, Brian foi acumulando ressentimento.



Em primeiro lugar, Brian queria os Stones como uma banda de blues. Os outros rapazes, apesar da evidente influência dos negros americanos, agora não se incomodavam em levar o som dos Stones em outras direções. Brian lutou contra isso, mas perdeu!
Além de ter perdido seu espaço no grupo, Jones também perdeu sua mulher.
Em 1967 durante uma viagem ao oriente, Brian teve uma crise de asma, que o levou a ser hospitalizado. Keith, estava lá, mas preferiu consolar Anita Pallenberg, mulher de Brian, à continuar a cuidar do amigo. Resultado: quando saiu do hospital, Brian já encontrou Anita vivendo com Keith!

Não que Brian Jones fosse algum tipo de 'santo', muito pelo contrário. Ele já havia passado por vários relacionamentos, antes dos Stones. Tinha 6 filhos, todos homens, todos ilegítimos e gerados por seis mulheres diferentes. Quando encontrou Anita, uma atriz italiana, jovem e sexy, que ninguém sabia de onde havia saído, Brian pirou por ela.



O problema era que Jones não era pirado só por ela. Suas pirações incluíam doses industriais de bebida, drogas de todos os tipos, para às quais ele tinha pouca resistência, e um apetite sexual incontrolável.
Quando a polícia anti-drogas resolveu implicar com os Stones, Jones foi o primeiro a ser preso. E o seria várias vezes. Isto foi a gota d'água! Brian nunca mais seria o mesmo.

Se você colocar na balança a perda de Anita, as prisões, e o caráter esnobe da dupla Jagger & Richards, talvez o fardo tenha sido pesado demais para Brian.
Seu nível de concentração nas gravações baixou a um nível alarmante. Antes um músico eclético e inovador, agora ele se contentava em tocar percussão, ou até mesmo a dormir ou 'viajar' no estúdio.

Quando ele resolveu tirar férias em julho de 68, o amigo Brion Gysin o levou ao Marrocos. 
Lá, Brian ouviu flautas e cornetas que datavam de 4 mil anos atrás. Ele ficou enfeitiçado! 
Na pequena aldeia de Jajouka, Jones fez questão de gravar os músicos locais.

Gysin conta que a aparição de Brian em Jajouka correspondeu a chegada de um ET! Os habitantes se reuniram em torno dele, e o tocavam como se ele fosse um ser de outro mundo. Devemos lembrar que Brian Jones possuía uma vasta cabeleira loura, e se vestia como um hippie de verdade. Longas túnicas, cetins bufantes e esvoaçantes, faziam parte de sua vestimenta normal. Para quem nunca tinha visto um ocidental 'normal', imaginem topar com Brian Jones?



Brian curtiu o lugar. Foi-lhe oferecido um banquete. A especialidade do local era fígado de cabra, assado na hora! Todos viram o animal se encaminhar para ser abatido. Um calafrio percorreu os presentes. Com sua franja branca caída sobre os olhos, a cabra se parecia muito com Brian!
Enquanto saboreava o fígado, Brian comentou com Brion Gysin: "é a mim que estão devorando"! 
Quem sabe uma premonição?
Após passar a noite em Jajouka, na manhã seguinte eles partiram para Tânger, onde no hotel, Jones passou o dia ouvindo as gravações, como se estivesse em transe.
De volta a Londres ele levou a música marroquina até Keith e Mick. A receptividade não foi a esperada.

Quando Brian morreu um ano depois, em 1969, Jagger finalmente resolveu fazer algo com as fitas do amigo. Ele negociou com gravadoras e elas viraram disco em 1971, levando a música de Jajouka a um reconhecimento universal.

Não é um som fácil!! Escutei pela primeira vez estas gravações em 1990, e deste então volto a elas regularmente, tentando uma melhor assimilação. Tem algo a ver com música indiana, mas me parece mais profunda. Flautas, cornetas, percussão, coral, tudo se mistura em uma energia que sugere um enlevamento, uma prece.



