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sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Ravi Shankar & George Harrison - Collaborations



Ás vésperas de embarcar para assistir o show do Paul McCartney em Poa, tive uma grata surpresa! Chegou a box importada, edição numerada, de luxo das colaborações de George Harrison com Ravi Shankar.


A caixinha é quadrada, verde piscina, e tem um certificado de autenticidade numerado.
Acompanha um livreto, com muitas fotos inéditas da banda de Shankar e de George.
Os cds são 3: 'Chants of India' (1987), este eu já tinha, 'Ravi Shankar's Music Festival From India' (1976), e 'Shankar Family & Friends' (1974). 




O pacote também inclui um dvd, 'Live at the Royal Albert Hall', gravado em 1974, com imagens também inéditas de Ravi Shankar e seus músicos.
Confesso que me surpreendi com a qualidade do produto, mas não deveria, pois tudo que a 'Dark Horse Records' investe, vira coisa boa!!


Quanto à música, irmãos, bem, você tem de gostar de música indiana, claro!! Ahhhh, esqueci de dizer que veio junto uma sacolinha de papelão da Dark Horse, muito legal!!


quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Gram Parsons - O Anjo Atormentado!!

                                            
                                                                          
                                                                Desenho de Paulo Chagas



Este texto está presente no livro 'Alto & Bom Som'.
Gram Parsons nunca foi conhecido e muito menos reconhecido nos EUA, quem dirá por estas bandas. Quando travei contato com a música dele nos anos 90, senti algo como o próprio Keith Richards disse quando soube de sua morte: 'havia tanto talento, tanta promessa ali."
Parsons, anos depois passou a ser refêrencia a qualquer coisa ligada a música country ou country-rock. Ele participou das gravações de pelo menos dois grandes clássicos: 'Sweet Heart of the Rodeo' (1968) dos Byrds e 'The Gilded Palace of Sin' de sua banda 'The Flying Burrito Brothers!





Considerado por muitos o criador do estilo country-rock, Ingram Cecil Connor III, mais conhecido como Gram Parsons, nasceu em  5 de novembro de 1946, em Winter Haven, Florida.
Garoto de clase média-alta, desde pequeno ele se interessou por música country. Apesar de Gram levar o crédito de ser o primeiro astro de country-rock, graças a seu cabelo comprido e sua atitude de  rockeiro, ele, na verdade, se considerava apenas um músico country.
Parsons foi fundamental para o aparecimento de bandas como os famosos Eagles, no início dos anos 70, e sua influência continua inspirando grupos como The Jayhawks, Wilco e cantores como Elvis Costello e Ryan Adams até os dias atuais.
Após algumas gravações com The Shilos no início dos anos 60, Gram estreia pra valer em um disco com a International Submarine Band. A novidade caiu no gosto do público em 1967, com o lançamento do álbum Safe at Home”. O disco é recheado com algumas pequenas pérolas do country como Blue Eyes e Do You Know How It Feels to Be Lonesome? - canções que se encaixam perfeitamente no característico timbre caipira urbano e inigualável de Parsons.  
  

Seu estilo de cantar chamou a atenção de Roger McGuinn, dos Byrds, que o incorporou à banda em 1968, juntamente com Chris Hillman, velho amigo de Gram. O resultado foi o álbum “Sweetheart of the Rodeo”, marca do country-rock. Mas Gram foi impedido de ter seus vocais lançados, na época, devido a problemas contratuais. Felizmente, na década de 90, em sua edição em cd, ‘Sweetheart’ traz como bônus os vocais de Gram em One Hundred Years From Now, Hickory Wind, The Christian Life, Life in Prison e outras jóias raras.
Apesar do sucesso do álbum, sua relação com McGuinn sempre foi turbulenta. O ápice do desgaste ocorre quando Parsons se negou a viajar em turnê para a África do Sul, episódio que resultou na saída de Gram da banda. 
Em 1969, Parsons encontra o baixista Chris Ethridge. Juntos, eles resolvem fundar seu próprio grupo, The Flying Burrito Brothers. Para afinar a banda, juntam-se à dupla 'Sneak' Pete Kleinow, no slide, e Chris Hillman, que também deixara os Byrds, na guitarra.


