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quinta-feira, 29 de março de 2012

Joe Cocker - Coração e Alma!










Waters - Com o Muro ao Seus Pés







Quando os primeiros acordes de ‘In the Flesh’ soaram no Beira-Rio no dia 25 de março, domingo, eu ainda não tinha ideia do que esperar do show de Roger Waters.
Eu gostava do Pink Floyd, mas não muito, nunca fui fã de carteirinha. Como a maioria das pessoas, comecei a prestar atenção neles com o álbum ‘Dark Side of the Moon’ de 1972. Depois revi sua história desde os áureos tempos de Syd Barret e seus primeiros discos.


Quando Barrett pirou e foi obrigado a deixar a banda, Waters se encarregou de liderar os colegas Richard Wright, Nick Mason e o novo guitarrista David Gilmour em busca de um som diferente. E eles conseguiram. Após o famoso disco do ‘Prisma’, como ficou conhecido o ‘Dark Side...’, Roger Waters também foi decisivo no excelente álbum ‘Wish You Were Here’, fazendo um tributo a Barrett.


Chegamos então ao ‘The Wall’ álbum trabalhado por Waters em 1978. Ao se dirigir a plateia lotada do Beira-Rio, Roger comentou que em 1978 ele achava que ‘The Wall’ era sobre ele mesmo, mas que com o tempo viu que era sobre Jean Charles – o brasileiro assassinado por engano pela policia num metrô de Londres, a quem o show foi dedicado – e a muitas outras pessoas.
Do show em si, difícil falar. Se você não estava lá, perdeu um dos maiores espetáculos visuais de todos os tempos. Não apenas isso. O som estava perfeito, parecendo vir de todas as partes do estádio. Do avião abatido na primeira canção até o ‘javali voador’ quase no final, o muro se encarregou de destrinchar de maneira espetacular a ópera-rock de Waters!


Foi coisa de primeiro mundo. Não parecia ser apenas ‘efeitos especiais’, eu imaginei uma mega-tela de cinema, em que a banda ia sendo pouco a pouco engolida pelo muro.
‘Another Brick in the Wall’, claro, levou a multidão ao delírio. ‘Goodbye Blue Sky’ é linda, assim como ‘Hey You’. Gosto muito da ‘Comfortably Numb’, uma das poucas parcerias com Gilmour neste trabalho, mas não adianta escolher algumas músicas. O show tem uma unidade! Você tem que acompanhar tudo atentamente, e depois não adianta pedir bis, pois quando toca a última música do álbum, acaba o show.
O que ficou marcado para mim deste show e de Waters em particular, é seu extremo sentimento anti-bélico, - Waters perdeu seu pai na segunda guerra mundial -, sua luta contra as grandes companhias multi-nacionais, e sua notória descrença nos políticos em geral.

                                                                  Foto de Miguel de Macedo

O espetáculo em si, não vou esquecer tão cedo, mas Waters fez mais, ele transformou visual e som em mensagem, e isto é muito mais difícil de se fazer, mas também muito mais autêntico e prazeroso.
Saí de lá de alma lavada! 




segunda-feira, 26 de março de 2012

Waters, Roger!





Impossível descrever o espetáculo 'The Wall',  de Roger Waters, que assisti ontem à noite no Beira-Rio. Procurei não pesquisar nada no youtube antes do show, para não ter expectativas demais. Mas nada poderia me preparar para o que estava por vir!
Pra começar, Roger dedicou seu show a Jean Charles, - eletricista brasileiro morto em 2005 no metrô de Londres, ao ser confundido com um terrorista, - levando os presentes ao delírio e a emoção -, Waters se mostrou simpático e comunicativo, e aprendeu algumas palavras em português para se comunicar legal.


Eu diria que no mínimo o 'muro' roubou a cena! Sim, amigos, o muro era o próprio telão, e ali se desenvolveu a maior parte das ações desta ópera-rock.
Ainda estou em Porto Alegre para o show de Joe Cocker amanhã, então deixarei para me aprofundar mais sobre estes dois artistas quando voltar.