'Brian Jones Presents The Pipes of Pan at Jajouka', soa para mim, como o epitáfio de Brian Jones, já que ele não deixou canções de sua autoria, e não fez gravações solo.

No dia 03 de julho fez 43 anos que Lewis Brian Hopkin-Jones deixou este planeta.
Jim Morrison, que partiu exatamente 2 anos depois de Brian, lhe dedicou esta poesia quando soube de sua morte:

"Piscina de manteiga quente
    Onde fica Marrakesh
    Debaixo das cataratas
    a fúria da tempestade
onde os selvagens caíram
    ao fim da tarde
    monstros do ritmo

Deixaste o teu
    Nada
para rivalizar c/
    O silêncio

Espero que tenhas partido
    Sorrindo
Como uma criança
Em busca dos retalhos perdidos de um sonho..."






sexta-feira, 29 de junho de 2012

Kerouac por Barry Miles!







A primeira biografia que li sobre o 'rei' da geração beat, Jack Kerouac, foi a de Ann Charters nos anos 80. Lembro que Charters fez um minucioso trabalho de pesquisa da vida pregressa de Kerouac. Seu trabalho começou a ser feito ainda no final dos anos 60, tendo inclusive visitado a Kerouac nos seus últimos meses de vida.
Ainda lembrando desse trabalho fantástico, me deparo agora com a biografia de Jack por Barry Miles. O livro se chama 'Jack Kerouac - King of the Beats' (José Olympio, 2012), tradução de Roberto Muggiati (o que dá credibilidade), Cláudio Figueiredo e Beatriz Horta.


Miles é aquele mesmo cara que ajudou ao marchand - e namorado de Marianne Faithfull -, John Dunbar, a fundar a Indica Books & Gallery, em Londres,  nos anos 60. Ali, gente como Paul McCartney, John Lennon, Mick Jagger, passavam horas perscrutando livros raros e alternativos, e admirando a arte de vanguarda exposta no porão.
Miles também foi fundador - com a ajuda de McCartney - do jornal underground 'International Times', de vida curta, mas marcante na swinging London!


Barry Miles ainda faria parte do mundo dos Beatles, como diretor da Zapple, o selo alternativo da Apple, antes de se tornar escritor.
É dele a melhor biografia de Macca até agora. Apesar de ser escrita tendo como enfoque a década de 60, ninguém foi tão longe assim na vida de Paul, e mesmo com a ajuda deste, não podemos negar que 'Many Years From Now' foi um livro isento.
Além de Macca, Miles também já escreveu sobre os Beatles, William Burroughs, Allen Ginsberg e Frank Zappa.
Esta biografia de Kerouac não é recente. Foi publicada em 1998. Mesmo com todo este atraso, vale a pena termos a visão de um especialista dos sixties, como Barry Miles, sobre o fenômeno da beat generation.


Se o trabalho de Charters foi como uma enciclopédia sobre Kerouac, o de Miles parece muito mais como comentários sobre a obra e um retrato fiel da vida e da personalidade maluca - e ao mesmo tempo careta e reacionária - do velho Jack.


Em tempos de longa-metragem sobre a vida de Jack Kerouac, nada como uma boa leitura para voltarmos no tempo e descobrirmos novamente como o oeste - e o mundo - foram conquistados pelos beats.    






terça-feira, 19 de junho de 2012

The Byrds & Gram Parsons







Em 1968 a banda americana The Byrds estava diferente. Seus membros fundadores Gene Clark e David Crosby já haviam partido.
Roger McGuinn não estava disposto a entregar tão facilmente os pontos, e desistir da banda. Primeiro ele chamou Chris Hillman, um baixista, guitarrista e brilhante tocador de banjo do country puro, e este lhe indicou um rapaz da Florida chamado Gram Parsons.
Parson, aos 21 anos, já tinha uma bagagem country respeitável. Ele havia lançado um álbum chamado 'Safe at Home' junto a International Submarine Band, além de seu trabalho anterior com The Shilos, e era um respeitado músico de estúdio.
Na sua ida para o Byrds, pesou a amizade com Hillman, e principalmente o novo projeto da banda.




