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segunda-feira, 19 de agosto de 2013
Jeff Beck - A Lenda Viva!
Alguns amigos sempre me perguntam qual é o meu guitarrista preferido?
É uma questão muito difícil, visto que existem vários músicos exímios tocadores de guitarra, além de possuírem estilos completamente diferentes.
Já citei aqui neste blog, gente como Eric Clapton, George Harrison, Roy Buchanan, Alvin Lee e Steve Cropper. Talvez meu gosto musical se adapte melhor ao estilo destes músicos.
Existe porém, um guitarrista que talvez tenha todas as qualidades de todos estes que citei acima. Seu nome é Geoffrey Arnold Beck!
Sim, Jeff Beck tem um pouco do estilo de Clapton, e com certeza captou algo do 'slowhand' ao passar pelos 'Yardbirds' no início dos anos 60. Beck chegou a fazer parceria com Jimmy Page nesta banda, mas seu ego, impedia a convivência de duas guitarras solo.
O estilo de Beck também parece uma orquestra quando aposta em si mesmo 'apenas' como mais um membro de um grupo. Ironicamente ele só usou este estilo quando estava em carreira-solo. Lembro dele do tempo dos álbuns 'Blow By Blow'(75) e 'Wired'(76), em que a produção de George Martin o fez soar delicadamente parecido com o beatle George Harrison e seu inesquecível 'slide'.
De Roy Buchanan, um de seus ídolos, Jeff herdou a técnica impecável e um pouco do preciosismo instrumental, característicos do guitarrista americano. Seu tributo a Buchanan em 'Cause We've Ended as Lovers' - presente de Stevie Wonder - em 'Blow By Blow', é no mínimo emocionante. Que bom que Roy ainda estava vivo, e, quem sabe, pode apreciar a bela homenagem.
Um contemporâneo, cuja guitarra 'falava' em alta velocidade, e que seguramente atraiu a atenção de Beck, foi Alvin Lee, o eterno líder do 'Ten Years After'. Nas apresentações ao vivo não havia tempo ruim para Lee, assim como para Jeff Beck.
Beck também se deixou influenciar, como quase todos os guitarristas de sua geração, por Steve Cropper. Mesmo na época em que sua guitarra prenunciava o 'hard-rock' ou o 'heavy-metal', Jeff construía harmonias e solos a la Cropper, em trabalhos épicos com a banda que criou em 1968: o 'Jeff Beck Group', de cujo terceiro álbum, Cropper foi o produtor.
Por esta banda seminal, passou gente como o 'inimitável' Rod Stewart, já botando pra quebrar com seu vocal, ainda em início de carreira, e o naquele tempo baixista Ron Wood, que depois se desentenderiam com Beck e deixariam o grupo para juntar-se ao 'Faces'.
O 'Jeff Beck Group' deixou pelo menos dois trabalhos clássicos: 'Truth'(68), ás vezes creditado como um trabalho solo de JB, e 'Beck-Ola'(69). A combinação da guitarra de JB com o vocal de Rod, é um daqueles típicos casos que dão certo, mas que só acontecem muito raramente. A depuração da energia básica presente nestes dois trabalhos coube ao pianista Nicky Hopkins, que traçou uma tênue linha harmônica entre os dois super-astros.
Em 1973, Beck partiu para uma nova empreitada. Ele tentou se distanciar um pouco do blues pesado e do rock e deu uma guinada para o estilo jazz-rock, montando a 'Beck, Bogert & Appice'.
Recrutando dois super-músicos: Tim Bogert no baixo e o lendário Carmine Appice na bateria, eles deixaram apenas um álbum com o nome da banda, que se tornaria algo como um 'cult-album'. A leitura da banda das canções 'Black Cat Moan' e 'Superstition' de Stevie Wonder, foi uma das melhores coisas que Beck já fez. Nesta situação, salta aos ouvidos um grave defeito na carreira de Jeff Beck, e talvez o único: o de não cantar!
Ele até arrisca alguns vocais, mas sabemos que ele se sente melhor 'apenas' dedilhando sua Gibson, ou ultimamente sua Fender.