Seu primeiro álbum, “The Gilded Palace of Sin”, traz aquelas que talvez tenham sido  as melhores composições de Gram, com a colaboração de Hillman e Ethridge. Ali estão ás clássicas, Christine's Tune(Devil in Disguise), Hot Burrito Nº1, Juanita, Sin City e a maravilhosa releitura do soul, Dark End of the Street, por Gram.
Nesta época, o cara estava fazendo amizade com o Stone Keith Richards, influenciando os ingleses tanto em álbuns - “Let It Bleed” e “Exile on Main Street” - como até na maneira de Keith tocar a guitarra. Em 1972, Gram passa um tempo na casa de Richards no sul da França onde ‘Exile’ estava sendo gravado.
Após alguns excessos - coisa normal na companhia de Keith - e cobranças de sua banda, Gram volta com um pequeno presente dos Stones, a música Wild Horses, que faria parte do álbum seguinte dos Burritos, entitulado “Burrito Deluxe”, onde também comparecem as geniais High Fashion Queen, Image of Me e Cody, Cody.  
Após 1970, Gram parece perder o interesse pela banda e, depois de várias discussões com Hillman, deixa o grupo. Ele resolve partir para uma carreira solo, onde procuraria desenvolver seu estilo, que ele definiu, como 'Cosmic American Music'. Convenhamos que a idéia é bem adequada, já que seria difícil rotulá-lo como apenas um músico country ou country-rock. Gram diria que para ele o 'Cosmic' significava universal...  
Em 1972 Gram conhece Emmylou Harris, que cantava em pequenos clubes em Washington D.C. A bela voz foi convidada para participar de seu primeiro álbum solo que se chamaria “GP”. Emmylou seria um complemento perfeito para o vocal de Gram, e eles brilham em canções como, She, Streets of Baltimore e The New Shoft Shoe.
Gram resolve recrutar Emmylou permanentemente e, com N.D.Smart II  na bateria e Kyle Tullis no baixo, cria o Gram Parsons and the Fallen Angels, banda com a qual excursionaria e gravaria seu disco seguinte em 1973, chamado “Grievous Angel”, com destaque para as composições Return of the Grievous Angel, Brass Buttons, In My Hour of Darkness e a regravação de Love Hurts
Em 1973, durante o funeral de Clarence White, antigo membro dos Byrds e amigo chegado, Gram comenta com parceiros e seu roadie, Phil Kaufman, que, quando morresse, não gostaria de ser enterrado, e sim que seu corpo fosse levado à Joshua Tree, no sul da Califórnia, onde queria ser cremado. Gram adorava esse deserto onde passava suas férias e buscava inspiração para suas músicas.  
Em férias, no dia 19 de setembro de 1973, Gram se hospeda no 'Joshua Tree Inn' com duas amigas. Após algum tempo, sofre uma parada cardíaca devido a uma overdose de drogas e álcool. Apesar de ser prontamente atendido, Gram morre, tragicamente, com apenas 26 anos.


Phil Kaufman cumpriu à risca o que Gram havia pedido e, quando seu corpo  já se encontrava no aeroporto pronto para ser trasladado para a Florida, Kaufman o 'roubou' e  levou de volta ao deserto, onde foi cremado!! 
A última homenagem a Gram  foi feito em 1999, quando foi lançado um álbum organizado por Emmylou Harris, onde as músicas de Parsons são interpretadas por gente como: Beck, Elvis Costello, The Pretenders, Cowboy Junkies e Sheryl Crow, além é claro da própria Emmylou que intitulou o disco de “Return of the Grievous Angel”.
Sem dúvida, um belo tributo para aquele menino rico da Florida, que um dia sonhou se tornar apenas um bom cantor de música country e acabou influenciando várias gerações.
Sound as ever, Gram! 
                                                                              

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Fotografando a Música!!


                                          
                                                        JIM MARSHALL


No início de 2010 foi publicado o livro ‘Match Prints’, parceria de um dos melhores fotógrafos do mundo da música de quem já tive notícia, Jim Marshall, e do jovem e talentoso Timothy White, também fotógrafo.

O livro, com mais de 300 fotos, apresenta o trabalho dos dois amigos, lado a lado. Podemos, por exemplo, ver uma foto dos anos 60 de Marshall em preto e branco e a seu lado uma de White dos anos 90, com o mesmo artista, ou então pessoas diferentes, como John Lennon, na época dos Beatles, e seu filho Julian, atualmente, clicados em poses parecidas.
Destaque também para a capa de ‘Match Prints’, onde aparecem o líder do The Doors, Jim Morrison e o ator Robert Mitchum, ambos com um cigarro entre os dentes.


Marshall, que faleceu em março de 2010, deixou uma lacuna muito grande entre os fotógrafos musicais. Ele pertenceu à uma estirpe rara que está se extinguindo, a do profissional com feeling para situações do dia a dia dos famosos.

 Nos anos 50, ele era um conhecido freqüentador dos círculos de jazz, quando sua lente sempre atenta registrou momentos inesquecíveis de músicos como Miles Davis, John Coltrane e Thelonious Monk.

Na década de 60, passou a clicar o mundo do rock, sendo o único profissional que foi convidado para os bastidores do último show dos Beatles, no Candlestick Park, em São Francisco, no ano de 1966, quando registrou fotos históricas.
No famoso show de Johnny Cash na prisão de Folsom, ele também esteve presente, sendo o autor da clássica foto em que Cash, aparece olhando para a câmera com o dedo médio em riste.
Ele fotografou também os Rolling Stones, Bob Dylan, The Who e muitos outros famosos. Esteve em Woodstock e Monterey. Calcula-se que tenha sido responsável por mais de 500 capas de discos.

Jim Marshall sempre repetia que, “Ser fotógrafo é mais do que uma profissão, é minha própria vida.”


                                                 ANNIE LEIBOVITZ

Este ano também tive contato com outro livro muito especial de uma das melhores fotógrafas do mundo.
Publicado em 2003, ‘American Music’ de Annie Leibovitz, retrata os personagens da cena americana do blues, jazz, country, rock, folk, gospel, punk, enfim todos os gêneros imagináveis.
Leibovitz é dona de um estilo muito peculiar.
 É difícil encontrar alguém que tenha conseguido fotografar tanta gente famosa, mas ao mesmo tempo ter tido a capacidade de fazê-las parecer pessoas ‘normais’.

Este livro, evita cenas de palco, sempre procurando penetrar na intimidade dos músicos retratados. Nos bastidores, na rua, em casa, na cama, é assim que Leibovitz prefere clicar seus personagens.