McGuinn tencionava mudar totalmente o enfoque dos Byrds. A psicodelia teria que ficar para trás. Ele queria um som mais forte, falando da música americana desde os primórdios do século XX. A intenção era trabalhar com rhythm & blues, apalachian music, bluegrass, country e o que mais pintasse de som nativo.
A presença de Parsons, no entanto, acabou sendo determinante para que o trabalho se direcionasse totalmente para a country-music.
O disco 'Sweetheart of the Rodeo', lançado em agosto de 1968, inicialmente não teve uma boa acolhida. Quase ninguém estava preparado para aquele tipo de música.  Atualmente, porém, é considerado um marco do country-rock.
Sim, Gram Parsons, conseguiu influenciar de tal forma McGuinn e sua turma, que se o álbum pudesse ter contado com os vocais de Parsons, como era o proposto, talvez até pudesse ser considerado um trabalho solo do caipira da Florida.
Na época, Gram estava preso a um contrato ainda do tempo da International Submarine Band, e seu nome teve que ser escamoteado dos trabalhos.
Ainda assim, sua composição 'Hickory Wind', dá o ar da graça no LP original com seu vocal inconfundível.
McGuinn faz um belo esforço com a canção 'You Ain't Going Nowhere' de Dylan, e Hillman aparece em grandes momentos como 'I am a Pilgrim' e 'Blue Canadian Rockies'. Ainda assim, Parsons se mostrou dominante e conseguiu contribuir com outra canção chamada 'One Hundred Years From Now', cantada pela dupla Hillman e McGuinn.  




Nos anos 90, finalmente vieram a tona em CD os trabalhos originais da época. Nesta edição digital, vários vocais de Parsons surgiram como bonus-tracks em takes de ensaio, que soam melhores que os lançados nos anos 60.
Ouça com atenção os diamantes brutos 'You're Still on My Mind', 'Life in Prison' e a mesma 'One Hundred Years From Now', agora na voz de Parsons. Soam diferente de tudo que você já ouviu em termos de country-music. Provavelmente veio daí o termo country-rock, que mais tarde ganharia o mundo com a banda Eagles, mas Gram Parsons foi o pioneiro!


Há poucos dias, ouvi o vinil original de 'Sweetheart of the Rodeo', com seu som balanceado e peculiar. Poucos álbuns do country podem se equiparar a esta obra-prima. O tempo passa, e ele parece cada vez melhor!


Nunca mais The Byrds repetiria esta fórmula, pois já no ano seguinte Parsons estava longe, lançando outro trabalho marcante e inovador com sua nova banda 'The Flying Burrito Brothers', chamado 'The Gilded Palace of  Sin', que também merece ser analisado mais profundamente.


Se você não conhece, ou não tem este trabalho, baixe, compre ou peça emprestado. Se você tem em casa o vinil ou o CD de 'Sweetheart...' ponha pra tocar esta noite, e erga um brinde a Gram Parsons e ao country!!!  


Cheers, man! Sound as ever!!!



segunda-feira, 18 de junho de 2012

Macca 70!!!



    


                                                       

 James Paul McCartney, nasceu em Liverpool, Inglaterra, no dia 18 de junho de 1942. O garoto  se interessou pela música desde cedo. Assim que soube que seu pai, havia liderado um grupo de jazz, a Jim Mac’s Band, Paul passou a ouvir atentamente os acordes do velho Jim ao piano. Seu primeiro presente foi um trompete, que ele espertamente trocou por um violão, por não poder cantar ao mesmo tempo.

