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domingo, 8 de maio de 2011

Retrospective - Bread & David Gates!


Nos áureos tempos do início dos anos 70, sempre que pintasse uma voltinha de carro - de carona, claro - uma voz de falsete insistia em aparecer nas 'ondas do rádio'!
Com o tempo vim a saber que se tratava da banda californiana BREAD, e que a voz pertencia a David Gates!
Estava tendo contato pela primeira vez com a música que depois ganharia o rótulo de soft-rock.
Gates era mesmo um gênio da música romântica, um compositor de mão-cheia e um vocalista inigualável.


Porém, o BREAD não era só David Gates. Havia outro vocalista chamado James Griffin, cuja voz, mais forte, contrabalançava a pegada mais suave de Gates. Jimmy era mais rockeiro, e foram dele as melhores contribuições neste estilo para a banda.


O BREAD começou sua carreira em janeiro de1969 com o álbum homônimo 'Bread'. Neste trabalho a banda ainda se resumia a um trio: Gates, Griffin e Robb Royer.
Royer além de vocalista era parceiro de Jimmy Griffin em suas composições. Importante salientar que todos os componentes do grupo eram multi-instrumentistas. David preferia a guitarra e o violão, mas também encarava o piano e o baixo, assim como Jimmy. 
'It Don't Matter to Me' e 'London Bridge' foram os seus primeiros sucessos desta época.


Para o segundo disco, lançado em julho de 1970, chamado 'On the Waters', eles acrescentaram um baterista permanente à banda, Mike Botts. 'On the Waters' fez a banda se tornar conhecida em todo os EUA, e o single 'Make it With You' arrasou nas paradas de sucesso.


Em 1971, eles surgem em março com outro gande trabalho: 'Manna'! Álbum mais conciso que os anteriores, porém sempre com destaque para as composições de Gates, entre elas 'She Was My Lady' e 'If'. Esta última se tornou o primeiro sucesso mundial da banda, e foi responsável pelo seu reconhecimento como os reis do soft-rock.
O BREAD queria mais. Em 72, eles acrescentariam um tecladista experiente à banda. Larry Knechtel, talentoso músico de estúdio de Los Angeles, e o criador do solo de piano de 'Bridge Over Troubled Water' de Simon & Garfunkel, se junta ao BREAD. O resultado imediato foi a saída de Robb Royer, que preferiu se dedicar apenas a composição.


A presença de Knechtel foi determinante para apresentações ao vivo e para os trabalhos que viriam a ser lançados em 72.
'Baby I'm-a Want You' foi o primeiro álbum do ano, com David arrasando na canção título além de outros mega-hits como 'Diary' e 'Everything I Own' ( uma das canções mais regravadas de todos os tempos ) e Jimmy compareceria com 'Dream Lady' e 'Just Like Yesterday'.
Apesar do sucesso, os primeiros desentendimentos entre David e Jimmy começam nessa época. Griffin queria um som mais pesado, David achava que não se podia lutar contra o que o público esperava deles.
No final daquele ano eles resurgem com 'Guitar Man', e Gates parece provar sua teoria. Era com aquele tipo de som que eles haviam ficado conhecidos, e ele não pretendia alterá-lo. A música 'The Guitar Man', com um magistral solo de guitarra de Larry Knechtel, foi o maior sucesso da banda. 'Aubrey' e 'Sweet Surrender' também implacaram.
Griffin não digeriu bem a maior receptividade para as canções de Gates e o BREAD deu um tempo.
Durante esse período de recesso, David começou sua carreira-solo com 'First' em 1973, que trazia pequenas jóias como 'Sail Around the World' e 'Ann', em um disco muito bem recebido. 
O álbum seguinte 'Never Let Her Go' de 75, não obteve tanta aceitação, apesar do hit da canção-título.


Em 1977 eles tentariam novamente, em uma reunião em que o resultado foi 'Lost Without Your Love', que nos mostrava uma banda com pouca afinidade. Logo David Gates partiria novamente e, no final deste mesmo ano ele estava ocupado compondo a música para o filme 'The Goodbye Girl'.
Jimmy Griffin, Larry Knechtel e Mike Botts tentaram uma retomada nos anos 80, com o sugestivo nome de TOAST, porém, sem qualquer resultado. Jimmy lançou alguns trabalhos com relativo sucesso, sendo o melhor o disco 'Breakin' Up is Easy'.
Uma curiosidade sobre Griffin é que em 1970 ele chegou a ganhar o 'Oscar' de melhor canção com 'For All We Know', composta em parceria com Robb Royer para o filme 'Lovers and Other Strangers'. Ironicamente, esta canção se parecia muito com as composições de Gates.
Aos poucos a carreira de David também foi se estabilizando e ele passou a lançar álbuns esporadicamente, como 'Falling in Love Again' (1980) e 'Love Is Always Seventeen' (1994), com a participação de Knechtel.
Jimmy e Mike Botts faleceram em 2005.
Larry Knechtel continuou sua carreira bem sucedida de músico de estúdio até morrer em 2009, e David Gates aposentou-se como um fazendeiro milionário! 

ct>

6 comentários:

Alice disse...

Não precisei tocar o vídeo do Youtube, pois, a Everything I Own começou a tocar durante a minha leitura que, diga-se de passagem, foi muito prazerosa. Baita texto!!!

Mas, minha preferida do Bread sempre será IF...

Eduardo Lenz de Macedo disse...

É, Alice. O Bread tem uma seleção de musiquinhas que me fazem a cabeça! If, Everything I Own, Diary, Aubrey, The Guitar Man....
Difícil dizer qual a melhor!!
Vc estava bem acompanhada então... hehehe

Debbie disse...

Que boa lembrança, texto bonito e bem ilustradinho, daqueles que fizeram parte da minha adolescência!! Como eu curti esses caras!! Na verdade, foi um álbum do Bread (cuja ilustração da capa é a 6ª foto do seu texto) que inaugurou a minha primeira vitrolinha, no Natal de 1972!! Rolava direto, sem parar e eu decorei os lados A e B!! Tinha as lindas 'Guitar Man', 'Aubrey' e 'Sweet Surrender'!!
E eu não sabia que a lindíssima 'For All We Know' tinha levado o Oscar de 70! O Griffin mais que mereceu!

Eduardo Lenz de Macedo disse...

Sim, Debbie, muito merecido o Oscar, e eles (Jimmy e Royer) escreveram essa música com um pseudônimo para não serem reconhecidos...

Flavio Fonseca disse...

Olá Eduardo! Material muito bom!! É difícil encontrar informações profundas sobre David Gates. Sou apaixonado pelas letras e melodias que ele compôs. Não sei se ele se apresenta ainda, acredito que não até pela idade avançada. Ele foge do comum, suas canções tem letras riquíssimas. Um cara tímido, mas com um talento surreal. Obrigado pelo texto. Abraços.

camelo disse...

Belo texto, belas fotos.

Adoro o Bread - Demais!

A propósito, a capa (primeira foto) está bem no clima do disco do Paul McCartney WILD LIFE...

Seria uma homenagem... Quem sabe...

Francisco Parente