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sexta-feira, 1 de abril de 2011

Venus and Mars - 1975 - The Paul McCartney Collection


Depois do final da melhor banda do planeta, esta fase de 74/75, foi a melhor de Paul McCartney, profissionalmente, até então.
Paul já tinha recuperado a forma e o prestígio no álbum anterior, o aclamado 'Band on the Run', e tinha grandes expectativas para o próximo.
Antes das gravações do 'Band..' na Nigéria, os membros do grupo Wings, Denny Seiwell, baterista, e Henry McCullough, guitarrista-solo, haviam deixado a banda. Paul já pensava em levar para a estrada as novas canções então resolveu substituir os membros que haviam partido.
Para a bateria, o escolhido foi o inglês Geoff Britton, mais conhecido por ser faixa-preta no karate. Para a guitarra-solo, o convidado foi o escocês, menino-prodígio da guitarra, Jimmy McCulloch, egresso do 'Stone The Crows'.
Com o time completo, o Wings embarca para New Orleans em 1974. Paul esperava um ambiente mais tranquilo para as gravações ao contrário do projeto da Nigéria, mas os problemas logo começaram. 
O baterista Geoff Britton, não se afinou com o resto da banda, e após participar de poucas sessões, foi dispensado e mandado de volta para Londres.
McCartney teve de pesquisar por bateristas disponíveis no mercado americano, e após algumas audições, escolheu, o americano - apesar do sobrenome - Joe English.


Uma ideia que sempre acompanhou Paul, desde os tempos do 'Sgt. Pepper', foi compor canções que tivessem algo a ver com um tema em conjunto, algo como o tão falado 'álbum conceitual', coisa que 'Sgt Pepper' nunca foi. Para isso, Paul contava com uma canção-tema, chamada 'Venus and Mars'. 
Esta pequena canção funciona como uma apresentação da banda ou do show que está para começar, como 'Billy Shears' havia sido apresentado no 'Pepper', antes de 'With a Little Help From My Friends'.
O que se ouve a seguir é um dos rockões mais poderosos compostos por McCartney, chamado apropriadamente de 'Rock Show'. Essa canção funcionaria espetacularmente ao vivo, e até hoje em dia Paul a usa nas turnês. Na coda da música, o famoso pianista de New Orleans, o grande Allen Toussaint, dá uma canja.
O tema principal do álbum passou a ser então, o show em si! E os temas das músicas variavam. 'Love in Song', é uma bela balada a la McCartney, repleta de violões de 12 cordas.
A música de cabaret estilo anos 30, que Paul adorava, se faz presente com a deliciosa 'You Gave Me the Answer'.  
Para quem não sabe, Paul era um grande fã dos gibis da Marvel. Quando estava na Nigéria ele fazia uma visita semanal ao mercado local para arrecadar os últimos lançamentos do gênero das revistas em quadrinhos. Nada mais justo do que ele compor sua própria canção homenageando seus heróis. Assim em 'Magneto and Titanium Man' desfilam vários personagens dos comics, entre heróis e vilões, misturados com uma suposta realidade.



Atenção para a última faixa do lado 1, chamada 'Letting Go'. Esta é com certeza, um dos melhores trabalhos de composição de Paul, tanto na letra como na melodia. Injustamente lançada em single sem o sucesso que merecia. Paul apostava muito nela, e até hoje ainda a apresenta ao vivo, sinal de que a considera especial. Tive o prazer de ouvi-la no Beira-Rio! Pra mim, uma das melhores do show!!


Pra começar o lado 2, Paul vem com 'Venus and Mars-Reprise', mas o tema da canção já não tem mais nada a ver com o show. A atenção maior passa a ser mesmo para as estrelas no céu. Alguns amigos passaram a chamar Paul e Linda de Marte e Venus, após este disco...
Outra canção bem feita, foi 'Spirits of Ancient Egypt', na qual Denny Laine, o membro mais fiel do Wings, assume o vocal no início e depois o divide com Paul e Linda.
Em 'Medicine Jar', quem brilha é o novo membro da banda Jimmy McCulloch, que abastecido por muito eco, e tocando uma guitarra muito esperta com um wah-wah contagiante, anima o disco. A ironia sobre Jimmy, é que ele compôs duas canções para a banda, e ambas falando dos malefícios das drogas. Em 1979, após deixar o Wings, ele seria encontrado morto em seu flat londrino, devido a uma overdose.


Como um crooner, e deixando claro que o estilo de New Orleans lhe caía bem, Paul arrasa na canção seguinte, a estilo soul-blues-jazz chamada 'Call Me Back Again'. Nem todos os cantores de rock possuem tantos recursos vocais assim!
A mais badalada do álbum foi sem dúvida, 'Listen to What the Man Said', uma típica canção McCartney, com muitas mudanças de ritmos e instrumentos diversos. Paul trabalhou muito nela, inclusive convocando o guitarrista Dave Mason, que se encontrava em turnê na cidade. Ainda não satisfeito depois de vários takes, Paul achou que um solo de sax era o que faltava, e Tom Scott da L.A. Express, deu o toque final no quebra-cabeça. Lançada em single, esta música venderia como banana. 
Em tempo, esta canção não se refere a Deus, como muitos imaginaram! O 'man' não é Ele, como esclareceu Paul, poderia ser eu, você, um amigo dele, enfim qualquer pessoa!
Apesar de um certo anti-climax, McCartney termina o álbum com outra bonita balada, desta vez pedindo compreensão para os mais velhos em 'Treat Her Gently - Lonely Old People'.
A instrumental 'Crossroads' serve de coda para o disco, e no fundo era uma piada, que poucos aqui no Brasil poderiam entender. 'Crossroads' era o tema de um programa que passava na BBC à noite, e que muitos idosos assistiam. Então as 'pessoas mais velhas e sózinhas' ainda tinham 'crossroads' para ouvir! 
Paul e seu bom humor! 
Na edição da 'Paul McCartney Collection' vieram 3 bônus, todas totalmente dispensáveis.


'Venus and Mars' chegou ao mercado em 1975 com grande expectativa dos fãs, e se não conseguiu suplantar seu antecessor, 'Band on the Run', pelo menos continuou a marcar a boa fase de Paul com o Wings que ainda se estenderia até 1976, com sua famosa turnê norte-americana, que marcaria época!

P.S. Foto da capa de Linda McCartney, com duas bolas de bilhar numa mesa, representando os planetas!

4 comentários:

Alice disse...

Mesmo com um irmão guitarrista e que gosta de pedais de distorções vim a aprender o que é um wah-wah por causa do teu texto sobre George Harrison...
...hehehehe...
Tive que recorrer ao 'pai dos burros' moderninho: GOOGLE.

Eduardo Lenz de Macedo disse...

hehehehe.. Wah-wah... tô precisando de um pra minha guitarra!!

Debbie disse...

"Oh!! I feel like letting go...!!!"

Eduardo Lenz de Macedo disse...

ooohhh, she tastes like wine...'