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quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

'Would You Love Me For My Money' ?


Assim cantava Nick Drake em 'Northern Sky', certamente uma das melhores canções já compostas em lingua inglesa!
Volta e meia eu estou ouvindo um dos três discos oficiais que Nick deixou.
Ainda não consigo entender como ele não fez o sucesso que merecia. Suas músicas ainda são super atuais, não envelheceram nada. 
Seu trabalho sofre influência de música clássica, jazz e muito folk, além disso há várias canções instrumentais que dão um toque refinado aos álbuns, e mesmo assim Nick Drake nunca emplacou.
Admito que sua música não é para qualquer ouvido, e que também ela não me deixa mais feliz! 
Mas que é linda, isso é!!!


Os álbuns 'Five Leaves Left', Bryter Layter' e 'Pink Moon' tem lugar de destaque na minha coleção de cds de cabeceira! 
'Northern Sky', 'Poor Boy', 'Time Has Told Me', 'Fly' e 'Way to Blue' tem que estar entre as 100 melhores canções de todos os tempos ou.......... Nunca entendi nada de música!!
Nick Drake ainda é o cara!!

O texto abaixo foi o último a entrar no 'Alto & Bom Som'.

Poor Boy

 Nicholas Rodney Drake, conhecido como Nick Drake, foi um dos grandes cantores  folk ingleses esquecidos dos anos 60/70 e hoje é considerado uma estrela cult.


Nick nasceu em Rangum, antiga Birmânia em 19 de Junho de 1948. Filho de família abastada, ele aprende a tocar piano ainda jovem, por influência de sua mãe, Molly que era pianista e violoncelista.
Na adolescência Nick passa algum tempo na França onde começa a compor e a dedilhar o violão. O cara volta para a Inglaterra em 1967, e estuda Literatura em Cambridge.
Drake começa a desenvolver seu talento nesta época, se apresentando para os amigos e colegas, já com composições suas.


Apesar de todo o seu charme, Nick era extremamente tímido, ficando horas e horas estudando violão no mais completo isolamento. Seu maior prazer era sair dirigindo pela estrada, sem hora para voltar, perdendo-se no caminho e só parando quando faltava combustível.
No ano de 1968 ele conhece os membros do grupo folk, Fairport Convention que reconhecendo seu talento o recomendam ao produtor Joe Boyd, da então emergente Island Records.


Em 1969 ele grava, com grande expectativa, seu primeiro álbum, “Five Leaves Left”,  lembrando pelos arranjos a música clássica que Nick tanto apreciava. Drake consegue transportar para as gravações todo o seu talento vocal e como instrumentista.
 Neste seu trabalho de estreia, Drake traz ao mundo canções do naipe de Time Has Told Me, Way to Blue, Cello Song e The Thoughts of Mary Jane, temas considerados imprescindíveis para a compreensão de sua obra. Apesar de críticas favoráveis, inacreditavelmente o disco não aconteceu. Talvez poucos estivessem preparados para o som e a poesia do artista britânico.
Ele sente-se mais deslocado ainda com a pouca receptividade, mas resolve continuar investindo na música e abandona os estudos.


“Bryter Layter”, lançado em 1970, tenta ser mais jovial que o anterior, mas suas letras soturnas não mentem. Nick desenvolve os primeiros sintomas de depressão, e piora com a fraca aceitação desse álbum, em que ele tanto investira.
 Considero este, seu trabalho mais acessível, com belos toques jazzísticos, e são dele ás delicadas, Hazey Jane II, One of these Things First, Fly, Northern Sky e Poor Boy, na qual em seus versos Nick canta, “Oh poor boy, so sorry for himself” (pobre garoto, sentindo tanta pena de si mesmo) , uma composição totalmente autobiográfica, e que nos dá uma pista de como andava suas emoções


Nick detestava se apresentar para grandes plateias, e isso só piorava o lado comercial de seus discos, num tempo onde não existia outro tipo de promoção. Por outro lado, ele era muito sensível e necessitava de aceitação – consta que ligava para pessoas desconhecidas perguntando se tinham ouvido falar de um disco de Nick Drake – e os fracassos de venda de seus dois álbuns o deprimiram ainda mais.


