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quarta-feira, 31 de outubro de 2012
The Song Remains the Same!
Talvez 'o som não continue o mesmo', mas aquele Gigantinho lotado certamente pensou que sim! Robert Plant, com todo seu carisma e sua voz ainda 'quase a mesma', subiu ao palco ás 21.40 hrs, e durante todo o show levou ao delírio a galera presente ao ginásio.
Como todos já sabiam, não era mais um show de puro rock. Pintou muitos ritmos diferentes. African Music, psicodelismo, e, claro, o som do Led Zeppelin, mesmo transformado para ainda caber no gogó de Mr. Plant!
'Whole Lotta Love' (seguida da cover de "Who Do You Love'), 'Friends', 'Black Dog' e 'Going to California' são exemplos clássicos de que o vocalista da maior banda de hard-rock ainda reverencia seu passado! E não poderia ser diferente. Havia fãs de todas as idades presentes no Gigantinho, e que sem dúvida sairíam decepcionados se não pintasse o som do Led. Pro meu gosto a melhor sacada foi o blues de 'Spoonful', de Willie Dixon, tratado de maneira certeira e eficaz pela banda. Tudo bem, o lado mais leve e acústico prevaleceu. Plant privilegiou o álbum 'Led Zeppelin 3', pegando mais leve, e de sua carreira-solo talvez as melhores tenham ficado de fora, mas Plant também vive o momento!
Senti falta da "Big Log', imaginei uma cover de 'If I Were a Carpenter', e alguns mais saudosistas queriam ouvir 'Stairway to Heaven', mas aí já seria demais.
No final do show, um tradutor amigo de Plant, informou que um amigo dele estava completando 60 anos em novembro, e pediu para que todos entoassem o 'Happy Birthday' em português, enquanto Plant era filmado por outro amigo. A galera participou legal, e Robert Plant emendou o final do espetáculo com a clássica 'Rock and Roll'.
Penso que seria impossível exigir mais deste senhor de 64 anos! O que ficará na minha memória foi que assisti a um show eclético, com a banda ao mesmo tempo sendo competente e ousada. Após 1.30 hrs de show saí do ginásio com os agudos de Robert Plant ainda ecoando na cabeça!
sexta-feira, 26 de outubro de 2012
A História de Astrid e Stuart!
Talvez a parte menos conhecida da saga dos Beatles - sua passagem por Hamburgo e a saída de Stuart Sutcliffe da banda - ganhou as páginas de uma graphic novel, escrita pelo alemão Arne Bellstorf.
Eu já havia comentado dois posts abaixo um pouco sobre as turnês dos Beatles em Hamburgo. Mas se você quiser saber toda a histórinha de amor que rolou entre Astrid Kirchherr e Stu, você tem que levar prá casa o livro de HQ 'Baby's in Black' (8Inverso, 2012)!
A apresentação do livro - são 200 e poucas páginas - é muito legal. Você pode até escolher a cor da arte da capa. Amarela, azul ou vermelha? Fiquei com a vermelha, por motivos óbvios!
Os desenhos de Arne remetem ao clima soturno e pesado da Reeperbahn dos anos 60, e, sim, às fotografias da época de Astrid Kirchherr. A HQ é toda desenhada em preto & branco, com um traço bem simples, o que ás vezes confunde o leitor, porque Klaus Voormann, o ex-namorado de Astrid, fica parecido com Stu (sem óculos).
O que salta aos olhos, porém, são os diálogos, que cumprem com eficiência seu papel de mostrar o que rolava na Hamburgo de 60/62.
Fiquei orgulhoso ao saber que meu amigo, o santamariense, Márcio Grings, fez o posfácio deste trabalho! Como ele escreve, em uma de suas sacadas, sempre inteligentes, "Há rock nesta HQ".
Você parece sentir todo o clima do Kaiserkeller, do Indra.... Não se espante se você ficar um pouco surdo com o barulho da música e com os gritos dos alemães, lembre-se que você está lendo (ouvindo) também sobre os Beatles em sua encarnação mais roqueira e barulhenta! Os punks seriam piada perto deles em 1961!