Menino auto-didata, Paul começaria a praticar em casa, e sua vida logo se transformaria para sempre, quando em 1957 encontrou outro garoto que curtia o novo ritmo da moda, o rock’n’roll, cujo maior expoente era Elvis Presley! Aquele menino se chamava John Lennon. Os dois talentos se completaram. Estava formada a maior parceria da história da música!


Do início de seus ensaios, naquele distante ano de 1957, até 1962, data da primeira gravação dos Beatles - há exatos 50 anos -, os dois seriam acompanhados por vários aspirantes a músicos. Dois ficariam. O guitarrista George Harrison e logo depois, o baterista Ringo Starr.

O resto, como costuma se dizer, é história! E que história!!! Durante oito anos os Beatles, sacudiram o planeta, transformando não somente a música, como também os costumes.
Cabelos cresceram, maneiras de se vestir foram alteradas, bandas de rock viraram moda, tabus sexuais foram quebrados e a paz e o amor ganharam projeção mundial!
O sonho acabou em 1970, mas não para Paul!

Com o final da banda, Macca – seu apelido dos tempos de colégio – passeou pela carreira-solo e com seu grupo dos anos 70, o ‘Wings’ -, com enorme desenvoltura.
Temos que admitir que houve sempre um pouco de má vontade dos críticos contra McCartney. No tempo dos Beatles ele havia sido o último a experimentar as drogas, sendo por isto taxado como o careta da banda. Quando a banda se separou, a primeira coisa que Macca fez foi chamar sua esposa Linda, para participar de seu novo grupo, causando uma ojeriza generalizada na imprensa. Como poderia Paul McCartney misturar sua via pessoal com a música? Os discos experimentais de Lennon com Yoko gritando, foram devidamente esquecidos pela mídia especializada.


Paul superou tudo isto, e não abriu mão de sua companheira nas gravações. De fato, Linda acompanharia Paul também em sua vida profissional, durante o restante de sua vida.


É muito difícil comparar qualquer trabalho de um ex-Beatle com seu passado famoso. Entretanto, álbuns como ‘Band on the Run’, ‘Tug of War’ e ‘Chaos and Creation in the Backyard’, são sem dúvida alguma, testemunhas do inigualável talento criativo de McCartney.

 Além dos milhões de discos vendidos – de rock, de música clássica e eletrônica - e de ser considerado o artista mais bem sucedido de todos os tempos, pela publicação ‘Guiness’ em 1979, McCartney também atuou como poeta, pintor e escritor.

Em 1997, uma quase auto-biografia de Paul  é publicada, com o título de ‘Many Years From Now’. O autor, Barry Miles, baseou-se em lembranças de Macca dos anos 60, para fazer uma bela retrospectiva da época, e desmentir muitos mitos criados sobre os Beatles, como por exemplo o de que Lennon era o cara do som experimental - só foi ser quando conheceu Yoko - e McCartney era o 'certinho'!

Neste mesmo ano, Paul McCartney foi sagrado cavaleiro pela Rainha da Inglaterra, 32 anos depois de – segundo a lenda - fumar maconha no banheiro do Palácio de Buckinham, quando recebeu junto aos seus parceiros o título de ‘Membros do Império Britânico’, mas tempos difíceis o aguardavam.


A maior tragédia da vida de McCartney, sem dúvida , foi a morte de Linda em 1998. Sabemos também  que a morte súbita de sua mãe, quando ele tinha 14 anos, foi devastadora. A perda do parceiro John Lennon, assassinado em 1980, também o deixou terrivelmente chocado. Porém, perder sua companheira de 30 anos pesou demais para Macca. 
Foram três décadas em que o casal praticamente não se separou. Além dos filhos, - Mary, Stella e James – do compartilhar da música, e da fotografia, eles dividiram também o amor pelos animais e pelo vegetarianismo. Paul e Linda, envolveram seu nome em movimentos como Peta e o Greenpeace, buscando uma nova consciência para o planeta.
 McCartney iria segurar a barra sozinho?
Sim, amigos. Paul continuou sua luta pela ecologia e pelos direitos dos animais, mesmo após a partida de Linda, como uma forma de homenagear a eterna parceira.