Só sei que fiquei orgulhoso de ter comparecido ao Waters, e também por meu filho Miguel poder ter apreciado algo que talvez ele nunca esqueça! A Sonia, minha esposa, comentou que foi o melhor show que ela já viu!
Eu confirmei uma suspeita antiga de que Roger Waters sempre foi a alma do Pink Floyd!
Sem mais, no momento!


P.S. Márcio, as camisetas fizeram sucesso!!!  



sexta-feira, 9 de março de 2012

George Martin - In Our Lives!



Uma pergunta que 'beatlemaníacos' em geral gostam de fazer, ou quem sabe de imaginar respostas para ela, é a seguinte: 'Quem foi o 5º Beatle?'
Não vou me abster de responder, até porque para mim a resposta é bem fácil. Nunca houve um quinto Beatle.
Sei que há votos para todos os que passaram pelo universo beatle, como o baterista da banda, que saiu pouco antes do sucesso estourar, chamado Pete Best! Não creio, que ele seria o 'quinto' pois ele foi substituído.
 Nessa mesma posição se encontra o amigo de Lennon e talentoso artista das telas (pintor) Stuart Sutcliffe, que deixou a banda em 1960 para seguir sua carreira e morar com sua noiva Astrid Kirchherr em Hamburgo, na Alemanha, e que dois anos depois morreria de hemorragia cerebral.
Ainda existem pretendentes a este posto do lado de fora dos holofotes. Muita gente acredita piamente que Brian Epstein, o empresário - na verdade ele era apenas gerente da loja de discos da família - que descobriu a banda num porão sujo de Liverpool, chamado 'The Cavern', seria este homem. 
Brian, de fato, merece uma menção especial, por acreditar na banda, e tentar de todas as formas possíveis que os rapazes chegassem ao reconhecimento mundial. Porém, Brian era excluído das gravações dos Beatles. Na única vez que se atreveu a dar uma opinião sobre um 'take', foi escorraçado por John, que lhe disse que "você é apenas o homem do dinheiro, o som é conosco."
Outros concorrentes muitas vezes citados, incluem o 'roadie', pau-pra-toda-obra, e antigo leão-de-chácara do Cavern, chamado Mal Evans. Um dos mais antigos amigos dos caras, o gigante Mal participou de tudo com eles, desde o início, mas sem dúvida seria um exagero rotulá-lo como integrante da banda.
Um participante da turma mais antigo que Mal, e ainda mais chegado era Neil Aspinall. Neil, era colega de escola de Pete Best, e começou como motorista do grupo. Com curso técnico de contador, quando a banda terminou, Neil continuou com sua profissão original, até ser chamado nos anos 90 para dirigir os negócios da recém reformulada 'Apple'. Aspinall cumpriu sua tarefa de maneira brilhante até recentemente, quando faleceu de câncer.




Eu disse que não existiu um quinto Beatle? A pergunta deveria ser: "Se tivesse existido um quinto Beatle, quem seria ele?"
Aí sim, me atrevo a responder que ele só poderia ser o seu eterno produtor George Martin!
Não tenho tempo nem espaço aqui para fazer uma devida homenagem a Martin, contando seu início de carreira e como ele se estabeleceu como produtor.
Deixo algumas curiosidades: Martin foi aluno de oboé de Margaret Asher, nos anos 50, mãe da futura namorada e noiva de McCartney, Jane Asher. Antes de começar a produzir os Beatles, George dirigia e produzia discos e atuações no rádio dos Goons - que incluíam Peter Sellers e Spíke Milligan - que os Beatles adoravam quando jovens.
Quando finalmente os rapazes conseguiram um contrato para gravar, o destino lhes apresentou George Martin!
Martin, era um perfeito cavalheiro inglês, e prestou atenção em todos os detalhes das personalidades dos membros da banda. Ele mais do que nunca queria conseguir um sucesso para sua gravadora Parlophone.
Porém, não a qualquer preço. Ele queria gente de talento. Em princípio desconfiado das composições originais de Lennon & McCartney, ele foi pouco a pouco sendo seduzido pelo material inovador dos rapazes. Eles em troca, foram adquirindo confiança para ousar mais.
Martin, isso é óbvio, ensinou todos os truques dos estúdios de gravação aos garotos. E eles aprenderam rápido.
Quando 'Revolver' surgiu em 1966, o jogo do rock e da música em geral,  já estava bem mais alto do que todos imaginariam alguns anos antes. Experimentações, instrumentos exóticos, ruídos do cotidiano, orquestras misturadas com sons de animais, tudo isso foi materializado pelos Beatles, e por Martin!
'Sgt. Pepper's' foi o auge das técnicas multi-funcionais dos Beatles, - particularmente de Paul, auxiliado por Martin, e pelo engenheiro de som Geoff Emerick.
Após a separação dos caras, George continuou sua carreira de produtor, com bandas como America, artistas do nível do guitarrista Jeff Beck, e do próprio McCartney para quem produziu 'Tug of War' e 'Pipes of Peace', entre outros trabalhos.
Martin também foi fundador da AIR, uma associação de produtores independentes da Grã-Bretanha. George havia deixado a EMI-Parlophone em 1966, mas continuara a produzir os rapazes de maneira freelance.
Ele chegou a construir um estúdio de gravação em Montserrat, nos anos 70, onde muita coisa de qualidade foi gravada, até ser destruído por um vendaval nos final dos anos 80.