Depois da 'Beck, Bogert & Appice', Jeff continuou em carreira-solo. Além dos dois grandes álbuns já citados, com a produção de George Martin, Beck teve alguns lampejos dos velhos tempos em discos como 'Flash'(85) e 'Emotion & Commotion'(2010), mas parecendo mais querer apresentar sua técnica do que propriamente 'sentir a música'!
Como alguns artistas de seu naipe, seus melhores trabalhos sempre aparecem em apresentações ao vivo. Atualmente, Jeff Beck é sempre acompanhado pela baixista Tal Wilkenfeld, menina-prodígio do instrumento de quatro cordas, que faz uma base fantástica para os solos arrasadores de Beck.
Eis então, o homem! Todos os ritmos da guitarra em uma pessoa só!!!
sábado, 17 de agosto de 2013
Roman Polanski - 80 anos!
Amanhã, dia 18 de agosto, o cineasta Roman Polanski completará 80 anos de idade. Deixo aqui um texto de meu amigo Rogério Ferrer Koff escrito em 2009 quando da prisão de Polanski na Suiça. É uma boa reflexão sobre tudo o que aconteceu, e espero que o Rogério não se importe.
Esta vida é um filme – por Rogério Koff
Esta vida é um filme – por Rogério Koff
7 outubro , 2009 - 06:49
O diretor franco-polonês Roman Polanski comandou a produção de O Bebê de Rosemary em 1967. Lançado nas telas um ano depois, esta produção foi um marco na história do cinema de terror. Stanley Kubrick demoraria doze anos para dirigir algo parecido (O Iluminado), enquanto que Freddys e Jasons só surgiriam nos anos 1980, com séries intermináveis e distantes da genialidade de seus precursores. Mia Farrow foi escalada para o papel principal, fazendo uma esposa que espera seu primeiro filho e que se vê progressivamente envolvida em uma conspiração demoníaca. Não há em O Bebê nenhuma cena de terror ou violência explícitos, nenhum monstro, mas apenas um suspense psicológico de tirar o fôlego.
O diretor franco-polonês Roman Polanski comandou a produção de O Bebê de Rosemary em 1967. Lançado nas telas um ano depois, esta produção foi um marco na história do cinema de terror. Stanley Kubrick demoraria doze anos para dirigir algo parecido (O Iluminado), enquanto que Freddys e Jasons só surgiriam nos anos 1980, com séries intermináveis e distantes da genialidade de seus precursores. Mia Farrow foi escalada para o papel principal, fazendo uma esposa que espera seu primeiro filho e que se vê progressivamente envolvida em uma conspiração demoníaca. Não há em O Bebê nenhuma cena de terror ou violência explícitos, nenhum monstro, mas apenas um suspense psicológico de tirar o fôlego.
A vida de
Polanski e outras coincidências estranhas se encarregariam de inspirar a
mística sobre a “maldição” do filme. Dois anos depois, sua mulher, a estrela
ascendente Sharon Tate, então com 26 anos e grávida de oito meses, foi
brutalmente assassinada em Los Angeles, por um grupo de fanáticos liderados por
Charles Manson. Polanski não estava nos Estados Unidos e soube pelos jornais
que Manson dizia ter recebido mensagens cifradas que ordenavam o crime. Uma
destas seria curiosamente a letra de Paul McCartney para Helter Skelter, música
integrante do famoso White Álbum, sucesso dos Beatles em 1968.
Por falar
em Beatles, após a dissolução do quarteto mais famoso da história da música
pop, John Lennon foi morar nos Estados Unidos. Escolheu um apartamento no
Edifício Dakota, com vista para o Central Park, e para lá rumou com Yoko Ono no
início dos anos 1970. O resto da história nós todos conhecemos; um fanático de
nome Mark Chapman matou Lennon a tiros na frente do Dakota em 8 de dezembro de
1980. Detalhe: o edifício foi integralmente utilizado como locação para a
filmagem de O Bebê de Rosemary, doze anos antes.