Desfilam nestas páginas, não apenas os super-astros, como Bob Dylan ou Miles Davis.
Annie gosta de trabalhar com músicos quase desconhecidos, ou conhecidos apenas regionalmente, além de ter procurado artistas praticamente aposentados, como o cantor country George Jones e também negros idosos tocadores de blues, fotografados na rua, em pequenas espeluncas ou numa cabana do Mississipi.

Há fotos belíssimas de Johnny Cash já em seus últimos anos, acompanhado da filha, Rosanne Cash e dos netos.
Da geração mais nova destacam-se as fotos de Ryan Adams, Steve Earle e Beck.

A capa de ‘American Music’ é de emocionar.
 A primeira vista é apenas um toca-discos com um LP  em cima de uma mesa velha de madeira.
A explicação para esta foto vamos encontrar dentro do livro. O aparelho de som pertencia a Elvis Presley, e a mesa estava no quarto do rei. O LP, uma gravação demo, era creditado a ‘The Stamps’, que era o grupo que fazia vocais de apoio para Elvis.
A data da foto é nada menos do que 16 de agosto de 1977. Provavelmente foi o último disco que Elvis Presley ouviu antes de morrer!


Annie Leibovitz, quando trabalhava para a revista Rolling Stone, foi a última fotógrafa a fazer um ensaio com John Lennon. Infelizmente não presente neste livro.
A publicação havia pedido a Leibovitz uma foto para a capa da edição de janeiro de 1981 com Lennon.
O ex-Beatle havia lançado seu álbum ‘Double Fantasy’ em outubro de 1980, e a Rolling Stone queria explorar seu retorno as gravações.
Annie foi ao Dakota registrar as imagens no dia 08 de dezembro, poucas horas antes do assassinato de Lennon.
Era para ter sido um close somente de John, mas como o Beatle fincou pé, e o álbum havia sido um esforço conjunto de Lennon e Yoko Ono, Leibovitz acabou sendo convencida a fazer uma sessão com o casal.
Nesse momento, todo o talento e a criatividade de Annie Leibovitz veio a tona, e após vários cliques do casal, ela pediu a Yoko que deitasse na sua cama e a John que tirasse a roupa e se debruçasse sobre sua mulher. 


Impressionante o sentimento de tristeza e abandono que essa foto transmite, potencializada claro, pelo que aconteceria poucas horas depois.
Obviamente, esta foi a foto escolhida para a capa da revista, e fez história.

Annie Leibovitz segue ativa, apesar de problemas financeiros estarem atrapalhando seu trabalho nos últimos anos.
                                                
                                                       
                                                       BOB GRUEN      


Também membro deste clube seleto de talentos, é o fotógrafo norte-americano Bob Gruen. Um dos mais carismáticos e acessíveis de sua geração, Gruen publicou há pouco tempo o livro ‘Rockers’, e inclusive esteve no Brasil para uma mostra de seu trabalho.

Com um estilo mais eclético de fotografar, Bob Gruen gosta de clicar o músico no seu habitat natural, o palco. Ele também prefere trabalhar com fotos em preto e branco, que realça o foco de sua lente.
Seus artistas favoritos são os da década de 70, quando Gruen vivenciou o movimento punk no seu auge. Seus ídolos incluem os Sex Pistols, o New York Dools, The Clash, Ramones e Debbie Harry.

Um de seus melhores amigos era John Lennon, que se deixou fotografar em seu apartamento no Dakota, logo após o nascimento de seu filho Sean em 1975.
 Bob fez um ensaio antológico com John, Yoko e Sean em seu quarto, mostrando toda a intimidade do casal.


Gruen também participou do ‘lost weekend’ do ex-Beatle, fotografando-o logo após a separação do casal em 1974, com uma camiseta estampada com o nome de ‘New York City’, que ficaria famosa.
Esta foto, aliás, é uma das capas do livro. Temos também Sid Vicious, como opção de plano B de capa, lambuzando-se com um cachorro quente coberto de mostarda.

Gruen também se fez presente no retorno de John a ativa, retratando-o nos seus últimos dias de gravações, em 1980, no estúdio Record Plant em Nova Iorque.


Quem também é imortalizado nessas páginas é o performer Alice Cooper, que, entre várias outras poses surreais, é fotografado junto a Salvador Dali, fazendo um holograma de seu cérebro. 


Bob Gruen não é apenas mais um fotógrafo de rock. Ele era parte do próprio espetáculo da música. Suas fotos são a prova disso.



                                                       DAVID BAILEY


Talvez o melhor exemplo de um fotógrafo que tinha como estilo de vida o que ele mesmo fotografava, seja o inglês David Bailey,
Participante ativo da cena roqueira e da ‘swinging London’ nos anos 60, o próprio Bailey parecia um astro do rock.
Sua lente era especializada em captar nuances dos artistas em cena e fora dela. Ele também tinha um faro especial para descobrir artistas iniciantes e que mais tarde fariam história no show bizz.

Na década de 90 foi publicado no Brasil o livro ‘Os Rolling Stones e Outros Heróis’, que nos deu uma pequeníssima amostra do trabalho de Bailey.
Como o próprio nome já diz, o destaque vai todo para os Rolling Stones, clicados em pleno anos 60, ainda com Brian Jones na banda.
Retratados à cores, em contraste com a maioria dos demais rockers, os Stones ganham uma aura de deuses na ótica de Bailey, que explora como ninguém a luz natural.