Amigos, George Martin eu sei, é para muita gente uma pessoa quase desconhecida. Suas composições, que incluem um lado do disco 'Yellow Submarine', fizeram pouco para que ele recebesse os créditos que merecia, além de sua notória timidez, que sempre o atrapalhou.
Para quem quiser conhecer melhor seu trabalho, existem dois álbuns fantásticos: 'George Martin In My Life' de 1998, em que ele 'rege', amigos de sua longa carreira cantando canções dos Beatles. Estes amigos incluem Celine Dion, Jim Carrey, Phil Collins, Sean Connery e sim, 'As Meninas Cantoras de Petrópolis'. Pois é, nosso herói esteve por aqui nos anos 90, e em sua partida foi homenageado por esse coral, em pleno aeroporto. No disco elas cantam 'Ticket to Ride' de maneira emocionante.
O outro trabalho é uma copilação de toda sua vida de produtor, lançada pela EMI em 2001, com o título de 'Produced By George Martin - 50 Years in Recording'. Trata-se de uma 'box' sensacional com nada menos que 6 CDs, em uma embalagem de luxo e personalizada.
Para quem preferir ler - o ideal seria ouvir E ler - existem dois livros publicados pelo Mestre: 'All You Need is Ears' de 1979 (não publicado no Brasil), em que ele conta toda sua vida e seu trabalho na produção e 'Summer of Love - The Making of Sgt. Pepper' de 1994 (publicado no Brasil com o título de 'Paz, Amor e Sgt. Pepper' pela Relume & Dumará), contando as peripécias da gravação de um dos maiores álbuns de todos os tempos. Imperdível!!


Sir George Martin fez 86 anos este ano. Já faz alguns anos que ele vem sofrendo de uma surdez parcial, e agora encontra-se praticamente aposentado. Seu último trabalho foi o álbum 'Love' dos Beatles para o Cirque Du Soleil em parceria com seu filho Gilles Martin, que seguiu os passos do pai na produção.


A piada ficou por conta de Ringo Starr que quando soube que Martin tinha problemas de audição, disse: "George está surdo de um ouvido, ele agora só grava em Mono."


O reconhecimento veio por intermédio de seu amigo Paul McCartney:


'Day With George'


"You have had your white hair cut.
Your son resembles you closely.


Memories slip across
The even landscape.


Gauntlets of close-packed
Road cones,
Heading for the cool zone.


Hearing less, you still make
Plans to set the fiddle flying.
Voice colliding, notions stride
And stream bareback
Towards their home.


Let us eat our meal
Near sunlight
With white polystyrene
Apple juice,
Brown slices,
And small packets of
Butter wrapped in gold."      


Amém!


domingo, 4 de março de 2012

Norman & Geoff!



Uma parte quase sempre subestimada de uma gravação é a engenharia de som. Não se sabe porque, mas o nome do engenheiro, geralmente aparece pequenininho no canto de um disco, onde todo o destaque vai para os músicos e o produtor!
Sabemos que sem o engenheiro seria impossível gravar, ou se conseguíssemos, o som certamente ficaria uma porcaria.
Os Beatles, por exemplo, sempre tiveram profissionais gabaritados trabalhando com eles, e essa foi sem dúvida, um das causas que os ajudaram a chegar ao topo.
Poderia citar alguns nomes de peso, como Phil McDonald e Chris Thomas que trabalharam no 'White Album' e 'Abbey Road', porém os dois nomes principais da saga de engenharia de som dos Beatles, quase todo mundo sabe, são Norman Smith e Geoff Emerick.