A vida seguiu em frente, e em 2001 Macca estreou uma exposição de seus quadros na Alemanha, - ele sempre foi grande fã de René Magritte, e a ideia da maçã para logo da Apple veio através de uma pintura de Magritte - e logo depois o livro ‘The Paul McCartney Paintings’ era publicado. Como poeta, além de suas belíssimas letras, foi publicado também em 2001 o livro ‘Blackbird Singing’, contendo vários poemas inéditos.
Novos percalços aconteceram, entre eles a perda do ex-parceiro George Harrison para o câncer, e um casamento desastroso em 2002, com a ex-modelo Heather Mills, que terminou em divórcio seis anos depois. Nem tudo foi tristeza neste relacionamento. Paul foi pai novamente aos 60 anos de idade, com a chegada da pequena Beatrice Milly. 


Turnês também mantiveram Paul nos holofotes desde a década de 90. Após visitar o Brasil pela primeira vez em 1990, com um recorde de 184 mil pessoas no Maracanã, McCartney retornaria a nosso país em 1993, e mais recentemente em novembro de 2010, quando lotou o estádio Beira-Rio, em Porto Alegre.  
Ano passado, Sir Paul encontrou o amor novamente, e partiu para o terceiro casamento com a empresária Nancy Shevell. No início deste ano, seu álbum ‘Kisses on the Bottom’, em que ele interpreta antigas canções que ouvia em sua infância, é lançado com grande sucesso.
Sir Paul McCartney, parece ter gostado do Brasil. Em abril esteve aqui novamente, levando milhares de pessoas ao delírio em Florianópolis e Recife.

Talvez o mais ativo dos antigos superstars da música, ainda atuante, muitos perguntam quando Macca vai se aposentar. A resposta que ele costuma dar é “porque se aposentar?” A verdade é que ele faz o que sempre gostou, e parece gostar cada vez mais.
Bem, amigos, sucesso quase sempre é sinônimo de Macca! Convido então os leitores para que coloquem uma balada ou um rock beatle na vitrola, e façam uma viagem só de ida ao mundo da música de Paul McCartney! 

Nós merecemos!      


terça-feira, 12 de junho de 2012

Paul McCartney - O Meu 'Top 40'!





Inspirado por uma semana toda dedicada a Paul McCartney, resolvi escolher as minhas 40 canções favoritas de Sir James! Devo dizer que a tarefa se revelou árdua, e após noites e mais noites em claro cheguei a seguinte listagem:


1- Penny Lane- Paul não era muito de reminiscências, mas provavelmente influenciado por John (In my Life, Strawberry Fileds), fez uma reconstituição na sua cabeça de uma Liverpool mágica. O ritmo é contagiante.


2- Eleanor Rigby- Tudo bem, 'Yesterday' veio antes, mas Eleanor Rigby consolidou Paul - e os Beatles - como compositores 'sérios'.


3- Let It Be- Composta na fase turbulenta da separação, Paul a atribuiu a um sonho com sua mãe, que o confortava, dizendo que tudo daria certo. Piano de Paul, e guitarra de George são os destaques. 


4- Band on the Run- Uma das melhores canções da carreira-solo de Paul. Mudanças de ritmo, muita percussão, guitarras, e um belo arranjo a tornam especial. 


5- With a Little Help From My Friends- Composta para o vocal de Ringo, ela soa atual até hoje, com versões arrasadoras. A de Joe Cocker, por exemplo, é antológica..  


6- Oh! Darling- Paul treinava toda manhã ao chegar ao estúdio para que seu vocal soasse com a crueza necessária de quem tinha cantado o dia todo, e ele conseguiu.