Nos anos 80, David infiltrou-se nos bastidores da filmagem do longa ‘Fome de Viver’, um belo filme de terror com as participações de Catherine Deneuve, Susan Sarandon e David Bowie.
Bailey fez um bonito ensaio em preto e branco com o trio, tentando demonstrar o quão parecidos eles poderiam ficar em frente a câmera. O resultado é surpreendente. Bowie, Deneuve e Sarandon, clicados com roupas claras e com uma luminosidade ofuscante, ficam parecendo siameses.
As personagens longilíneas de Pete Townshend, clicado encharcado de suor após um show do The Who, e de Bob Geldof, nos bastidores do Live AID, também emprestam uma característica toda particular ao trabalho de Bailey.


A capa, muito original, apresenta um Mick Jagger literalmente com uma faca entre os dentes, explorando todo o fascínio que sua imagem satânica apregoava.

 A melhor foto do livro, entretanto, é de outro de seus heróis favoritos, o também stone Brian Jones.
Brian, numa foto de página inteira, aparece deitado preguiçosamente na grama, próximo a piscina de sua mansão, nos arredores de Londres.
É assustador observarmos a expressão perdida nos olhos de Brian, mirando o infinito, como se ele não fizesse mais parte deste mundo. De fato, a foto foi tirada em meados de 1969, pouco antes de sua morte.   

David Bailey abraçou tanto a causa dos anos 60 e de sua adorada Londres, que o diretor de cinema Michelangelo Antonioni, se inspirou nele para seu personagem Thomas, do cult-movie ‘Blow Up’.
O filme mostrava como deveria ser seu trabalho naquela época, e nos dava uma pista de que, no caso de Bailey, o fotografado poderia ser eclipsado pelo fotógrafo.





                                             LINDA EASTMAN McCARTNEY


Esta fotógrafa nova-iorquina foi sem dúvida um dos maiores talentos naturais que o mundo da fotografia musical, e em especial do rock, já viu.
Linda foi também uma pessoa que experimentou todo o fascínio dos anos 60.

Filha de um advogado abastado de Nova Iorque, jovem ainda, Linda saiu de casa, indo morar em um pequeno apartamento.
Casou, teve uma filha, e logo se separou. Começou a trabalhar como free-lancer para revistas, para poder manter sua filha.

Quando do início da ‘invasão britânica’ em 65, fotografou os Rolling Stones, ainda emergentes. Também os ‘Kinks’ e ‘The Hollies’, não escaparam de suas lentes.
Ela participou dos primeiros shows do grupo ‘The Doors’, enquanto ainda não tinham explodido, em 1966. Sua intuição para o sucesso era inigualável. 
Fez amizade em 1967 com Jimi Hendrix, e clicou ele e sua banda para seu segundo álbum.
Neste mesmo ano desembarca em Londres e é recebida pelo empresário dos Beatles, Brian Epstein, que fica impressionado com seu catálogo de fotos.

Brian não apenas compra duas fotos de Linda como também a convida para a festa de lançamento do disco ‘Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band’ em seu apartamento.
Linda Eastman fotografa os Beatles na festa, e logo fica atraída por Paul McCartney a quem começaria a namorar em 1968.
Tendo acesso irrestrito à banda, Linda pode explorar seu talento para instantâneos simples, porém marcantes, nas sessões de gravação do ‘White Album’.

A partir de 1969 sua prioridade passou a ser sua vida com Paul, com quem casaria em março. Linda retrataria com perfeição a vida doméstica da família McCartney.  Ela também fez fotos de várias capas de álbuns para Paul e sua banda ‘Wings’.


Paul McCartney, comentou que uma de suas técnicas consistia em conversar com a pessoa a ser fotografada e à deixar totalmente à vontade, para só então dar início às sessões. Jim Morrison chegou a achar que sua alma seria exposta ao público, quando fosse clicado por Linda.

Seu livro ‘Sixties’, publicado pouco antes de sua morte em 1998, é um documento histórico impressionante dos anos 60!
Linda dividiu o livro em duas cenas, a americana e a britânica, tendo como epílogo os Beatles, e claro, Paul McCartney.

Nos anos 80 e 90, Linda passaria a dedicar sua vida ao vegetarianismo, a combater os maus tratos aos animais e a tentar salvar nosso planeta, e isto se refletiu em suas fotos, agora voltadas para a natureza.


O legado de Linda McCartney foi o da simplicidade como fotógrafa, seu talento para saber exatamente o quanto de iluminação ela iria precisar, era notório, sem precisar recorrer a testes de luz exaustivos.
Quem a conhecia sabia que seu olho nunca falhava!.




                                                                                            

Mais sobre a box 'John Lennon Signature'




Este feriado aproveitei para ouvir e curtir minha box do Lennon. Os oito cds que englobam toda a obra de Lennon em carreira-solo - excluindo seus lançamentos experimentais com Yoko ainda na década de 60 - estão magistralmente remasterizados.
Eu já havia adquirido todos eles remasterizados anteriormente, mas parece que agora a coisa funcionou de vez!
O álbum 'Milk and Honey' por exemplo, em que John estava trabalhando quando foi assassinado, nunca me soou bem. Porém neste novo estágio de remasterização o som ficou bem melhor, quase me fazendo esquecer que se trata afinal, de um disco inacabado!