A tradução é de Augusto Paim - que já havia trabalhado em uma graphic novel alemã sobre Johnny Cash - e de Cássio Pantaleoni.
Acho que ficou faltando - propositadamente - uma nota sobre o autor, Arne Bellstorf, para acompanharmos melhor seu trabalho.
Estávamos carentes de um trabalho desse nível, que fizesse justiça aos primeiros anos dos caras, mas mais ainda, este livro fica como uma homenagem a personagens importantes e desconhecidos do grande público, como Astrid, Klaus Voormann, Stu e Jurgen Vollmer, que ajudaram a fazer a história da melhor banda que o mundo já ouviu!
segunda-feira, 22 de outubro de 2012
Cartas de John Lennon!
Quem disse que cartas estão fora de moda? Ao menos neste caso não estão não!
Hunter Davies, jornalista e escritor inglês autor da única biografia autorizada dos Beatles, passou 10 anos de sua vida pesquisando sobre a correspondência de Lennon, e chegou a um resultado mais do que satisfatório!
'The John Lennon Letters' ('As Cartas de John Lennon', Planeta, 2012) está pintando por aqui.
Davies fez este belo trabalho de pesquisa junto a amigos, conhecidos, parentes e pessoas totalmente desconhecidas, que tiveram a honra de receber uma carta, um cartão postal, um rascunho, ou até um bilhete de John. Inclua-se nisto até uma lavanderia! Dificilmente John escrevia algo, sem colocar um desenho anexo, o que torna as cartas por si só, um objeto de arte lennoniana!
John Lennon, é notório, sempre foi o mais letrado dos Beatles. Tinha a gostosa mania de escrever e desenhar bastante. Seus livros 'In His Own Write' (1964) e 'A Spanniard in the Works' (1965), (ambos publicados num volume único pela Editora Brasiliense aqui no Brasil, com o título de 'Um Atrapalho no Trabalho' nos anos 80, com a transcriação única do poeta Paulo Leminsky), deram uma mostra do talento de John nas letras. Talento esse que era inspirado em Lewis Caroll, Tennyson e Browning, entre outros poetas e escritores favoritos de Lennon. Esses dois livros são best-sellers até os dias de hoje, e a nova geração costuma estudar as letras (e as músicas dos Beatles) nas universidades americanas.
As cartas são divididas por fase. Desde a primeira, quando John tinha 10 anos, e mandou um agradecimento por um presente de Natal a sua tia, passando por dedicatórias, cartas para seu pai Freddie, da estada na India, em 68, das disputas judiciais pela Apple e suas brigas com Paul, seus anos politizados nos EUA, até um último autógrafo escrito num pedaço de folha, na tarde de 8 de dezembro de 1980.
Enfim, mais um 'produto beatle' de primeira! Enjoy!!!
quarta-feira, 10 de outubro de 2012
Um Beatle No Paraíso!
Pintando aqui no Brasil o relançamento em DVD do filme 'The Magic Chirstian' (Um Beatle No Paraíso).
Este filme dirigido pelo escocês Joseph McGrath, na realidade não tem nada a ver com os Beatles. Tem claro a participação de Ringo Starr (Youngman), que desenvolvia cada vez mais seu gosto pela telona.
Além disso, a trilha sonora do longa contém a canção 'Come and Get It' de Paul McCartney, interpretada pela banda inglesa contratada da Apple, a Badfinger!
Macca soube que o filme estava sendo rodado em 1969, e fez a demo desta canção em menos de 01 hora, sózinho no estúdio. Depois levou a canção para a Badfinger que se dispos a gravá-la mudando-a e adaptando-a ao seu estilo. McCartney não concordou, eles poderiam gravá-la, mas sem mudar um acorde sequer. E assim foi feito, e a canção se tornou o primeiro grande sucesso da banda!
A versão demo de Paul (não parece demo) pode ser apreciada no 'Anthology 3' dos Beatles.
Quanto ao filme em si, apesar da atuação sempre hilariante de Peter Sellers, parece que ficou faltando algo. Sellers interpreta um multi-milionário que 'adota' Ringo, e sai pelo mundo demonstrando o poder do dinheiro. Pessoas de todas as classes e atividades são subornadas descaradamente.