Norman, apelidado por John Lennon de 'Normal' Norman, foi o primeiro engenheiro deles. Trabalhou em sintonia com o  produtor George Martin desde o 'Please Please Me' até o 'Rubber Soul' em 1965.
De um estilo agitado e nervoso - tinha também o apelido de 'Hurricane' - Norman atravessou períodos de instabilidade junto dos rapazes, apesar de seu talento inquestionável atrás de uma mesa de som.
Quando ele não suportou mais as excentricidades dos Beatles em 65, foi promovido a produtor pela EMI.


A partir de 1967 ele faz amizade com outros rapazes ingleses, que também influenciariam todo o planeta. A banda chamada de Pink Floyd, estourou naquele ano com o álbum 'The Piper at the Gates of Dawn', ainda na fase com  o vocalista Syd Barret, produzido por Smith. Depois ainda viriam o 'A Saucerful of Secrets' e 'Ummagumma', com sua produção. Ainda na fase dos álbuns conceituais e psicodélicos, Norman produziu a banda Pretty Things e o surpreendente disco 'S. F. Sorrow', um marco do seu tempo. A especialidade de Norman sempre foram as cordas. Ele não admitia um trabalho em que violinos e violoncelos não atuassem de maneira efetiva.

Finalmente, Smith resolveu trilhar seu próprio caminho como protagonista. Após oferecer a Lennon, em 1971, uma canção ecológica - muito a frente do seu tempo - que havia composto, chamada 'Don't Let It Die', ele mesmo decidiu gravá-la.
Com o nome artístico de Hurricane Smith, este single foi lançado e chegou ao nº 2 no Reino Unido, e em seguida se tornou sucesso mundial. Smith lançou um álbum em seguida, e depois de algum tempo se aposentou, indo cuidar de um haras nas proximidades de Londres. 
Norman Smith faleceu em 2008 aos 85 anos de idade. 
Pouco antes de morrer ele publicou um livro com o sugestivo título de "John Lennon Called Me 'Normal'".


A partir de 1965, Geoff Emerick assume a engenharia dos Beatles. Com um estilo bem mais calmo que seu antecessor, Emerick também gostava de ousar mais como engenheiro. Canções como 'Paperback Writer' e 'Rain' já tinham seu dedo nas gravações.
Seu auge pode ter sido nos álbuns 'Sgt. Pepper's' e 'Revolver' em que processos cada vez mais intrincados de gravação, faziam com que os responsáveis pelos Beatles atravessassem madrugadas tentando descobrir o melhor som, o melhor take ou o melhor 'loop'.
Geoff, ganharia um prêmio Grammy por seu trabalho em 'Pepper', e a partir daí se formaria uma forte amizade com Paul McCartney, que suportaria o final dos Beatles.
Emerick continuou fazendo sucesso na carreira-solo de McCartney, especialmente em canções como 'Live and Let Die' e nos álbuns 'Band on the Run' (Grammy de melhor engenharia) e 'Tug of War'.
Outros de seus maiores trabalhos se desenvolveram em bandas como America, Supertramp, Nazareth e com Elvis Costello.


Em 2006, Emerick publicou o livro 'Here, There and Everywhere - My Life Recording the Music of The Beatles', que considero um dos mais belos trabalhos sobre como se davam as gravações da banda, e muito esclarecedor sobre as personagens envolvidas neste processo.
 Geoff detalha com clareza, por exemplo, como se deu a famosa gravação dos solos de guitarra da canção 'The End', a última dos Beatles. Paul a compôs e deixou um espaço em branco no meio da música, com o intuito de depois acrescentar algo. George Harrison ouviu a música, e decidiu que o melhor era acrescentar guitarras. Lennon pediu para solar desta vez. Estava acontecendo um impasse, pois Paul também queria solar em sua própria canção. John, que era o guitarrista menos dotado dos três, teve a ideia de que todos contribuissem com o solo, e McCartney não só abraçou a ideia de John, como sugeriu que os três solos fossem gravados ao vivo.
Dessa maneira, Paul insistiu que tinha uma inspiração para o solo de abertura, e Lennon disse que queria o último solo, sobrando o 'riff' do meio para George! Tudo gravado ao vivo pelo mestre Geoff Emerick.
Geoff continua sua carreira como engenheiro e produtor aos 65 anos de idade.


quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Agenda Cheia para o 1º Semestre!