Quero esclarecer também que esta box, é aquela mais completa, com os 8 cds da carreira dele, quais sejam: 'John Lennon/Plastic Ono Band' (1970), 'Imagine' (1971), 'Some Time in New York City' (1972), 'Mind Games' (1973), 'Walls and Bridges' (1974), 'Rock'n'Roll' (1975), 'Double Fantasy' (1980) e 'Milk and Honey' (1984), além de 2 cds bônus.
Os bônus nos apresentam 6 singles de Lennon: 'Power to the People', 'Happy Xmas', Instant Karma', Move Over Miss L.', 'Give Peace a Chance' e 'Cold Turkey'!
O outro são de outtakes de canções como 'Mother' e 'Beautiful Boy', além de algumas demos inéditas como 'One of the Boys' e 'India, India'.
A qualidade das bônus me surpreendeu.

Esta box não deve ser confundida com outra box de John, que ainda vai ser lançada aqui no Brasil, e se chama 'Gimme Some Truth'. Esta se compõe de 4 cds, alinhados por temas: políticos, pessoais, rocks, etc...   

O trabalho solo de Lennon, se formos analizar a partir de 1970, começou de maneira brilhante. Seu disco de estreia, com a Plastic Ono Band é nada menos do que um marco da história do rock, embora na época não tivesse sido compreendido.
As canções em estágio cru: baixo, bateria e guitarra, ( muito pouco piano), soam como um desabafo de John de todos seus problemas pessoais. Desde o abandono pelo pai e a perda da mãe ('Mother'), passando pelas decepções com gurus ( 'I Found Out') e com fãs e seguidores (Well, Well, Well') até desaguar naquela que seria um marco do final da década de 60, 'God', com seu clássico verso: 'the dream is over'!!
John e Yoko estavam fazendo a terapia do grito primal, com o psquiatra radical norte-americano Dr. Arthur Janov, para quem todos os problemas desenvolvidos pelas pessoas vem da infância, e a única maneira de se libertar deles seria 'gritando' e 'colocando tudo pra fora'!!
Se John conseguiu se libertar, não se sabe. Mas que ele fez um álbum antológico, não resta a menor dúvida!

'Imagine' foi sem dúvida o de maior sucesso. Não apenas pela faixa-título, um hino de Lennon à fraternidade entre os homens, mas também pelas concessões que ele fez à musica. Podemos agora sentir os arranjos suavizados com cordas, e isto apesar de alguns resquícios em estado bruto do álbum anterior como 'I Don't Want to Be a Soldier' e 'Gimme Some Truth'. Outro destaque foi o ataque a Paul McCartney na marcante 'How Do You Sleep?', em que John confronta o ex-parceiro por seu som soar 'muzak' aos seus ouvidos!

'Some Time in New York City', ouso dizer que melhorou com a remasterização, apesar de sem dúvida ser o trabalho mais fraco de Lennon. Ele resolveu desta vez dividir os temas politizados com Yoko, e a impressão que fica é de que, de fato, estamos lendo um 'jornal musicado', com todas as causas em que o ex-Beatle se envolvia.  
'Woman is the Nigger of the World', já anunciando um Lennon feminista, foi o destaque.

O disco seguinte 'Mind Games', não fez muito para melhorar a carreira de John no meu entendimento. Ele vinha passando por uma crise no seu relacionamento com Yoko, e logo depois das gravações foi morar com sua secretária May Pang em Los Angeles, deixando Yoko em Nova York. O 'final de semana perdido' de John ao menos o inspirou para uma retomada da sua carreira, pois ali ele prepararia a base de su álbum seguinte, 'Walls and Bridges'.

Este novo trabalho soou renovado! De canções românticas ('Bless You', 'Going Down on Love' e 'Nobody Loves You'), até rockões característicos de John ('What You Got', 'Surprise, Surprise' e 'Whatever Gets You Thru the Night') tenho a impressão que John se preparava para uma nova fase em sua vida. E, de fato, logo após ele retomaria seu relacionamento com Yoko e seria pai de Sean.

Em 1975, John decidiu que pararia por algum tempo. Ele terminou de trabalhar num álbum de covers de rocks antigos ( que havia sido começado em 73 com a ajuda de Phil Spector) e foi descansar e cuidar do filho que nasceria em outubro daquele ano.
'Rock'n'Roll', foi um trabalho que soa ter sido lançado apressadamente, com algumas falhas de produção. Lennon estava tendo problemas com um processo por plágio da canção 'You Can't Catch Me' de Chuck Berry, movido contra ele por Morris Levy, que afirmava que 'Come Together' era uma cópia. 
Lennon fez um acordo com Levy, sem o conhecimento da Capitol (EMI) e Levy, lançou o álbum de John pela sua companhia 'Roulette Records', antes que a Capitol se desse conta do negócio.
Quando a Capitol soube, lançou apressadamente o 'Rock'n'Roll', mas o estrago já estava feito.

Depois de 5 anos de ausência, John retornou com 'Double Fantasy', dividindo com Yoko ás músicas do álbum. Canções como 'Starting Over', 'Woman' e 'I'm Losing You', nos deixam uma bela pista de como Lennon iria soar dali em diante.
Infelizmente não houve tempo...

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

John Lennon - 70 anos.

