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sábado, 4 de junho de 2011

O Clássico de Clapton - '461 Ocean Boulevard'



Conheci pra valer a música de Eric Clapton com o álbum 'No Reason to Cry' de 1976, gravado no estúdio Shangri-la do 'The Band'! 
Fiquei de cara impressionado com aquele guitarrista que tinha um toque tão pessoal, que você saberia imediatamente quando era ele que estava solando.
Porém, eu não tinha visto nada, ainda!


Em um tempo que era muito difícil se conseguir os álbuns antigos de um artista aqui no Brasil, eu parti para as gravações de fitas, que você poderia fazer se tivesse algum amigo disposto a lhe emprestar um LP.
Foi assim que consegui recuperar o tempo perdido, e ouvir em uma fitinha, provavelmente BASF, em um carro qualquer, o disco '461 Ocean Boulevard'!
A sensação que tive, foi a de levar um soco no estômago! O cara estava tocando muito, a banda era afiadíssima, e os ritmos variavam do rock, até as baladas e do blues ao reggae.
Vim a saber depois que Clapton estava retornando à ativa, após um período negro em sua vida. De 1970 até 73, ele havia se afastado das gravações e dos palcos. 


Ele vivia enfurnado em sua casa de campo, Hurtwood Edge, após ter se apaixonado por Pattie, mulher de seu amigo George Harrison, e ser rejeitado.
Apesar da companhia de sua namorada Alice Ormsby-Gore, Eric não segurou a barra. Ele passou a usar heroína regularmente, e não se ouvia mais falar dele. Amigos que tentavam visitá-lo, encontravam as portas fechadas. Seu futuro na música, e como pessoa, passou a ser incerto.
Quem conseguiu algum sucesso em tirá-lo da rotina, foi outro amigo de longa data, Pete Townshend. O líder do 'The Who', organizou para Clapton um concerto de retorno no Rainbow Theater em Londres, em que vários amigos músicos se fizeram presente para dar uma força ao 'slowhand'.


Reanimado com a acolhida calorosa do público, e decidido a mudar sua vida, Clapton enfrentou tratamentos alternativos para tentar deixar as drogas. Ele conseguiu o objetivo, com uma terapia a base de acupuntura. 
Ao mesmo tempo, sua amada Pattie, deixava o marido Harrison, e corria para os seus braços.

Com sua vida entrando nessa nova fase, Clapton viajou para os EUA, onde reuniu alguns músicos, escolhidos a dedo, e procurou a ajuda do experiente produtor Tom Dowd, em seu estúdio Criteria, em Miami.
Eric, hospedou-se em uma casa à beira-mar. Seu endereço? Era este: '461 Ocean Boulevard'!!

Para acompanhá-lo, Eric escolheu o velho amigo Carl Radle para o baixo, ex-integrante de sua banda 'Derek and the Dominos', que lançara o antológico 'Layla and Other Assorted Love Songs' em 1970.
George Terry, jovem guitarrista americano, foi uma bela surpresa, para ajudar Clapton em seus solos. Jamie Oldaker na bateria e Dick Sims nos teclados eram um belo complemento para o grupo.
A maior surpresa, porém, foi a chegada de uma voz feminina na música de Clapton. Ela se chamava Yvonne Elliman, uma havaiana, com uma das vozes mais bonitas que se tinha notícia na época.
Yvonne tinha feito parte do projeto 'Jesus Christ Superstar' em 72, interpretando Maria Madalena, e quando a ouviu, Clapton imediatamente a contratou.


O som de Eric Clapton estava mudando. Do estilo pesado e vigoroso do Cream e do Dominos, ele agora partia para uma sonoridade mais melódica, explorando novos ritmos. 

'Let it Grow', talvez uma de suas melhores composições, foi a que me chamou a atenção na época, juntamente com seu dobro e vocal em 'Please Be With Me', do grupo country 'Cowboy'.
A que explodiu nas paradas foi a versão reggae de 'I Shot the Sheriff' de Bob Marley, ajudando a tornar o jamaicano - e o reggae - conhecidos no mundo inteiro.
Não poderia faltar, claro, um blues, e um blues de seu maior ídolo, Robert Johnson, e ele apareceu na forma de 'Steady Rollin' Man'.
Outro destaque é 'I Can't Hold Out' de Elmore James, com Eric dando um banho na guitarra. Pra encerrar o álbum ele volta para o dobro em 'Give Me Strength'. Emocionante!


Pois bem, amigos, Clapton voltou em ótima forma em '461 Ocean Boulevard', e a partir deste momento sua carreira-solo não sofreria mais interrupções.
Muitos álbuns inesquecíveis o 'deus' da guitarra gravaria nas décadas seguintes, mas fiquei com a impressão, que este ano de 1974, marcou um momento mágico de sua carreira. Ele nunca mais foi repetido!

Lembrando que estou aquecendo as turbinas para outubro!! Eric Clapton em Porto Alegre!!! 
See you soon!! Bye, bye!!



5 comentários:

Debbie disse...

Muito bom, Dado!!

Alice disse...

Enfurnar-se em casa é comigo mesma... a diferença principal é que não uso heroína e não faço música... hehehehe

Baita texto.

Eduardo Lenz de Macedo disse...

Valeu, meninas!!! hahahaha, boa essa, Alice!

Exílio disse...

Curti o texto, super informativo, faz jus ao álbum!

Eduardo Lenz de Macedo disse...

Valeu, amigo!