Senão vejamos: dia 25 de Março aporta no Gigante da Beira-Rio, o show do cara que desenvolveu e liderou o Pink Floyd por mais de duas décadas. O baixista, compositor e vocalista Roger Waters vem com tudo na sua turnê do eterno álbum 'The Wall', lançado em 1979!!
Tenho amigos que preferem a guitarra e a voz de David Gilmour, que não nego, teve grande importância no 'Pink', mas o compositor, o grande criador da banda sempre foi Waters, principalmente em seus melhores trabalhos como 'Dark Side of the Moon' e 'Wish You Were Here' até o evento em questão do 'The Wall'. Sua despedida da banda foi quase um trabalho solo: 'The Final Cut', contando sobre os horrores das guerras - principalmente da segunda guerra mundial -, quando Waters perdeu seu pai.



Roger Waters chegará em Porto Alegre após, pasmem, 9 shows somente em Buenos Aires!!! É, os hermanos estão na frente em muita coisa!!!
 Estarei no campo sagrado do Beira-Rio nas cadeiras cobertas pra ter uma ideia de todo o visual envolvido neste projeto grandioso!


Dois dias depois (dia 27, terça), - terei que permanecer em POA, até quarta-feira - dá as caras no 'Pepsi on Stage' uma das melhores e mais pungente vozes do rock: Joe Cocker!
Não poderia ficar para este show por motivos profissionais, mas sinto muito, vou ter que fazer uma exceção!
Cocker, para mim é um ídolo desde os 60. Ele era pra mim aquele cara meio maluco, que aparentemente aprontava um monte nos bastidores, e na hora 'H', lá estava ele, super-profissional, cantando como nunca.
Suas interpretações de canções dos Beatles, como 'Something', "She Came in Through the Bathroom Window' e 'With a Little Help from My Friends', são, com justiça, sempre tidas como das melhores covers dos rapazes de Liverpool.


Seus álbuns 'Heart & Soul' de 2004 e  'Hard Knocks' de 2010, são antológicos, cada um a sua maneira. No primeiro ele faz seu papel de crooner, em canções conhecidas, onde ele se apropria de cada uma com seu toque de mágico. 'What's going on', 'Maybe I'm amazed' e 'Don't Let Me Be Lonely' são versões de arrepiar. No segundo ele solta seu gogó, de agora 67 anos, em músicas cuidadosamente compostas à dedo para seu timbre rouco e whyskeado!  
Vou comparecer ao 'Pepsi on Stage' na pista, pra sentir o vocal de perto.


Em 24 de abril, a vez é do poeta Bob Dylan, como já comentei. Novamente no 'Pepsi on Stage', espero que o grande Bob esteja de bom humor. Gostaria claro, de versões pelo menos parecidas com as originais. Se isto for pedir demais, tuuuuudo bem! Ouviremos o que Mr. Dylan quiser nos proporcionar! Apenas o fato de estar lá, já será uma emoção enorme.


Meu sobrinho Gabriel, que sabe de cor quase tudo de Bob Dylan vai comigo. A noite vai ser inesquecível, podem apostar!
Vamos de pista também!


No dia 15 de maio, reservei um camarote, no teatro do Bourbon Country para assistir Buddy Guy! Sei que talvez seja o show menos esperado destes todos. Para mim tem uma grande chance de ser o melhor!
Buddy, é contemporâneo de blueseiros da pesada, como Howlin' Wolf  e Muddy Waters. Ele é ídolo de gente como Eric Clapton e Mick Jagger.



Aos 75 anos, parece mais ativo do que nunca. Sempre aparecendo em shows ao vivo, e lançando álbuns pontuais. Sim, meus amigos, não vou perder esta chance de ver esta lenda viva! Quero aprender um pouco mais sobre como os 'branquelos' foram conquistados pelo blues de raíz!