                

       

Certamente um dos artistas mais influentes do século XX, John Lennon, além de toda sua trajetória antológica com os Beatles, teve também em sua carreira solo momentos de grande inspiração.
Quando os Beatles ainda estavam reunidos em 1968, o relacionamento de John e Cynthia Powell estava chegando ao final depois de 5 anos de casamento. Surge então na sua vida a figura da artista plástica japonesa Yoko Ono.
Yoko foi responsável por Lennon colocar em prática tudo o que lhe era negado enquanto parte dos Beatles. Sua ideias pacifistas e de liberdade agora encontravam eco em alguém que ele considerava uma grande artista e sua alma gêmea.

No seu primeiro encontro pra valer, eles passam a noite no estúdio caseiro de John em Weybridge, compondo música eletrônica. Essas gravações somadas aos vocais de Yoko, seriam lançadas naquele mesmo ano com o título de ‘Unfinished Music Nº1 - Two Virgins’. O disco ficaria mais conhecido pela foto da capa, em que o casal se apresentava completamente nu.
Enquanto 1969 chegava, John cada vez mais sentia necessidade de um afastamento dos Beatles. Yoko estava grávida e John aproveitou para gravar os batimentos cardíacos do bebê. Infelizmente a gravidez durou pouco e Yoko foi obrigada a fazer um aborto. As gravações de John foram utilizadas com um novo mix de gritos de Yoko e música experimental para o segundo álbum do casal, entitulado ‘Unfinished Music Nº 2 - Life With the Lions’.
Em março os dois viajam até Gibraltar onde se casam oficialmente. Sua lua de mel seria em hotéis pelo mundo afora em que celebrariam sua união e fariam campanhas pacifistas.  ‘Give Peace a Chance’, o primeiro hino à paz mundial de Lennon é composto nessa época.
Veio a seguir, mais um disco de música vanguardista e inacabada celebrando o casamento dos dois,  lançado com o título de ‘Wedding Album’.
No final de 1969 com os Beatles tendo encerrado suas últimas gravações, John e Yoko embarcam para o Canadá acompanhado de feras como Eric Clapton, Klaus Voormann e Alan White, onde participam de um festival de rock pela paz. O concerto tinha as presenças de vários ídolos de John, como Chuck Berry, Jerry Lee Lewis e Little Richard.
A participação de Lennon nesse festival ficaria eternizada no álbum ‘The Plastic Ono Band Live Peace in Toronto’ que traria clássicos do rock como ‘Blue Suede Shoes’ e ‘Dizzy Miss Lizzy’, além do lado 2 todo dedicado a performance de Yoko.

Pode-se considerar que a carreira-solo de John começou pra valer em 1970. Em fevereiro ele lançou seu primeiro single de sucesso, ‘Instant Karma’, gravado e lançado em menos de 1 mês, com as participações de Billy Preston (tecladista que tocou com os Beatles) e George Harrison.
Em meados do ano, John começou a preparar um álbum que se chamaria John Lennon/Plastic Ono Band. O grupo era conceitual, como o próprio Lennon explicou, e vários músicos passariam pelo conjunto.
O disco acabaria se tornando um marco do rock. Com canções totalmente voltadas para dentro de si, John, mais uma vez era inovador.
As canções ‘Mother’, ‘Well Well Well’ e ‘I Found Out’, são exemplos típicos da fase da terapia do grito primal que ele estava passando, além de anteciparem o movimento punk do final da década.
‘Working Class Hero’ e ‘God’, são nada menos do que clássicos instantâneos do rock que passaram no teste do tempo.
O trabalho, por seus temas politizados e introspectivos, parecia à frente de seu tempo e não foi um sucesso de vendas.
Para 1971 Lennon tinha outras ideias. Em Ascot, para onde havia se mudado com Yoko, ele começou a trabalhar no seu estúdio particular com o produtor norte-americano Phil Spector em um novo projeto.
Sempre um sonhador criativo e genial, John trouxe uma canção em que ele vinha pensando há tempos.
Talvez a música mais utópica já gravada – mas sem dúvida uma das mais belas – ‘Imagine’ se tornaria uma espécie de hino mundial da paz e da fraternidade entre os homens. John Lennon ficaria eternamente ligado a esta canção.
O álbum, que também se chamaria ‘Imagine’, trazia também outras clássicas músicas de John Lennon, desta vez suavizadas com cordas por Spector, como ‘Jealous Guy’, que é John em sua melhor forma como cantor e compositor, o marcante ataque a Paul McCartney em ‘How Do You Sleep?’, e resquícios de rock cru do disco anterior em ‘Gimme Some Truth’ e ‘I Don’t Want to Be a Soldier’.
Este seria o último disco de John Lennon gravado em solo britânico. Logo após seu lançamento em setembro de 71, John e Yoko fizeram as malas e partiram para Nova Iorque. Ele nunca mais colocaria seus pés na Inglaterra.

Nos EUA o John ativista e politizado veio à tona de vez. Ele participou de comícios, passeatas, e envolveu-se com ativistas políticos de esquerda, como Jerry Rubin e Abbie Hoffman.
Em plena era Nixon, ele lança o panfletário álbum, ‘Some Time in New York City’, em que tenta mostrar todas as causas em que o casal Lennon estava envolvido. A capa apresenta inclusive uma foto-montagem de Nixon e Mao Tse Tung dançando completamente nus.
A canção que ficou mais conhecida foi ‘Woman is the Nigger of the World’, deixando transparecer, ao menos para os holofotes da mídia, um Lennon mais consciente e menos machista.
A partir desta época, John começaria a sofrer uma perseguição implacável do governo norte-americano. Um senador descobriu uma antiga condenação sua na Inglaterra por porte de drogas e pediu a imediata deportação do ex-Beatle.
Em dossiês que muito mais tarde chegariam ao conhecimento da mídia, John era considerado um perigo para a sociedade americana.
A batalha duraria três anos e Lennon só a venceria em 1975 após o escândalo Watergate e a renúncia de Richard Nixon.