7- Maybe I'm Amazed- Canção cultuada por muitos como uma das mais belas músicas românticas já escritas. O solo de guitarra, tocado por Paul, - que aliás tocou todos os instrumentos - é outro ponto alto.


8- Back in the USSR- Rock de primeira, e Paul tocando bateria, além de baixo e guitarra.


9- I Saw Her Standing There- Para primeira música do primeiro álbum dos Beatles, um grande rockinho, uma amostra do que estava por vir.


10- The Long and Winding Road- Outra da fase difícil da separação dos Beatles, mas mais uma peça criativa e instigante de Macca. Infelizmente, no álbum Let It Be, ela foi suavizada e acrescentada de coral por Phil Spector.


11- All My Loving- "A primeira das grandes..." segundo Lennon. A guitarra de George arrasa.


12- She's Leaving Home- Brian Wilson dos Beach Boys, a considerava uma das melhores canções já compostas. Um tema real sobre uma jovem abandonando a casa dos pais, que Paul leu nos jornais. Arranjo de Michael Leander.

13- Get Back- Inspirada em conflitos raciais com paquistaneses na Londres do final dos anos 60. Era anti-racista, apesar de muita gente não entender. John achava que Paul estava mandando Yoko 'voltar pro seu lugar...'


14- For No One- Junto com Eleanor Rigby e Yesterday, pode se considerar como uma trilogia erudita de Macca. Sua relação com Jane Asher estava azedando.

15- Paperback Writer- Produção inovadora, na esteira de 'Rubber Soul', e antecipando a revolução que viria com 'Revolver'. Paul toca baixo Rickenbacker, em vez do velho Hoffner. O som mudou!


16- Too Much Rain- O 'Chaos and Creation..' é pra mim, sem dúvida, o melhor trabalho solo de Paul. Esta canção ele conta que foi inspirada em 'Smile' de Charles Chaplin. Tão charmosa quanto, mas mais romântica.
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17- Junk- Esqueçam a simplicidade da gravação caseira e prestem atenção na melodia, e na letra triste. É Macca no seu melhor.


18- Mull of Kintyre- O single mais vendido no Reino Unido por quase uma década. Homenagem ao seu 'spa' na Escócia.


19- Yesterday- Esta é só a canção mais regravada de todos os tempos! Paul sonhou com a melodia, acordou e foi direto ao piano... Depois o cara não é gênio..... A letra inicial era: "Scrambled eggs, oh baby, how I love your legs..." hahaha.




20- Sgt Pepper's- Toda a ideia do álbum foi de Macca. Esta introdução, mudaria o curso da música pop.


21- Follow Me- Outra do 'Chaos...' Me parece uma canção visionária.


22- Ob-la-di Ob-la-da- Dos tempos da India em 68. Uma brincadeira, que a maioria das pessoas não entendeu - Lennon inclusive - mas que serviu para apresentar o reggae aos branquelos.


23- Live and Let Die- Tinha que ter pique para ser canção de James Bond, o 007! Ao vivo é imbatível!


24- When I'm 64- Canção vaudeville, e homenagem ao velho Jim McCartney!


25- Blackbird- Politizada, coisa rara em Paul. Os Black Panthers estavam no auge em 68. O violão rouba a cena.


26- She Came in Through the Bathroom Window- Se fosse concluída talvez fosse uma das melhores peças Beatles. Faltou algo, mas mesmo assim, a entrada de Paul após o medley de John é antológica. Joe Cocker, sabe o que é bom!


27- Letting Go- Outra pérola escondida nos álbuns de Paul. Esta é só para quem curte o charme romântico do baladeiro McCartney.


28- We Can Work It Out- Mostra o lado otimista de Macca em contraste com o pessimismo de John. Nada como resolver os problemas, não é?