Vamos nos ver nestas paradas???





quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Caetanear!!!



Um amigo me perguntou esses dias se eu ainda gostava de música nacional. Respondi que sim, apesar de ficar muito tempo sem ouvir sons aqui da terra. Qual seria o meu artista preferido? A primeira figura que me veio na cabeça foi Caetano Veloso, claro!
Vou me referir aqui ao Caetano dos anos 60 e 70, quando o sucesso comercial não batia a sua porta. Gente como Chico Buarque e seus amigos baianos Gilberto Gil e Mutantes faziam muito mais alarde e vendiam mais discos que o Mano Caetano.
Cae surgiu pra mim em um Festival da Canção que nem lembro o ano direito, mas deve ter sido 1967. A canção era 'Alegria, Alegria'.
Seus versos iniciais diziam: "Caminhando contra o vento sem Lenço e Sem Documento, num sol de quase dezembro.... eu vou..."
Caetano devia ter ganho disparado, mas sabe como é, as cartas já estavam marcadas e acho que ganhou o Chico com 'A Banda'!!!
Porém, o Brasil descobriu um novo talento, um cara gente fina, educado, contestador e muito inteligente. Em 68 surge seu primeiro trabalho solo: 'Caetano Veloso', que além da 'Alegria, Alegria', que ficou conhecida tal qual a 'Lucy in the Sky with Diamonds' dos Beatles pelas iniciais LSD, continha outros belos exemplos da poesia do Cae como 'Tropicália', 'Clarice', e uma canção do Gil chamada 'Soy Loco Por Ti, América', que emplacou nas rádios.
O projeto de Caetano ao deixar a Bahia, e sua querida Santo Amaro, era construir uma carreira sólida no Rio de Janeiro, mas com o endurecimento do regime militar seus planos foram frustrados.
No verão de 1969 Caetano e Gil foram várias vezes detidos até que resolveram deixar o país (ou resolveram por eles) antes que algo de pior acontecesse.




Caetano se instalou em Londres, e seus primeiros meses na capital  inglesa foram de puro sofrimento por saudade de seu país natal. A música seria sua única aliada que o ajudaria a suportar viver tão longe de casa e dos amigos. Como para expor seus sentimentos de maneira mais contida ele começou a compor em inglês, e em 1971 seu trabalho também chamado de 'Caetano Veloso' é lançado. Sua primeira composição em inglês e a primeira do novo álbum é 'A Little More Blue' contando suas difíceis experiências no exílio. A segunda se tornaria com o tempo um hino de Cae: 'London, London'.
Seus versos exprimem toda a solidão do mano:
'I'm Wandering round and round nowhere to go 
I'm lonely in London London is lovely so....
I know no one here to say hello..."


Uma homenagem, que soa mais como um pedido de socorro a sua irmã aparece em 'Maria Bethânia':
"Maria Bethânia, please send me a letter
I wish to know things are getting better...."


A melhor porém, para mim é a sofrida 'If You Hold a Stone', em que o poeta mistura as duas línguas, o que a tornou ainda mais pesada:
"....eu não sou daqui
Eu não tenho amor
Eu sou da Bahia
De São Salvador
Eu não vim aqui
Para ser feliz
Cadê meu sol dourado
E cadê as coisas do meu país"


Difícil encontrarmos exemplo de uma poesia tão consistente e tão sincera! O álbum termina com uma versão também triste de 'Asa Branca' de Gonzagão.


Em 1972 de volta à terrinha Caetano parecia ressentido, com razão, e seus dois álbuns lançados naquele ano contam bem tudo isso. 'Araçá Azul', foi talvez o disco mais devolvido da época. Ninguém gostou das experiências vocais e instrumentais e ruídos do cotidiano do 'brother'. Havia pouca música ali. Alguns críticos o taxaram de 'cult', mas é preciso ter muito boa vontade para passear por este trabalho sem se irritar antes do fim!