Com seus problemas emocionais cada vez mais evidentes, ele tenta um último esforço e grava o difuso e desequilibrado “Pink Moon”, apenas ele e o violão, um disco gravado em apenas duas noites com o estúdio vazio. Mesmo sem conseguir transmitir o mesmo impacto dos álbuns anteriores, Drake ainda surpreende com as canções Which Will e Things Behind The Sun, além da canção título.


 Quando acaba a gravação, Nick retira-se do estúdio, simplesmente deixando as fitas em cima da mesa da secretária! O disco vendeu ainda menos que os anteriores e levou Nick a um estado psicológico alarmante.


 Em 1973, a família o levou a um psiquiatra que lhe receitou um antidepressivo, e recomendou que ele ficasse internado em uma clínica por algum tempo. Quando se sentiu melhor, Nick resolveu botar o pé na estrada. Ele passou a visitar amigos na França, costumando chegar sem avisar, e depois partindo da mesma maneira.


Nick tornou-se cada vez mais melancólico e introspectivo. Dificilmente trocava palavras com alguém, e quando o fazia era de forma indistinta e confusa. Quando pôde se fazer entender, declarou a sua mãe: “eu falhei em tudo que tentei fazer.”

Nick tentou ainda voltar a gravar em 1974, mas desistiu no meio do processo, tendo deixado várias demos que mais tarde foram e ainda estão sendo lançadas em coletâneas.
Na noite de 24 de Novembro de 1974, sofrendo de insônia, Nick toma algumas pílulas de antidepressivo e ao som de um concerto de Bach tenta achar afinal um pouco de paz.  
Ele foi encontrado sem vida por sua mãe na manhã seguinte, recostado em sua cama com seus discos espalhados pelo chão do quarto.
 Foi diagnosticada uma overdose do antidepressivo, provavelmente acidental, mas o juiz optou pelo veredicto de suicídio, o que é muito contestado até hoje.


Aos 26 anos chegava ao fim a trajetória do inglês tímido e inadaptado, que com suas belas canções uma vez pensou que poderia ser aceito e amado.
Três décadas depois, sua canção Pink Moon é utilizada num comercial de TV mundial da Volkswagen, gerando uma redescoberta de todo o seu trabalho.
 Sua obra segue sempre atual, suas músicas já foram trilhas sonoras de vários filmes e seus três álbuns oficiais estão sempre sendo citados entre os melhores discos de todos os tempos. Todo o reconhecimento que Nick procurava e necessitava em sua vida, ironicamente, ele só receberia após sua morte.
Uma pena Nick Drake não ter conhecido melhor a si mesmo!

"I never felt magic crazy as this..." - Nick Drake ( 1948 - 1974 )

6 comentários:

Debbie disse...

Lindo, lindo, Dado!!
Também nunca entendi porque esse cara não foi valorizado na época - tanto talento, delicadeza, sensibilidade, percepção, poesia, tristeza e ao mesmo tempo vida, numa pessoa tão jovem ainda!
Não sei se consola, mas, "antes tarde do que nunca" (senão, a gente não teria tido o privilégio de conhecer esse trabalho maravilhoso!!)!
"I never felt magic crazy as this" (too!)

Eduardo Lenz de Macedo disse...

Yeah, Debbie!!
Esqueci de dizer que tem um documentário sobre ele, muito legal, com depoimento de amigos, músicos e de sua irmã chamado 'A Skin too few'!! Está disponível no youtube!

Alice disse...

Acabei de ouvir a sugerida: Northern Sky, me deu vontade de pegar a estrada também...

Eduardo Lenz de Macedo disse...

'Nunca senti tanta magia, nem conheci luas que decifrassem o oceano...'

Debbie disse...

Definitivamente, foi uma 'semana Nick Drake'! Começou com um comercial de uma instituição que ajuda crianças com câncer e, para minha surpresa, a música ao fundo era a 'Pink Moon'. No dia seguinte, esta bela homenagem aqui no blog. E, fechando a semana, vejo um filme com o De Niro, o "Fora de Controle", onde a 'Poor Boy' faz parte da soundtrack!! Mais um filme, além do 'A Casa do Lago', que tem a 'Time has Told Me'!!!

Eduardo Lenz de Macedo disse...

Legal, Debbie. 'A Casa do Lago' tem tb a 'It Never Happened Before' do Paul McCartney.