29- I've Got a Feeling- Rockão, em que Macca descarrrega muito de sua adrenalina, no final dos Beatles. Impressionante como ainda saía música de qualidade, apesar de todos os problemas.


30- Mamunia- Acho essa uma clássica de Macca. Percussão, baixo marcado, simplicidade e ao mesmo tempo soa exótica! Gravada durante um toró na Nigéria.


31- Hope of Deliverance- O cara compõe fácil, grava fácil, e a coisa vira um sucesso! É simples. Ao menos parece!


32- Ebony and Ivory- Paul chamou Steve Wonder, para gravar este hino contra o racismo. Hoje tem gente que critica este esforço. Uma pena.


33- Birthday- Paul pensou: vamos nos reunir e cantar uma canção juntos... John, George,  Ringo e suas esposas e namoradas participaram e a festa rolou solta.
  
34- You Won't See Me- Típica da época das briguinhas com Jane Asher, sua namorada que estava mais interessada na carreira. Simples e direta.


35- The End- Só por ser a última canção já seria clássica, mas com seu verso final lembrando que o que aqui se faz, aqui se paga..... Não precisava mais nada depois disto!!!


36- Can't Buy Me Love- Paul adorou quando Ella Fitzgerald gravou esta. Ele deve ter pensado: "Bem, nós conseguimos"!!!


37- Things We Said Today- Ainda sobre seu relacionamento com Jane. Paul estava apaixonado por ela na época.


38- My Love- Canção de 73 para Linda. Sucesso em single, e um exemplo de que a banda Wings, não era ruim. O solo de guitarra de Henry McCullough é contundente.


39- Let'em In- Versatilidade ao extremo de Macca. Ele sabe tirar leite de pedra. Letra simples, convidando os mais chegados a visitá-lo, e instrumentação enxuta. Resultado: sucesso!


40- Coming Up- Mega-hit de 1980. Paul a compôs em 79, mas só a lançou em single, após a experiência desastrosa de sua prisão no Japão. Foi direto pro nº1!


   


Bonus:
41- Another Day- Pode se considerar esta canção como a Eleanor Rigby Pop. Tão densa e dramática quanto a canção de 66, porém mais digerível!


42- Helter Skelter- Rock da pesada feito pra competir com The Who! Hoje uma das favoritas nos shows ao vivo.


43- Rock Show- Outra abertura de shows. Em 1975, ela colocava peso no álbum 'Venus and Mars'.


44- Mrs. Vandebilt- Ritmo pulsante, que hoje em dia Paul recuperou para os shows ao vivo.


45- 1985- Se destaca pelo belo piano de Macca. Era uma canção em que ele tocava praticamente todos os instrumentos. Como se tornaria natural.


46- Getting Better- Otimista como sempre. Feita de encomenda para Pepper's, após Paul descobrir esta frase dita por um jamaicano amigo dos Beatles - que depois queria os royalties da música...


47- Magical Mystery Tour- Introdução para o filme de mesmo nome feito para a TV em 67. Vibrante e animada. Pena que ficou associada ao filme.


48- Yellow Submarine- O cara sabe fazer música para animar festas, sabe fazer rocks, baladas, vaudeville, reggae, country, blues... Porque não fazer uma direcionada as crianças?


49- This One- Balada de 1989. Uma das mais bonitas que já vi Paul tocar ao vivo.


50- Your Mother Should Know- Charmosa e bonita! Acho que é um resumo das composições de Macca!


Obs.: Como fui esquecer de 'Hey Jude'. Gravação histórica de 68 em que os Beatles conseguiram chegar ao nº 1 com uma canção de mais de 7 minutos de duração. Paul, neste caso lembra do pequeno Julian, filho de Lennon, que estava sofrendo com a separação dos pais.


Obs.II: 'Here Today', 'conversa' de Paul com John após a partida do parceiro também merece entrar na lista!
E assim, as 40 acabaram se tornando 52!!!