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quinta-feira, 21 de março de 2013
Como Tudo Começou!
O dia 22 de março de 1963, ficará para sempre gravado na história musical do planeta. Nesta data, Paul McCartney, Ringo Starr, John Lennon e George Harrison lançavam seu primeiro LP!
Os carinhas já haviam estreado em 1962 com dois singles: 'Love Me Do/P.S. I Love You' e 'Please Please Me/Ask Me Why', mas agora a coisa era prá valer!
Produzido em apenas um dia (11 de fevereiro), o álbum 'Please Please Me' foi gravado em meros dois canais, que era a 'alta tecnologia' dos estúdios EMI da época.
O produtor George Martin fez o possível para reproduzir o som deles como era ouvido ao vivo no 'Cavern Club'! Assim, apesar de sua pouca experiência em estúdio, os rapazes se sentiram à vontade, e a maioria da canções foi gravada em apenas um 'take'.
Martin, no início, procurava por um líder e um cantor principal para a banda. Ele ficou na dúvida entre John e Paul.
O destino se encarregou de mostrar a Martin, que os Beatles funcionavam melhor como conjunto! Apesar do vocal de Lennon prevalecer nos primeiros álbuns do grupo, o início arrasador do disco cabe a Paul McCartney, com o rock estonteante e inovador chamado 'I Saw Her Standing There'.
Ao comando de 'one, two, three, four...' de McCartney, até a o último acorde da guitarra de George em 'Twist and Shout', os Beatles começavam a mostrar aos ingleses, e depois ao mundo todo, como a música funcionaria a partir daquele momento.
McCartney, em sua formação musical, gostava de rock e de baladas, seus ídolos eram Elvis Presley, Buddy Holly e Little Richard. Seu vocal, quando se inspirava em Richard, era perfeito para rockões como a faixa de abertura. A harmonia vocal dos caras, que sobressai nessa canção, também sempre foi um ponto alto da banda. E estamos falando de 1963, quando eles nem haviam ouvido ainda os 'Beach Boys', que seriam outra grande inspiração para as harmonias.
Os Beatles queriam aproveitar seu material do 'Cavern' para este disco, então esta foi uma das poucas vezes que eles utilizariam seus singles já lançados para completar um álbum.
Temos então presente no LP, ás já citadas 'Love Me Do', a primeira música escolhida por eles para uma gravação, e 'P.S. I Love You', ambas com o vocal de Paul.
A balada mais adocicada de McCartney - que seria outra marca registrada da banda - foi a cover de 'A Taste of Honey', sucesso dos Beatles desde o tempo de Hamburgo.
O trabalho conjunto dos Beatles, exigia que todos cantassem ao menos uma música. Era assim nas apresentações e seria assim nos discos futuros.
Ringo Starr, era conhecido por ter uma voz 'maneira', apesar de não ter muito alcance vocal, e além disso ele era idolatrado em Liverpool, por entre outras coisas, sua técnica estranha de tocar bateria. Era necessário então que Ringo tivesse seu espaço como solista. A escolhida para ele foi 'Boys' do grupo feminino americano The Shireless, de quem a banda era fã.
Aqui faz-se necessário comentar a enorme influência da música americana na formação dos caras. Não apenas Elvis (que John e Paul adoravam), Carl Perkins e Chet Atkins (ídolos de George), mas principalmente a música negra. Coisas da gravadora Motown. Ray Charles e Stevie Wonder, os grupos femininos de rhythm & blues e soul, o próprio blues, e o country (Ringo era fã), tudo isso marcou muito os rapazes.
Harrison, no início da banda, queria se dedicar mais a seus solos e acompanhamentos de guitarra. Então John compôs especialmente para seu vocal a balada 'Do You Want to Know a Secret?', já neste tempo inspirada em Lewis Carrol. Outro ponto alto no começo da banda, era quando George fazia harmonia com Paul para os vocais de John, ou numa ocasião rara, quando ele mesmo acompanhou Lennon em 'Baby It's You', um grande momento do disco.
A participação de John Lennon neste primeiro trabalho, fez muita gente imaginar que ele seria o 'solista' do conjunto. Sua voz afiada, principalmente em 'Misery' (junto com Paul), na já citada 'Please Please Me', e, principalmente na cover de 'Anna (Go to Him)' e no final épico com 'Twist and Shout', - sua voz estava no limite, após horas gravando, mas ele se entregando de corpo e alma à musica, - ajudaram a fazer deste álbum uma das maiores estreias em LP de uma banda de rock.
Os Beatles eram ainda pouco conhecidos. Este seu primeiro álbum os tornariam famosos no Reino Unido. Isto era apenas o início. O melhor ainda estava por vir!
quinta-feira, 7 de março de 2013
Uma Aula!!
Pois é, amigos. O Elton John arrasou em Porto Alegre.