Já no outro, o 'Transa', a coisa muda de figura. Ainda com canções em inglês na mala - o que só atrapalhava seu lado comercial - Caetano botou mais uma vez pra fora seu talento e sua espontaneidade. Nas faixas 'You Don't Know Me' e 'Nine Out of  Ten' novamente ele mistura o português e o inglês e o resultado é sempre surpreendente:
"The world is spinning round slowly
There's nothing you can show me
Nasci lá na Bahia
De mucamba com feitor
O meu pai dormia em cama
Minha mãe no pisador"


Caetano não alivia também em 'Triste Bahia' parceria com Gregório de Mattos, e muito menos em 'It's a Long Way':
"Wake up this morning
Singing an old, old Beatle song
...Os olhos da cobra verde
Hoje foi que arreparei
Se arreparasse há mais tempo
Não amava quem amei".


Talvez a melhor canção do álbum tenha sido uma cover composta por Monsuelo Menezes e Arnaldo Passos chamada 'Mora na Filosofia'.
".... Botei na balança
Você não pesou
Botei na peneira
Você não passou
Mora na filosofia
Pra que rimar
Amor e dor."


Ainda em 72, Cae se envolveu em projetos junto com Chico Buarque, inclusive em disco, além de shows ao vivo, e geralmente sendo perseguido pela censura.




Em 1975 ele lança outros dois discos juntos, deixando claro que preocupação com vendas não existiam na sua cabeça. 'Jóia' e 'Qualquer Coisa', são como irmãos gêmeos, porém existem algumas sutis diferenças que tornam o segundo mais atraente. Começa pela capa, onde ele faz um tributo ao 'Let It Be' dos Beatles, - sim, até o Mano Caetano adora eles, - e no conteúdo do álbum mais homenagens ao quarteto fantástico.
Versões de Caetano ao violão de 'Eleanor Rigby', 'For No One' e 'Lady Madonna', confirmam seu talento como instrumentista e seu inglês quase irrepreensível, sendo na minha opinião as melhores versões nacionais destas músicas.
O álbum não tinha só Beatles. 'Qualquer Coisa' (Pra lá de Marrakesh), a linda 'Da Maior Importância' ("Mas você não teve pique, e agora não sou eu quem vai lhe dizer que fique..."), 'Samba e Amor' (do Chico) e 'Madrugada e Amor' (de José Messias), traduzem de maneira certeira o momento ainda conturbado na vida do Mano.
Em 1976 Caetano deu um tempo na carreira-solo e juntou-se aos manos baianos Gal, Gil e Bethânia, no projeto 'Doces Bárbaros', que consistiria em shows por todo o Brasil, além de um álbum duplo gravado ao vivo, que se tornou histórico.




1977 chegou e este ano Caetano Veloso parecia revigorado. Um álbum alegre finalmente chegou com 'Bicho'!
Ele deve ter pensado: 'Vocês querem sucesso? Pois bem, lá vai..."
'Odara', 'Gente' ("Gente é pra brilhar, não pra morrer de fome.."), 'Um Índio', 'Tigresa' (Gal Costa estourou com ela, mas na voz do autor é muito superior) e 'O Leãozinho' nos mostram que Caetano pode ser competente e comercial ao mesmo tempo. Não existe canções fracas neste disco.


O último clássico de Caetano Veloso que me arrisco a citar aqui, é outro de seus discos que passaram quase desapercebidos: 'Muito (Dentro da Estrela Azulada)'.
Após o relativo sucesso de 'Bicho', todos esperavam uma continuidade na sequência de hits. A figura porém, nunca se impôs metas ou direções musicais. Assim, neste novo trabalho, surgem canções diferentes como 'Terra' - (participação brilhante de Sérgio Dias no sitar), um monólogo interessante sobre sua vida -, a  misteriosa 'Tempo de Estio', a quase gospel 'Muito Romântico', a poesia de Vinicius em 'Eu Sei que Vou te Amar' e sua contribuição para a mitificação de São Paulo em 'Sampa'!




Junto com 'Araçá Azul' este foi o disco menos vendido de Caetano, o que prova que o mundo é  mesmo injusto ou burro demais!
Nos anos 80, 'Velô', 'Uns', 'Outras Palavras' e outros trabalhos continuaram fazendo jus a fama de eterno camaleão de Caetano, mas fiquei com a impressão de que o melhor já tinha passado.
Estou sempre esperando ele me desmentir!
Enquanto isto vamos "Caetanear o que há de bom"!!