Talvez um filme bem apropriado para nosso atual momento político!
A comédia tem participações especias de Raquel Welch (linda), Roman Polanski, Chistopher Lee e Yul Brynner (este irreconhecível).
Enfim, um belo programa pra um dia chuvoso e com uma pipoca do lado!
segunda-feira, 1 de outubro de 2012
Os Beatles em Hamburgo!*
Há 50 anos os Beatles começavam a conquista do planeta. Ainda sem que o mundo soubesse, os primeiros passos para uma revolução na música e nos costumes se iniciava em Hamburgo, na Alemanha.
No início dos anos 60, a vida não estava fácil para os aspirantes a músicos profissionais chamados John Lennon, Paul McCartney e George Harrison. Depois de muitas idas e vindas, seu grupo de rock’n’roll reduzira-se apenas aos três. A banda que havia sido fundada por John nos anos 50, com o nome de ‘Quarrymen’, e que depois passaria a se chamar ‘The Beatles’, ainda não se tornara conhecida em sua cidade natal. Paul, George e John eram guitarristas. Eles tinham dificuldades para conseguir um baixista e, principalmente, um baterista fixo para a banda. Finalmente eles descobrem Pete Best que, apesar de tímido, tinha um belo kit de bateria. Ficava faltando solucionar o problema do baixista, e John teve uma ideia.
Ele tinha um colega no Liverpool Art College, chamado Stuart Sutcliffe, que além de brilhante desenhista, também curtia um bom rock’n’roll. Neste momento, Stu participou de sua primeira exposição coletiva e teve seu quadro vendido. Com uma razoável quantia em dinheiro no bolso, e sem saber o que fazer com ela, Stu foi estimulado por Lennon a comprar um contrabaixo elétrico e entrar para a banda. John achava que, com o tempo, Sutcliffe aprenderia a tocar.
Stu
Os Beatles estavam completos
Surge neste momento uma oportunidade nova para a banda. Eles foram contratados por Bruno Koschmider, um alemão dono de clubes noturnos para tocar em Hamburgo, na Alemanha. O grupo partiu entusiasmado, mas Koschmider os instalou nos fundos de um cinema estilo decadente, em um quarto sujo e úmido, onde dividam beliches entre si, e o banheiro do cinema, com os espectadores. O clube onde eles se apresentariam chamava-se Indra e não passava de uma boate degradante de strip-tease. Eles mal cabiam no palco que estava caindo aos pedaços. Tudo isso no bairro mais barra-pesada de Hamburgo, o St. Pauli, e na rua dos cabarés e prostíbulos da cidade, chamada de Reeperbahn.
Os Beatles estavam completos
Surge neste momento uma oportunidade nova para a banda. Eles foram contratados por Bruno Koschmider, um alemão dono de clubes noturnos para tocar em Hamburgo, na Alemanha. O grupo partiu entusiasmado, mas Koschmider os instalou nos fundos de um cinema estilo decadente, em um quarto sujo e úmido, onde dividam beliches entre si, e o banheiro do cinema, com os espectadores. O clube onde eles se apresentariam chamava-se Indra e não passava de uma boate degradante de strip-tease. Eles mal cabiam no palco que estava caindo aos pedaços. Tudo isso no bairro mais barra-pesada de Hamburgo, o St. Pauli, e na rua dos cabarés e prostíbulos da cidade, chamada de Reeperbahn.
Mesmo assim, os rapazes não se intimidaram. Seus shows começaram a ficar famosos na área. Antecipando o movimento punk em pelo menos uma década e meia, os Beatles pegavam pesado no palco. Todos bebiam, fumavam e comiam enquanto tocavam. John sentia-se livre para extravasar seu lado rockeiro. Durante os shows, ele provocava o público alemão, e o show continuava, entre garrafas voando e brigas homéricas na plateia. O repertório era todo anos 50, e os rockões iam de Elvis a Chuck Berry, de Carl Perkins até Jerry Lee Lewis, passando por baladas românticas cantadas por Paul. Os Beatles começaram a atrair mais a atenção dos clientes da Reeperbahn. Com isso, tiveram sua chance de tocar no Kaiserkeller, um local mais adequado e menos violento que o Indra. Infelizmente, a polícia descobriu que George era menor de idade, e ele foi mandado de volta para casa, junto com Paul e Pete Best, que foram acusados de vandalismo.