Voltando
a Polanski, ele viveu outro drama particular em 1977, quando, aos 41 anos e
vivendo nos Estados Unidos, foi acusado de manter relações sexuais com uma
jovem chamada Samanta Geimer, então com 13 anos. Às vésperas do julgamento,
fugiu para a França, onde vive há mais de 32 anos. Há duas semanas, foi preso
na Suíça, onde receberia um prêmio por sua obra. O que deveria ter sido uma
homenagem, acabou como palco para uma operação policial que visava atender a
uma ordem de prisão emitida pela justiça dos Estados Unidos. Aos 76 anos,
Polanski aguarda na cadeia a decisão sobre sua provável extradição. Outra
grande coincidência cinematográfica é que o julgamento de um possível indulto
está nas mãos de ninguém menos do que Arnold (Conan, o Bárbaro) Shwarzenegger,
governador da Califórnia. Suprema ironia. O crítico cultural norte-americano
Neal Gabler já havia sentenciado que a vida está se transformando em um filme.
Anônimos buscam a fama e celebridades têm suas existências vasculhadas pela
mídia.
Muito
cuidado aqui, porque não quero minimizar o crime de pedofilia, aliás, um dos
grandes dramas de nosso país. Mas deixo uma perguntinha: se Polanski não fosse
ele próprio uma celebridade o tratamento dado pela justiça ao caso teria sido o
mesmo? Um anônimo estaria nesta mesma situação? Qual o real motivo de uma
prisão preventiva se, em 32 anos de vida na França, Polanski não cometeu nenhum
outro crime. Acrescente-se ainda que a própria vítima já declarou publicamente
que não desejava dar seqüência ao processo. Estamos falando de justiça ou de
vingança?
Fica ao
leitor esta provocação e outra: a de tentar encontrar novas coincidências
numerológicas nas datas apresentadas ao longo do texto. Pura diversão macabra.
sexta-feira, 26 de julho de 2013
James Cotton - A Trilogia Blueseira!
Foi com grande satisfação que no início deste mês de julho recebi a notícia de que o gaitista e vocalista James Cotton iria se apresentar em Porto Alegre.
Eu não tinha mais esperanças de ver Cotton ao vivo, principalmente depois que soube que ele fez uma cirurgia para retirar um tumor da garganta em 2004.
Cotton, quase não canta mais, mas em seu último trabalho lançado recentemente ele ainda se arrisca interpretando apenas uma canção. O disco 'Cotton Mouth Man', se não conta com sua voz matadora, pelo menos ainda nos brinda com sua harmônica inigualável. Anos atrás sua interpretação do blues me caiu como um raio no disco 'Harp Attack' (junto de Junior Wells, Billy Branch e Carey Bell). Nunca mais esqueci do nome de Cotton!
Foi assim, preparado para ouvir 'apenas' sua gaita de boca, que me dirigi ao teatro da AMRIGS, terça-feira passada. Porém a chamada para o show já dava uma outra pista: era a 'James Cotton Blues Band', e não tão somente o artista solo.
Antes de comentar o show, devo dizer que meus ídolos do blues começam por Muddy Waters - nunca vou me perdoar por não ter nascido antes e poder tê-lo assistido nos anos 50, 60 ou 70! Destaco também a dupla Buddy Guy (esse eu vi ano passado) e Junior Wells (a melhor gaita e uma das melhores interpretações de blues na minha opinião). Não posso esquecer também de B. B. King, a quem assisti em 1986, no Gigantinho, ainda em plena forma.
Com King, Guy e Cotton, minha trilogia blueseira está completa! Agora posso descansar em paz, irmãos!
Voltando ao show, o que fez a diferença na AMRIGS foi a banda de Mr. Cotton. Os caras estavam muito a vontade para fazer tremer aquele teatro.
Pra começar, entraram em cena o guitarrista branco e canhoto Tom Holland, o baixista Noel Neal e o baterista Jerry Porter (já tocou com Magic Slim). Esse trio arrasou! Enquanto aguardávamos o James, eles tocaram alguns blues para ouriçar o público que quase lotava o teatro.