Enquanto isso, seu casamento com Yoko Ono atravessava um momento crítico.
Em 1973 ele parecia pouco inspirado quando gravou o álbum ‘Mind Games’.

Apesar de ser um álbum mais acessível que o anterior, o disco ressentia-se do fato do relacionamento dos dois estar passando por esse período conturbado. A canção-título foi praticamente a única exceção em um disco desanimado e previsível.
Quando o álbum foi lançado em novembro, o casal havia dado um tempo.
John partiu para Los Angeles, acompanhado de sua secretária May Pang, deixando Yoko tomando conta dos negócios e de seu apartamento no Dakota.
O tempo passado em L.A., seria lembrado por John como o ‘Lost Weekend’ (final de semana perdido), embora tenha durado vários meses.
Nesse período, Lennon passou a viver basicamente uma vida de solteiro. Seus parceiros de farra incluíam o baterista do grupo ‘The Who’, Keith Moon e o cantor Harry Nilsson. Não era raro John ter sua foto nos jornais sendo expulso de clubes com sinais visíveis de embriaguez.
Mesmo assim ele arranjou tempo para compor.
Após alguns meses ele retornou ao estúdio e desta vez com composições mais inspiradas. Agora ele demonstrava abertamente a falta que sentia de Yoko, em canções cheias de remorsos e arrependimentos.
O álbum ‘Walls and Bridges’, lançado em outubro de 1974, mostrava um John Lennon totalmente renovado.
Seu maior sucesso seria a delicada ‘#9 Dream’, uma clássica Lennon-song. Outro tiro certeiro nas paradas foi o rockinho “Whatever Gets You Thru the Night’ com a participação de Elton John dando uma canja no piano. ‘Bless You’ nos mostra John como um amante apaixonado e arrependido.

Sua amizade com Elton John lhe rendeu um convite para fazer uma apresentação especial num show do tecladista no Madison Square Garden em Nova Iorque. John não sabia, mas Yoko estava na plateia. Quando o show terminou ela o visitou nos bastidores. Começava ali a reconciliação dos dois.
Em 1975, John volta a morar com Yoko no Dakota e ela logo engravida de Sean, que nasce em outubro.
John, a partir desse momento, pretende dedicar-se somente a vida doméstica.

Para uma despedida da carreira em alto estilo, ele lança o álbum ‘Rock’n’Roll’, composto de covers de rocks antigos que o influenciaram nos anos 50.
O disco, lançado as pressas devido à pirataria, sofreu com problemas de produção, mas ‘Stand By Me’ era uma honesta despedida de John, que fez bonito nas paradas de sucesso.
A gravadora EMI, ciente da intenção de aposentadoria de Lennon, lança também em 1975, a coletânea ‘Shaved Fish’, que engloba a carreira do ex-Beatle a partir de 1969 com seus singles de maior relevância.

No ano de 1976 John cumpre a promessa e se retira do show business.
Ele passa os anos seguintes cuidando de seu filho Sean e aprendendo a cozinhar. Yoko se encarrega dos negócios do casal. A vida deles gira em torno do edifício Dakota, onde além de vários apartamentos, eles adquiriram um andar somente para escritórios em que Yoko recebia seus associados.
Lennon também fez uma longa viagem ao Japão em 1977, aproveitando para se familiarizar com o país do sol nascente.

Após mais de quatro anos de retiro, em meados de 1979, John começa a compor novamente. Desta vez sua intenção era falar sobre o tempo em que ficou em casa, cuidando dos afazeres domésticos, comentar sobre o crescimento do filho e reafirmar o amor por sua musa, Yoko Ono.   
Mesmo assim, Lennon não abre mão de dividir todo o disco com sua mulher. Mudando o enfoque de seu trabalho experimental e vanguardista, Yoko compôs músicas mais comerciais, que casaram muito bem com o rock e as baladas de John.

Em outubro de 1980 um single chega ás lojas com as músicas ‘(Just Like) Starting Over’/’Kiss, Kiss, Kiss’ para celebrar os 40 anos de John e os 5 de Sean, ambos nascidos no dia 09.
Finalmente em novembro é lançado o álbum ‘Double Fantasy’. Inicialmente recebido com reservas pelo público e crítica, o disco foi pouco a pouco avançando nas paradas de sucesso dos EUA.
John sentia-se muito a vontade em canções como ‘Watching the Wheels’, em que comenta que não havia nada de errado em se afastar da música, e no vigoroso rock ‘I’m Losing You’, que nos mostra um Lennon ciente de suas fraquezas e inseguranças.
Uma canção bem atípica foi ‘Beautiful Boy’, dedicada a seu filho Sean, uma bela  canção de ninar.  
‘Woman’ foi de longe a música mais executada do álbum. Nela, John agradece a Yoko por lhe ensinar o significado do sucesso, e a dedica à todas as mulheres do planeta.