O amor e a tragédia de Stu
Em 1961, os rapazes voltariam. Desta vez, tocariam também no Top Ten, e no Star Club, os dois melhores clubes daquela parte da cidade. Eles se tornaram a grande atração local.
Certa noite, após sair da casa da namorada, Klaus Voorman, estudante de arte, que pertencia ao grupo dos ‘exis’ ou existencialistas, a turma mais ‘cool’ e intelectual, ouviu uma música que vinha de um clube próximo. O som era diferente de tudo que Klaus já ouvira antes, e ele resolveu entrar. Voorman ficou hipnotizado com o que viu e ouviu! Na noite seguinte, Klaus trouxe sua namorada, a fotógrafa Astrid Kirchherr, que sentiu o mesmo impacto ao ouvir os Beatles. Logo eles se tornaram amigos dos caras.
Astrid e Gibson Kemp
Impressionada com o estilo cru de sua música, suas performances selvagens e de suas roupas – todos vestidos de couro preto –, Astrid ficara também surpresa com o carisma e a personalidade diferente dos cinco rapazes e queria fotografá-los. São desta fase as primeiras fotos históricas dos Beatles em estado bruto!No lado musical, McCartney começou a enxergar problemas na banda. Stu não progredia no baixo. Inseguro, ele tocava de costas para o público. Após uma briga no palco, Sutcliffe resolveu deixar a banda. Ele começara novamente a se interessar pela pintura, e com o estímulo de Astrid – que se apaixonara por ele –, decidiu dedicar-se totalmente a arte de sua formação.
Era hora dos Beatles voltarem para Liverpool. Stuart ficou com sua amada Astrid na casa de seus pais. A partir desta data, Paul assumiu o baixo, com seu talento e competência.
Em 1962, eles se tornaram a banda mais conhecida de Liverpool e região, mas uma última turnê a Hamburgo já estava agendada para abril daquele ano. John achou que era uma ótima oportunidade para rever Stu. Quando chegaram ao aeroporto de Hamburgo em 11 de abril, os rapazes só viram Astrid esperando por eles. As notícias eram terríveis. Stuart Sutcliffe morrera no dia anterior, de hemorragia cerebral. Já fazia algum tempo que ele se queixava de fortes dores de cabeça. John Lennon ficou completamente chocado com a perda do amigo, mas seguiu em frente. Após apresentações que levaram os alemães ao delírio, a última temporada em Hamburgo chegava ao final!
A partir daquele momento, os Beatles queriam – e conseguiriam – o mundo!
*Publicado no Diário de Santa Maria em 29/09/2012.
sexta-feira, 14 de setembro de 2012
A Viagem Mágica dos Beatles!
Na esteira do relançamento agora em novembro do filme 'Magical Mystery Tour', - que terá direito a exibições especiais em telonas pelo mundo afora do filme restaurado, além de uma edição especial de luxo, incluindo dvd, blu-ray (com cenas extras) e um enorme livreto, - comento aqui alguns aspectos que tornaram esse filme feito para a TV ao mesmo tempo um fracasso comercial e um sucesso 'cult'.
O ano era 1967, estávamos no auge do ‘verão do amor’ e ‘Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band’ bombava nas rádios e nos alto-falantes de quase todo o planeta. Em agosto, após várias internações, o empresário dos Beatles, Brian Epstein é encontrado morto por uma overdose de anti-depressivos.
Desorientados após perderem seu descobridor e homem de confiança, os Beatles apostam no trabalho e resolvem seguir com os planos de um filme para a TV.
Mergulhando de vez no psicodelismo, a ideia de Paul McCartney era fazer um filme sem roteiro. O projeto partia de ideias simples mas ao mesmo tempo avançadas para a época.
Nos finais de semana dos anos 40 e 50 em Liverpool, eram comuns as viagens de ônibus sem um destino já traçado. As pessoas compravam uma passagem e iriam provavelmente ser levadas a algum balneário. A aventura ficava mais engraçada e excitante porque elas nunca sabiam o local exato para onde iriam.