A técnica de Holland é algo gostoso de se ver. Seus solos, altamente melódicos e sofisticados, me lembraram em alguns momentos de Roy Buchanan (acho que não é exagero). O baixista Noel Neal, também é um protagonista, e solou com seu baixo em várias ocasiões. Fico muito feliz quando o baixo é tratado assim, como um instrumento de solo, e não apenas um acompanhamento ou uma base.
O baterista Porter, muito experiente, toca há pelo menos vinte anos com Cotton, e já se apresentou com vários blueseiros de renome. Sua batida firme e pesada, foi marcante.
Cotton finalmente apareceu, segurando uma bengala, com a voz mais rouca impossível, seus 78 aninhos, e, muito simpático, chamando o público pra participar do show.
Este cara, apesar de seu problema nas cordas vocais, tem agudos e graves impressionantes enquanto toca seu instrumento, ele simplesmente brinca com a gaita. As gaitas, eu diria, porque a coleção de harmônicas era extensa.
Para o show ficar completo faltava um vocalista, e ele se materializou na forma e no espírito de Darrell Nulisch, outro branco e experiente cantor de blues.
Nullisch e Cotton trocaram figurinhas o tempo inteiro, um no vocal outro na gaita, e assim o tempo voou naquela noite. Holland tinha que se conter com sua guitarra. O Mestre pediu, e ele baixou um pouco a bola.
As canções se basearam no que o blues tem de melhor, mas eu destacaria duas músicas de Muddy Waters, aliás, que foi com quem James Cotton começou sua carreira.
A clássica 'Blow Wind Blow', com um vocal impressionante de Nulisch, foi um dos pontos altos do show. Clapton gravou esta canção em 'Another Ticket', mas ouvi-la ao vivo, com Cotton junto, foi um marco.
Outra que não posso esquecer é 'Got My Mojo Working', standard de Waters, que Cotton recuperou e convocou todo mundo para cantar. Nós não decepcionamos Mr. Cotton: levantamos, gritamos e cantamos todos juntos!
James Cotton saiu aplaudido de pé! O Blues agradece!
segunda-feira, 15 de julho de 2013
'Com os Beatles' - 1963
Em novembro, o segundo álbum da melhor banda do planeta, completará 50 anos!
'With The Beatles', começou a ser gravado em julho daquele ano, e devido à inúmeras interrupções pelas crescentes turnês da banda, ele só foi completado em outubro.
Os Beatles seguiram o mesmo plano do primeiro álbum, mesclando composições próprias, sendo sete da dupla Lennon & McCartney, e uma de George Harrison (estreando como compositor), e seis de seus artistas preferidos.
Se o disco 'Please Please Me' fez sucesso apesar - ou por causa - da pressa com que foi gravado, parecendo um álbum ao vivo, neste segundo trabalho, os Beatles aprimoraram seu som.
Ringo Starr, soa muito melhor como baterista, Paul está mais confiante para cantar, George se solta mais nos violões, e Lennon continua dominante nas composições e nos vocais.
Iniciando com o rock agitado de 'It Won't Be Long', John já mostra a que veio. Sempre competitivo, em sua parceria com Paul, desta vez ele queria ter o domínio das ações desde o início. Se esta canção não empolga tanto como 'I Saw Her Standing There', o rockão do disco anterior, ela cumpre bem seu papel de abre-alas. Na sequência, a balada 'All I've Got to Do', é um bonito momento de Lennon, em que as famosas harmonias vocais entre ele e Paul (e George) começam a trilhar seu caminho histórico.
Se John começou o disco pegando pesado, McCartney não deixou por menos. 'All My Loving', pode ser considerada uma das primeiras grandes composições da dupla. Crédito para Paul, que começava a viver seu caso com a atriz Jane Asher. Suas baladas românticas, a partir deste momento, teriam sempre como alvo a bela ruiva de descendência nobre. O solo de guitarra que 'cobre' a música toda, é um dos melhores momentos de George como guitarrista, e um testemunho de que ele idolatrava o guitarrista americano Chet Atkins e o rockabilly de Carl Perkins.