Muitas coisas contribuíram para que o show desse certo, na minha opinião. Primeiro a acústica do Estádio do Zequinha, que surpreendeu. Ao menos para quem estava próximo ao palco, ela foi perfeita. O tempo que estava chuvoso, ficou bom perto da hora do show. A Vip Lounge, que se não foi uma maravilha, pelo menos não me deixou de mau-humor. E o principal, claro, o senhor Reginald Kenneth Dwight, 65 anos, mais conhecido como Elton John, estava animado!
Eu não havia gostado da voz desse cara no show de São Paulo, mas ao vivo.... Foi de arrepiar. O piano parece o mesmo da década de 70, matador. Alie-se a isto, um equipamento de primeira, uma banda super-competente, cujo destaque são os remanescentes dos primeiros discos de Elton: o baterista Nigel Olsson e o guitarrista - que guitarra - Davey Johnstone, e você tem uma aula de música!!!
Não precisou pirotecnia, não precisou efeitos especiais. Elton nem falou muito, além dos 'Boa Noites' e 'Obrrrigados' - apesar de levantar toda hora do piano para 'provocar' a galera. Não precisava mais nada mesmo!
Ás 21.10 mins., aos primeiros acordes de 'The Bitch is Back', o cara começou a conquistar o público presente. Quase lotado, diga-se de passagem.
Aí desfilaram 'Benny and The Jets', 'Grey Seal', ambas do álbum antológico 'Goodbye Yellow Brick Road', que ganhou destaque no show!
Gostei muito de 'Levon', com EJ atacando a música sózinho ao piano. Os dois telões instalados no 'Zequinha', deram uma amostra de sua técnica ímpar nos teclados.
A parte que eu mais esperava, e que me deixou emocionado, foi seu tributo inesquecível a Norma Jeane, em 'Candle in the Wind'. Essa canção, pra mim, nunca envelheceu. É bom não esquecermos aqui a imensa contribuição do letrista Bernie Taupin, para a carreira de Elton John. Sem ele, não sei se EJ chegaria onde chegou.
Outro ponto alto, foi como eu esperava, a suíte 'Funeral For a Friend'! A banda deslanchou de vez, e nós embarcamos numa viagem pelo mundo do rock progressivo anos 70! Aí o carinha esnoba, e entra logo depois num clima jazzy, com 'Honky Cat', do grande álbum Honky Château. Nesse momento eu tive que comentar com meus amigos presentes no show: 'o cara passeia por todos os ritmos...' Uma verdadeira e legítima aula!!!
Falando em Honky Château, não poderia faltar 'Mona Lisas and Mad Hatters'! Eu adorei, parece que tem gente que não conhece ela direito.... Fazer o quê???
'Skyline Pigeon' era obrigatória! Eu deveria ter 11 ou 12 anos quando a ouvi no rádio pela primeira vez! EJ parece curtir tocá-la ainda, isso que eu acho importante. Ele não se envergonha do seu passado!
As baladas continuaram com 'Daniel', "Believe' (com corações vermelhos na plateia) e 'Sad Songs'. De seu recente álbum em dupla com Leon Russell chamado 'The Union', surgiu 'Hey Ahab', muito legal, mas que poucos se ligaram.
As mais agitadas foram chegando. Vibrei com a homenageada pela turnê, (40 anos de) 'Rocket Man', 'Crocodile Rock', 'I'm Still Standing' e 'Saturday's Night Alright for Fighting'.
Ok, pessoal, o espetáculo estava acabando! Quase!! Faltava aquela....
EJ saiu e voltou para encerrar com 'Your Song'!!!
Não preciso dizer mais nada. Com isso ele satisfez a vontade das pessoas que conhecem sua música!!
Um dos melhores shows que já vi!!!
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013
Elton John - 'The bitch is back'!!
O ano de 1973 me traz boas recordações. Foi nesta época distante que comecei a me interessar mais por música!
Um dos primeiros álbuns que comprei, para ouvir numa vitrolinha portátil foi 'Goodbye Yellow Brick Road', de um certo Elton John que começava a ganhar as paradas de sucesso do Brasil e do mundo.
Eu lembro até do momento quando ouvi uma canção deste disco no rádio do carro pela primeira vez. Naquele tempo de rádio AM, havia aqui em Santa Maria, um cara que entendia tudo de som. O apelido dele era 'Baratinha', e numa destas tardes de sábado ele botou pra tocar a música 'Funeral for a Friend (Love Lies Bleeding)', de Elton. Lembro que o Baratinha comentou que "este cara sempre tinha sido muito comercial, e que, pela primeira vez dava 'uma dentro'."
Sim, o som era inovador, prenunciando a década do rock progressivo, e, claro, eu sabia quem era Elton John, porque já tinha ouvido muito o single 'Skyline Pigeon', algum tempo antes.