Paul inspirou-se nesses passeios de infância para projetar a ‘misteriosa viagem mágica’ dos Beatles.
Eles lotariam um ônibus de amigos e colaboradores e sairíam pelo interior da Inglaterra com uma câmera na mão, decididos a filmar tudo o que rolasse no caminho.
As filmagens foram complicadas desde o início, com a imprensa e fãs seguindo o ônibus em carros e motos, prontos a registrar qualquer momento da banda com suas câmeras indiscretas.
O filme começa com Ringo Starr - de longe o melhor ator dos quatro - acompanhando sua tia Jessie, gorda e chata (Jessie Robins, fantástica no papel) até um ônibus que deveria partir para algum lugar desconhecido. Lá dentro a festa fica animada. John e George sentam lado a lado e Paul – o único beatle ainda solteiro – tem o privilégio de sentar ao lado de uma bela passageira (Maggie Wright).
Surgem diversos personagens bizarros, como anões, mágicos e malucos naquele cenário apertado e sufocante em que acabam sendo inseridas cenas pioneiras de clips durante a viagem.
Paul é filmado na França numa manhã fria de inverno, saltitando ao som de ‘The Fool on the Hill’ como se fosse um eremita dândi dos anos 60.
São intercaladas também imagens dos 4 Beatles e seu roadie, Mal Evans, vestidos como magos e tentando fazer com que coisas mágicas acontecessem aos viajantes. Infelizmente, pouca coisa aconteceu.
Num dos melhores momentos, o sargento recrutador (Victor Spinetti, grande ator, falecido recentemente), tenta convencer todo o bando a se alistar para servir a Rainha, sem sucesso.
George Harrison, faz sua participação baseada num fato real. Quando estava em Los Angeles em 1966, ele alugou uma mansão chamada ‘Blue Jay Way’ nas colinas da cidade e ficou esperando seu amigo e assessor de imprensa da banda, Derek Taylor, que se perdeu no ‘fog’ da cidade e não encontrava a casa. O bonito clip nos mostra um George sentado em posição de ioga e meditação, enquanto imagens em 3D passam pela telinha.
Talvez o momento mais engraçado tenha sido o proporcionado por John Lennon. Na improvisação geral que norteava os trabalhos, John contou a Paul que tinha tido um pesadelo na noite anterior e queria filmá-lo. O sonho consistia em John vestido de garçom e servindo macarrão à tia gorda de Ringo, com uma pá de pedreiro. Toneladas de macarrão eram servidos no prato da tia Jessie, o que acabou virando um pesadelo para ela mesmo.
Outra cena ‘mágica’, é a entrada de todos os passageiros homens dentro de uma pequena tenda, que acaba se transformando em um clube masculino, onde rola um strip-tease ao som da ‘Bonzo Dog Band’.
Em um dia particularmente complicado, o ônibus mágico ficou preso em uma ponte no interior, causando um enorme tumulto e o cancelamento das filmagens. Todos foram acomodados em estalagens e hotéis. Paul e Ringo descobriram o pub mais agitado do lugar e foram dar um passeio no local, sendo logo reconhecidos. Segundo reza a lenda, após umas e outras, Paul sentou-se ao piano e passou a noite tocando todos os pedidos dos freqüentadores do bar, negando-se a tocar apenas ‘Yellow Submarine’.
Apesar de contrariado com a ideia do projeto, John compôs a exótica ‘I Am the Walrus’, especialmente para o filme, em que os rapazes vestem máscaras de animais, e tocam ao ar livre num campo de aviação abandonado, deixando os espectadores curiosos sobre qual era o objetivo da banda nesse clip. Provavelmente a resposta fosse: nenhum! Cada um chegaria a suas próprias conclusões.
Outra cena esquisita, é uma corrida cheia de trapaças em torno do campo de aviação, em que os membros da viagem competem entre si, com todo o tipo de veículos. O vencedor acaba sendo Ringo, com o ônibus da viagem mágica.