Robert Freeman
George Harrison tinha um problema a resolver. Sendo o guitarrista solo da banda, ele em princípio, não se importou em 'apenas' usar e costurar seus 'riffs' em canções da dupla Lennon & McCartney, ou de outros rockeiros da época.
Porém, George sabia que poderia ir um pouco além disso, apesar de não poder contar com o auxílio de nenhum dos outros companheiros de banda. Assim, sua composição 'Don't Bother Me', não chega a ser uma obra de arte, mas sem dúvida nenhuma, é um início promissor para um compositor que ousaria chegar ao nível dos dois astros da banda. No futuro seu problema maior seria apenas o espaço para suas composições.
'Little Child' é outro rockinho alegre, mas descartável. Paul então, mostra um dos clássicos que cantava desde o tempo das excursões a Hamburgo, na Alemanha e que também fazia parte do repertório do 'Cavern Club': "Till There Was You' de Meredith Wilson.
Marca registrada dos Beatles, estas baladas interpretadas por Macca eram obrigatórias em shows da banda, e levavam as adolescentes ao delírio. Note-se o violão de George, em particular, e o baixo de Paul, discutindo durante toda a música.
John encerra o lado A, com o standart, 'Please Mr. Postman', sucesso já na voz de vários cantores e grupos de Rythm & Blues americanos, uma das fontes em que seguidamente os Beatles iam beber.
Astrid Kirchherr
Faço uma pausa aqui para comentar a capa do disco. O fotógrafo australiano Robert Freeman, foi instruído pelos próprios Beatles, sobre como eles deveriam aparecer na capa. A ideia veio do tempo de Hamburgo, em que a fotógrafa alemã Astrid Kirchherr, clicou-os em vários locais, sempre em preto & branco. Impressionados com a técnica de Astrid, os rapazes exigiram uma imagem assim em seu disco, apesar da contrariedade dos altos escalões da EMI, que queriam uma foto mais alegre. Os Beatles venceram, e a foto em preto & branco, com todos os rapazes bem sérios, clicada no corredor de um hotel, ficaria famosa no mundo inteiro, sendo até hoje copiada a exaustão por bandas e artistas modernos.
A cover de Chuck Berry, 'Roll Over Beethoven', seria um ponto alto da banda em sua curta carreira. George está muito inspirado, com sua guitarra passeando altiva pelo tema de Berry, acompanhado com maestria pela batida de Ringo. A voz de pouco alcance de Harrison se adaptou bem a canção. O ritmo é contagiante do início ao fim, e esta gravação ajudou a tornar Chuck Berry conhecido para os mais jovens.
Pulando a 'Hold Me Tight', de Macca, chegamos a outro clássico de Smokey Robinson, chamado 'You Really Got a Hold on Me'. Lennon ataca o vocal com convicção, e a novidade é que George é quem se une a ele na segunda voz. A música fica com um bonito efeito com a voz dos dois em combinação com as harmonias de Paul.
Ringo Starr é convidado a cantar em 'I Wanna Be Your Man', outra canção de Lennon & McCartney. A história desta música é bem conhecida. John e Paul já tinham uma parte dela composta, quando encontraram os Rolling Stones em um clube. O empresário dos Stones, Andrew Loog-Oldham, disse que a banda estava com problemas para conseguir músicas para seu repertório. Paul disse que eles tinham uma canção, mas que não estava terminada. A dupla Paul e John, então se retirou para uma mesa no canto do salão, e a terminou ali na frente dos incrédulos Stones.
A oferta foi bem aproveitada, pois tornou-se o primeiro sucesso de Jagger & cia.
Harrison, bate um recorde de cantar três vezes num mesmo álbum com 'Devil in Her Heart', selecionada novamente no mercado negro americano.
Lennon termina o álbum com 'Not a Second Time', composição sua, e com a rascante 'Money', outo clone americano, cantado no mesmo estilo de 'Twist and Shout' do disco anterior. As harmonias de Paul e George fazem o serviço direitinho, e esta música também se tornaria um item obrigatório nas apresentações futuras.
Os Beatles, mesmo com pouco tempo nos estúdios mostravam sinais de crescimento e seu som se tornava mais maduro. O ano de 1963 consolidou seu sucesso no Reino Unido e na Europa. Tudo o que eles precisavam agora, era de um número 1 na América.