Moral da estória: corri para a loja mais próxima pra tentar achar essas canções, achando que estariam no mesmo álbum.
Foi então que fui apresentado a 'Goodbye Yellow Brick Road'! Não, 'Skyline Pigeon', não estava lá, que decepção. 'Funeral for a Friend', sim! Praticamente furei este vinil de tanto ouví-la! Porém existia muito mais coisa boa ali.
Uma pena que a edição do LP nacional veio terrivelmente mutilada. Depois vim a saber que o álbum original era duplo, com 17 canções, e ali só haviam 9!!! A contra-capa falava de 'ilustrações na capa interna', mas não havia capa interna. Era tudo feito para baratear o produto, e a gravadora nacional selecionou as canções que julgou ser as mais comerciais.
Mas como falei, algumas canções muito legais entraram no pacote nacional. Entre elas a linda 'Candle in the Wind', uma homenagem arrepiante de Elton a sua (e nossa) musa, Marilyn Monroe! Claro, a faixa-título, também emplacou direto nas paradas.
Comecei então (como fiz com os Beatles) a descobrir o trabalho anterior de Elton John. Logo fiquei sabendo que seu primeiro lançamento datava de 1969, e era o álbum 'Empty Sky' (ali estava a Skyline Pigeon). Seu disco seguinte que se chamava 'Elton John', tinha uma música inesquecível para mim: 'Your Song'! Até hoje a ouço como se fosse a primeira vez!
A procura me levou a outros discos muito bons como 'Tumbleweed Connection' e 'Honky Château', que possuia duas músicas clássicas: 'Rocket Man' e 'Mona Lisas and Mad Hatters'!!
Olhando para o futuro, acompanhei a carreira de Elton em álbuns como 'Madman Across the Water', e a música 'Tiny Dancer', assim como em 'Caribou', que tinha a deliciosa 'The Bitch is Back'!!
Os sucessos e as baladas nunca terminaram. Exemplos: 'Daniel', 'I Guess That's Why they Call it the Blues' e 'Levon'!
Bem, pessoal, tudo isto só pra dizer que estou 'aquecendo' pro show da 'titia' do rock, nesta terça, dia 05 em Porto Alegre!
Todas estas canções que citei deverão fazer parte do espetáculo!
Notícias na volta!!!
domingo, 10 de fevereiro de 2013
WONDERWALL!!!
Aproveitando o domingo de carnaval, pra rever este delicioso filme de 1967.
'Wonderwall' surgiu de uma estória bolada por Gerard Brach, o roteirista preferido, amigo e colaborador de Roman Polanski.
Tudo gira em torno do Professor Collins, um daqueles tipos 'cientista maluco', magistralmente interpretado pelo ator cômico inglês, Jack MacGowran.
O professor percebe música indiana vindo do apartamento ao lado, e consegue através de um pequeno buraco na parede assistir a tudo que rola nesse apê!
Claro, que ele é habitado pela deslumbrante Penny Lane (Jane Birkin), uma modelo famosa, que pratica ioga, promove festas de arromba, e namora um carinha sempre na moda (Ian Quarrier).
O professor apaixona-se por Penny, e toda sua vida é literalmente virada do avesso.
Eu diria que esse filme daria um excelente video-clipe. Ele parece um 'Magical Mystery Tour', com um pouco mais de roteiro.
A comédia se torna um veículo para o talento de MacGowran, o que não é pouca coisa, mas acho que se esperava mais dele. A fotografia é muito legal, colorida ao extremo, temos também a participação do grupo 'The Fool' com suas enormes telas e pinturas em 3D.
Sim, amigos, vamos nos lembrar que estávamos em 1967, e o psicodelismo imperava, inclusive no cinema.
A música, outro diferencial, ficou a cargo de George Harrison, que caprichou na sonoridade indiana, adaptando-a, de maneira tal, que a confundimos com o próprio filme!
Jane Birkin, está sempre bonita, mas ainda por cima mais jovem e não precisando abrir a boca, então melhor ainda!
Os extras vão desde uma música instrumental de Clapton, passando por um poema de John Lennon, até um curta chamado 'Reflections on Love', talvez a coisa mais próxima que se tenha de uma fotografia acurada da 'Swinging London'.
Joe Massot, o diretor, que foi premiado pelo curta em Cannes, depois teria participação no musical 'The Song Remains the Same' do Led Zeppelin, e sua carreia acabou sendo curta também no cinema.
Ian Quarrier sumiu junto com os anos 60!
Birkin, melhorou muito como atriz, e junto com seu marido Serge Gainsbourg, ficou famosa também como cantora!