Tudo acabou muito rápido. Menos de um mês depois do lançamento do álbum, John foi assassinado na porta de seu edifício em Nova Iorque quando voltava com Yoko de uma sessão de gravações do próximo single a ser lançado. A música tinha o título sinistro de ‘Walking on Thin Ice’ (Caminhando sobre Gelo Fino).

Sua obra ganharia vários relançamentos de seus discos nos anos seguintes, além de coletâneas, incluindo a caixa de bônus e extras ‘John Lennon Anthology’ e outra chmada ‘John Lennon Signature’, prevista ainda para este ano, com todos seus álbuns reunidos e remasterizados.

A morte de John Lennon em 8 de dezembro de 1980, sepultaria definitivamente qualquer esperança de uma possível reunião dos Beatles - e, mais do que isso, encerrava uma era da música popular contemporânea.           

  
                                           Publicado no Diário de Sta. Maria em 09 de Outubro de 2010.
    

John Lennon Signature

Acabei de receber a box 'LENNON' ou 'John Lennon Signature'.

Se alguém se lembrar, em 1998, a Yoko já tinha lançado uma box do John, chamada 'John Lennon Anthology'. O tamanho desta que recebi agora é o dobro da outra, para terem um ideia.


Ela contém os 8 álbuns de estúdio de Lennon, todos remasterizados: de 'John Lennon Plastic Ono Band' de 1970, até 'Milk and Honey' de 1984.
Também consta da caixa, dois cd bônus: um com os 6 singles, incluindo 'Power to the People', 'Instant Karma' e 'Give Peace a Chance'. O outro são Stutio Outtakes e Gravações caseiras, que incluem algumas inéditas como 'One of the Boys' e 'India, India'.

A embalagem é 'matadora'!! Os disquinhos lembram os do projeto 'Beatles Remasters' e a caixa contém ainda um livro de 60 páginas (tudo em tamanho pequeno), uma pintura de John, em comemoração aos seus 70 anos (dia 09/10), e mais um código para acesso exclusivo no site de John!


Claro, que já estou careca de ouvir estes álbuns, mas vamos ver se a qualidade ficou ainda melhor. Segundo Yoko, agora pode se ter a verdadeira noção de como John soava no estúdio!!

Ouviremos pois, de joelhos, irmãos!!

Alto & Bom Som - Ruídos, Chiados e Pinceladas Musicais

                                                                                  Capa de Paulo Chagas                                                                                 


Para quem não sabe, este é meu primeiro livro! Ele foi publicado em dezembro de 2009!! O lançamento foi no Botequim 'São Francisco'!!
Para que esse 'sonho' de escrever um livro se tornasse realidade tenho que agradecer a várias pessoas, entre elas minha amiga Débora Dumphreys, que colaborou com muitas dicas, conselhos e correções, além de seu entusiasmo pelo projeto, que acabou me contaminando!
A meu amigo Márcio Grings, que logo após tomar conhecimento desse projeto, sugeriu a editora 'Barco a Vapor' e tornou-se um crítico sempre atento dos textos, e pra minha alegria, concordou em escrever a 'orelha' do book, sendo também co-autor de dois textos do livro.
Ao Paulo Chagas, que com seu talento nato, ajudou a transformar, o que seria de outra forma um trabalho simples e burocrático, num livro com design diferente, caprichado e com ilustrações que deram vida ao projeto.
A Carolina Carvalho, que também com sua leitura atenta e sugestões oportunas, me deixaram tranquilo quanto ao resultado final dessa empreitada.


Agradeço também ao Rogério Ferrer Koff, pelo prefácio muito legal que ele escreveu, e pelas leituras e sugestões, além de também ter sido co-autor de dois textos.

                                                               
                                                                 O LIVRO

A maioria dos textos foi escrita pensando em publicações em jornais, por isso na maior parte das vezes, não pude me alongar muito.
Escrevi sobre meus heróis, ou seja, músicos que algum dia em alguma época da minha vida foram importantes, de Robert Johnson até Beatles!
Quando eu tinha 15 anos, eu procurava desesperadamente ler alguma coisa sobre eles, e nunca encontrava! Hoje isto tornou-se bem mais fácil, com a internet, e a publicação em português de várias edições de livros importados.
Escrevi principalmente pensando nos jovens, que poderiam ainda se interessar ( e se interessam) por uma leitura simples e direta sobre aquilo que eles ouviram tanto seus pais falarem: um disco dos Beatles, um solo de guitarra do Eric Clapton, ou um negro considerado o inventor do Blues!

Mais da metade do livro é dedicado aos Beatles, com resenhas de seus principais álbuns, juntos e em carreira solo, além de comentários sobre a falta que nos faz hoje em dia as presenças de John Lennon e George Harrison.
Os Beatles, tenho certeza, é um fenômeno que nunca vai terminar. Cada vez mais jovens se interessam pelo assunto. Teremos a oportunidade de comprovar isto agora, com a vinda de Paul McCartney ao Brasil. Penso que fãs de todas as gerações lotarão os estádios para vê-lo em POA ou Sampa..

                                                                                   Foto de Malu Guerra
                                                                                    
                             
Para quem se interessar pelo livro, ele está a venda na Cesma e Livraria da Mente aqui em SM. Em POA, pode-se consegui-lo na Palavraria.
Em Sampa ele pode ser adquirido na Livraria Moonshadows: www.moonshadows.com.br

Aos poucos vou postando aqui alguns dos textos presentes no 'Alto & Bom Som.'