A expectativa era de que em 1964, as coisas começassem a acontecer na terra do Tio Sam! Eles podiam sonhar com isto, mas não tinham a mínima ideia do que os esperava por lá!
domingo, 2 de junho de 2013
Roy Buchanan - O 'Feeling' da Guitarra!
Roy Buchanan, americano do Arkansas, nunca foi um guitarrista conhecido do grande público. Filho de um pastor, a religião teria uma forte influência em sua formação blueseira. Menino-prodígio da guitarra, já tocava seu violão aos 5 anos de idade.
Quando o rock'n'roll surgiu na vida de Roy, no final dos anos 50, ele resolveu encarar a estrada. Sua educação rígida, logo entraria em conflito com a vida de guitarrista itinerante.
Ele formaria em 1960 a banda The Hawks com o canadense Ronnie Hawkins, cujo baixista se chamava Robbie Robertson. Este grupo, mais tarde, evoluiria para o aclamado The Band, já sem a presença de Roy.
Na estrada, Buchanan não se segurava. Bebia pesado, e usava drogas de todos os tipos. Sempre em conflito consigo mesmo, Roy cansou desta vida, e em 1963 se casou com Judy, sua única esposa.
Seu estilo único de tocar guitarra chamou a atenção de gente como Eric Clapton e Jimmy Page. Robbie Robertson, claramente o imitava em seu trabalho na The Band. Roy foi então convidado a gravar.
Infelizmente seu estilo não se adaptava aos estúdios de gravação. Ele queria sempre impor suas próprias composições e sua técnica diferente. Roy não gostava de cantar, o que aumentava a rejeição das gravadoras.
Mesmo com todos os problemas, álbuns como 'Roy Buchanan' (1972), 'Second Album' (1973) e 'In The Beginning' (1974), compõe uma belo retrato sonoro do estilo inovador de Roy com sua inseparável Fender Telecaster.
O verdadeiro Roy Buchanan aparecia nas apresentações ao vivo. Ver o álbum 'Live Stock' (1975). Quando carinhas como Jeff Beck ouviam Roy dedilhar sua Tele em músicas como 'Sweet Dreams', sentiam que estavam presenciando algo único.
Aliás, em 1975 Beck homenageou Roy, dedicando a ele a canção 'Cause We've Ended as Lovers', composta por Stevie Wonder!
As gravações continuavam a não satisfazer o perfeccionismo de Buchanan que trocou de gravadora, passando da Polydor para a Atlantic. Na Atlantic, ele lançou dois álbuns interessantes: 'A Street Called Straight' (1976) e 'You're Not Alone' (1978), mas sempre com pouca repercussão.
Com problemas financeiros, agravados por suas bebedeiras e vícios diversos, seu estilo de vida começou a cobrar seu preço, fazendo com que sua guitarra ás vezes ficasse em segundo plano.
Em um último esforço, Roy gravou três álbuns para o selo Alligator, em que finalmente os resultados o deixaram satisfeito. 'When a Guitar Plays the Blues' (1985), 'Dancing on the Edge' (1986) e 'Hot Wires' (1987), mostram um guitarrista maduro, mas com seu feeling de garoto do Arkansas ainda intocado.
Em agosto de 1988, no interior da Virginia, Buchanan foi preso na madrugada por bebedeira e desordem. Ao amanhecer estava morto. Ele teria supostamente cometido suicídio, enforcando-se na cela. Os amigos que viram seu corpo notaram vários hematomas, e acusaram os policiais da Viginia, famosos por sua truculência. Nada ficou provado.
Perdemos assim, o 'melhor guitarrista desconhecido' do mundo!
Em rara entrevista, tentando explicar seu talento, Roy comentou: "Acho que é o feeling, o sentimento que ponho nas coisas. Existem vários guitarristas mais técnicos que estão no rádio todo dia, mas quando as pessoas me ouvem no rádio, elas sabem imediatamente que sou eu. É o feeling e a simplicidade".