A cena final pelo menos não deixa a desejar. Os Beatles em estilosos fraques brancos, descem uma escadaria ao estilo ‘E o Vento Levou’, ao som de ‘Your Mother Should Know’, uma musiquinha de salão de baile dos anos 30. Ao final dessa escada eles são recebidos por 160 membros de um grupo de dança e por meninas da Força Aérea Britânica. Nem todo filme para TV tinha um epílogo tão espetacular assim.
O verdadeiro pesadelo para os Beatles, – e para McCartney em particular – começou depois das filmagens. Pouco havia sido feito para sincronizar som e imagem, e foi um trabalho exaustivo para Paul até acertar tudo com os engenheiros de som.
O filme, que havia sido rodado em setembro e outubro, agora estava com o prazo estourado para ser exibido pela BBC antes do Natal.
Quando todos pensaram que os problemas tinham terminado, a BBC implicou com uma cena. Era um interlúdio romântico da tia Jessie com o personagem George, um fotógrafo, em que eles se beijam na beira da praia.
Mesmo evidenciando um grande preconceito da BBC contra a terceira idade, a cena foi cortada! Ela só apareceria anos depois, quando o filme foi restaurado para o formato VHS.
‘Magical Mystery Tour’ acabou tendo sua estreia no dia 26 de dezembro de 1967 no Reino Unido.
Além da péssima escolha da data para o lançamento, logo depois do Natal, o filme de 1 hora de duração, havia sido rodado em technicolor e poucos telespectadores possuíam TV a cores naquele tempo. Quem assistiu em preto e branco ficou decepcionado pois o filme não tinha o mínimo apelo sem cores. Havia até uma cena em que um bonito céu azul brilhante com algumas nuvens era mostrado enquanto o ônibus seguia viagem ao som da instrumental ‘Flying’. Sem cores, ninguém entendeu aquelas imagens que pareciam um cinza desbotado.
O filme foi considerado um fracasso para os padrões dos Beatles, e Paul McCartney foi obrigado a defendê-lo em público durante várias entrevistas para TVs e jornais.
Muito tempo depois, quando apresentado à cores nos EUA, ele recebeu créditos, como um ’road movie’ despreocupado, um filme ‘cult’ e como uma comédia non-sense que influenciaria muita gente.
Steven Spielberg, no início de sua carreira o elogiava muito. Peter Fonda e Dennis Hopper, utilizaram ideias dele para o ‘Sem Destino’ e o grupo Monty Python seria outro que beberia dessa fonte.
A trilha sonora seria lançada nos EUA em formato de LP naquele dezembro de 67, e além da faixa-título e das já citadas, o lado B foi completado com hits da banda como ‘All You Need Is Love’, ‘Hello Goodbye’ e ‘Penny Lane’. As vendas foram acentuadas.
Apesar do sucesso tardio do filme e da trilha, o que marcou ‘Magical Mystery Tour’ foi sua estreia.
Pela primeira vez as pessoas souberam que os Beatles não eram infalíveis!
terça-feira, 21 de agosto de 2012
Uivo!! Por Eric Drooker!
No início dos anos 80, quando a febre da geração 'beat' finalmente me atingiu, parti em busca de alguns trabalhos de Kerouac, Ginsberg e Burroughs.
'On the road' foi lido rapidamente, 'Naked Lunch', nem tanto. O poema 'Uivo' de Ginsberg, foi um dos que voltei a ler frequentemente.
Agora que On the Road virou filme, me deu vontade de reler o 'Uivo', mas desta vez numa apresentação mais moderna.
Eric Drooker, americano de Manhattan, conheceu Ginsberg em 1988, e logo sua colaboração 'Poemas Iluminados' ganharia vida. O sucesso chamou a atenção dos grandes estúdios que pediram a Drooker para fazer o trabalho gráfico que resultaria no longa 'Howl'(2010)!
Impressionante o traço de Drooker, nesta graphic novel, em colaboração com a poesia de Ginsberg!
O livro é dedicado, "aos fodidos anônimos
& miseráveis sofredores
& hipsters de cabeça feita
de todos os lugares..."
Sempre curti muito a parte dedicada a Moloch, que começa assim:
'Que esfinge de cimento e alumínio arrebentou
seus crânios e devorou os cérebros
e a imaginação'?
Boa pergunta,Ginsberg!!
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