Feeling e simplicidade de um cara único, chamado Roy Buchanan!!!
quarta-feira, 17 de abril de 2013
'Vida e Obra de Johnny McCartney' - Leno
Quem não lembra da Jovem Guarda e da dupla Leno e Lilian? O compacto simples da dupla com 'Devolva-me' no lado A e 'Pobre Menina', lançado em 1966, é provavelmente o de maior sucesso de todos os tempos no Brasil.
Pois bem. No final de 1970, Gileno Azevedo, mais conhecido como Leno, estava em plena carreira solo. Um dos músicos que participava do trabalho de composição e da produção do próximo disco de Leno, era um tal de Raulzito!
Sim, pessoal, Raul Seixas antes de estourar com sua música 'Ouro de Tolo' em 73, participava dos trabalhos dos amigos, e era produtor da CBS.
O álbum que viria a se chamar 'Vida e Obra de Johnny McCartney', acabou esbarrando nos censores da ditadura. O projeto foi abortado por tempo indeterminado, e cada um seguiu seu caminho.
Em 1995 a gravadora de Leno achou estas fitas em algum baú e o lançou em CD com pouca repercussão.
Foi somente em 2008 quando os direitos sobre a obra foram cedidos por Leno a 'Lion Records', gravadora norte-americana, que o Cd foi relançado lá fora. Tive agora o privilégio de receber este disco enviado pelo próprio Leno e confesso que me surpreendi com a qualidade do trabalho.
O álbum vem com um encarte muito legal, em inglês, contando toda a carreira de Leno e com as letras das canções.
Quem participou do trabalho foi o grupo 'A Bôlha', dando um tratamento bem rock ás canções de Leno e Raulzito. O álbum, além do bom e velho rock'n'roll, puxa para o lado do pós-tropicalismo.
Leno, que sempre foi ótimo músico e compositor, esbanja seu talento em canções como 'Por Que Não?', 'Não Há Lei Em Grillo City', e 'Deixo o Tempo Me Levar', todas composições suas. As letras, apesar de em sua maioria, parodiar e dar pequenos 'toques' na ditadura militar, não soam datadas.
Sua parceria com Raulzito na faixa-título ('Johnny McCartney') é um rock de arrepiar.
''Pobre do Rei' é uma música que Leno ganhou de presente de Marcos Valle. Na época Leno namorava a irmã de Marcos, e além de compô-la, Marcos também tocou piano elétrico na gravação. Sem dúvida, um ponto alto do disco. 'Peguei uma Apollo' de Arnaldo Brandão, se tornou um clássico 'cult' instantâneo para a geração anos 70.
Todo o álbum parecia a frente de seu tempo, por isso soa tão atual nos dias de hoje.
As outras composições com Raul, incluem a deliciosa 'Sr. Imposto de Renda', já naquela época reclamando do apetite do 'leão', a bela melodia de 'Convite para Ângela', que depois Raulzito transformaria na canção 'Sapato 36' e 'Sentado no Arco-Íris', que em seguida Leno cantaria no Festival Internacional da Canção de 1971, driblando os censores.
Este trabalho foi gravado entre novembro de 1970 e janeiro de 71 nos estúdios da CBS em 8 canais.
Apesar dos 42 anos de atraso até eu ter contato com este trabalho, fiquei com a sensação que a vida e a obra de Johnny McCartney poderia ter sido lançado hoje.
Leno, continua sua carreira lançando álbuns, DVDs e se apresentando ao vivo. Ele também lançou outro CD exclusivamente com as canções em dupla com Raul Seixas que tive o prazer de receber autografado.
Viva o rock nacional!
quinta-feira, 4 de abril de 2013
Mr. Eric Clapton - 'Old Sock'!
Tenho ouvido muitas críticas negativas ao último disco de Mr. Eric Clapton lançado mês passado no mundo todo.
Confesso que não entendo as pessoas que criticam os trabalhos de figuras como ele, Paul McCartney, Bob Dylan, etc... O que mais esperam deles??
Clapton sempre foi uma pessoa que procurou evoluir em sua música, e na sua própria vida.
Do guitarrista que tocava 'blues puro' com os 'Yardbirds' (saiu porque a banda estava ficando comercial), e com os 'Bluesbreakers' de John Mayall, Clapton decidiu arriscar e montar um 'power trio' com Jack Bruce e Ginger Baker, o famoso 'Cream'!
A partir daí ele começaria a misturar o bom e velho rock e a compor e cantar, coisa que anteriormente não ousava.
No início de sua carreira-solo, ele enveredou por um lado mais swingado em álbuns como '461 Ocean Boulevard' e 'There's One in Every Crowd''. Muitos já não o entendiam. Queriam de volta o 'deus' da guitarra!!
As pessoas mudam e evoluem, Clapton é o melhor exemplo.
Em seus últimos trabalhos, ele já vinha mostrando sinais de que sua paixão passou a ser o jazz. Mas jazz ao estilo de Clapton.
Álbuns como 'Back Home' (2005), mais pesado, e 'Clapton' (2010) já delineavam com clareza a nova investida jazzistica de EC. Esta proposta chegou ao auge, quando EC se juntou a Wynton Marsalis e sua banda, para shows ao vivo que resultou no brilhante 'Play the Blues', um dos melhores álbuns de 2011!
Neste seu novo trabalho, 'Old Sock', EC faz uma mescla de canções que lhe caem bem aos ouvidos. Nada radical, porém o foco aqui passou a ser a harmonia, o vocal, o trabalho em conjunto, a música, enfim, e não as guitarras!
Claro que Mr. Clapton não dispensa seus solos, mas eles soam deveras contidos.
Sua escolha de repertório varia de clássicos dos anos 30, como 'The Folks Who Live on the Hill' de Hammerstein e 'Goodnight Irene' de Lead Belly, passando por country-music, com a bonita 'Born to Lose', composta em 1943, e chegando a um território bem conhecido de EC, o reggae de Peter Tosh em 'Till Your Well Runs Dry'.
Há convidados importantes no disco: Taj Mahal compôs, toca banjo e faz harmonia com Clapton na música de abertura 'Further On Down the Road', também em ritmo de reggae. Seu amigo J.J. Cale, parceiro do disco 'The Road to Escondido' em 2006, volta a acompanhar Clapton em 'Angel', uma canção sua de 1981.
A parceria mais importante porém, foi com Paul McCartney, que acompanha o vocal de EC em 'All of Me', além de tocar baixo acústico, os dois super contidos.
Surpresas no repertório? Acho que não. Talvez 'Still Got the Blues' de Gary Moore, tocada de forma emocional, mas ao mesmo tempo austera. Ela tem um belo arranjo de cordas, e um órgãozinho maneiro tocado por Steve Winwood.
Gostei muito de 'Your One and Only Man' de Otis Redding, na qual EC se solta mais, mas sempre com o reggae em vista.
Canções novas? Apenas duas. Ambas de seu 'aluno' Doyle Bramhall II: 'Gotta Get Over', muito legalzinha, com Chaka Khan acompanhando nos vocais e 'Every Little Thing' (não é a dos Beatles)!!
Mr. Eric Clapton encerra os trabalhos com outro standard: 'Our Love is Here to Stay' de George Gerhwin, deixando claro que este será o seu caminho daqui pra frente, até a aposentadoria, que, segundo ele, será daqui a dois anos apenas.
Tudo pode mudar! Como EC está sempre evoluindo, podemos também esperar mudanças significativas de uma hora para outra! As capas externas e internas do álbum sugerem uma eterna e inexorável mudança do tempo. Clapton pensa em sua música e em si mesmo deste mesmo jeito? Pode ser!
Atualmente, Clapton encontra-se em plena turnê norte-americana, e já está se preparando para a 4ª edição do 'Crossroads Guitar Festival 2013', em 12 e 13 de abril no Madison Square Garden, já com lotação esgotada. Este festival que acontece de 3 em 3 anos, tem toda sua renda destinada para 'Crossroads Foundation'. Esta ONG bancada por EC auxilia os ex-viciados em drogas e álcool.
Vida longa ao 'slowhand'!!!
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