MacGowran, que já havia atuado com sucesso, em 'Cul de Sac', (Armadilha do Destino) e 'The Fearless Vampire Killers', (A Dança dos Vampiros), ambos de Polanski, é considerado um dos maiores atores cômicos ingleses de todos os tempos.
Pra não precisar assistir carnaval, esse filme é uma boa diversão!
Como diz o cartaz: '....Let Your Mind Wonder...'!!!
sábado, 12 de janeiro de 2013
Michael Cooper!
Acho complicado comentar alguma coisa sobre fotógrafos. Todo mundo é fotógrafo!
Aí, se você chega na música - e no rock, a fotografia se torna ainda mais tênue e difícil definir, na minha ótica.
Existem porém, algumas exceções que mesmo a um olho 'humano' como o meu, esta arte salta aos olhos!! Já comentei aqui no blog, sobre David Bailey e Bob Gruen, exaltei Linda McCartney, - ela merece - e, sim, não esqueci de Annie Leibovitz.
Uma pessoa que eu já conhecia, e sabia, tinha clicado a capa do 'Pepper's' dos Beatles, eu geralmente negligenciava.
Tipo: 'Pô, ele só fez isso...'
Isso, já teria sido o suficiente, pensei depois.
O que acontece é que Michael Cooper, foi mais, muito mais que o fotógrafo da capa de 'Sgt. Pepper's'.
Sua ligação com os Beatles, aconteceu através do marchand Robert Fraser, ícone da 'swinging London', que por acaso também conhecia os Rolling Stones.
Fraser, procurado por Paul McCartney, insistiu que Cooper era a pessoa certa para incensar aquele momento histórico - adivinhação - que a música iria desfrutar.
Alguns meses depois, o mesmo Cooper foi convocado por Keef Richards para dar tratamento semelhante à obra Stoniana chamada 'Their Satanic Majesties Request'.
Michael e seu filho Adam
Agora, eu de posse do livro 'Early Stones', publicado por aqui graças a Editora Planeta, sinto como se nunca tivesse realmente apreciado os anos 60 - e olha que minha infância foi ali -, o cara, parece o próprio retrato da época!
Michael Cooper, algumas almas chegam a comentar, foi o verdadeiro modelo para David Hemmings compor o personagem de 'Thomas', o fotógrafo anônimo de 'Blow Up', de Michelangelo Antonioni!! Seria ele, e não David Bailey! Acho que procede!
Desde a famosa foto da capa, apelidada de 'Onze Mãos', - descubra de quem é a décima primeira, - (lá em cima), até os seus clics finais, em 1973, Cooper percorreu 10 dos melhores anos da banda! Fotos íntimas, históricas, inéditas... têm de tudo! Gram Parsons está lá! Anita Pallenberg - gata de Keef, que também comenta as fotos -, está presente! Assim como Jagger e sua linda namorada Marianne Faithfull, Watts, Wyman, Mick Taylor, e o seu primeiro amigo da banda, Brian Jones!
Cooper seguiu Jones de Londres ao Marrocos! Imortalizou, o já imortal Stone, em fotos inesquecíveis - vejam o livro - mas acabou ficando amigo mesmo de Keef, e daí surgiu sua maior intimidade com a banda!
Keff e Therry Southern - amigo chegado da banda -, fazem um impressionante 'bate-bola', comentando quase todas as fotos! Segundo Keith, o talento de Michael está presente em todos os tipos de fotos. Pode ser dos Stones ou de uma velhinha pegando o ônibus!
Southern, Robert Fraser, o produtor Jimmy Miller e Cooper foram alguns dos caras que não ouviram um conselho sábio de um antigo manager: "Com os Stones, você tem de sair um pouco antes da festa acabar. Se você se atrasar, irá para a delegacia ou para o cemitério"!
Michael Cooper talvez tenha se atrasado! Ele sofria de depressão. Em 1973, ele morreu de overdose de heroína, aos 32 anos!
Seu filho Adam, que na época ainda garotinho, já circulava pelos sets de fotos, virou produtor de cinema, e graças a Deus, recuperou o trabalho do pai neste livro!
Keff - e eu - agradecemos!!
As fotos falam por si só!
sábado, 29 de dezembro de 2012
Porque o Vinil?
Em meados dos anos 80, eu tinha uma vasta coleção dos então chamados LP (Long Play). Eu fui criado na década de 60, em que minhas irmãs, juntamente com nossos primos e primas que vinham de Porto Alegre e Rio Grande, se reuniam na casa de meus avós, para, numa eletrola daquelas antigas, que era um móvel por si só, ouvir os últimos lançamentos da música.
A preferência musical deles, é claro, era a 'Jovem Guarda'. Os discos de Roberto e Erasmo Carlos, Eduardo Araújo e Wanderléa, estavam sempre entre os mais ouvidos. Lá em casa numa vitrolinha portátil, elas também ouviam Beatles! Lembro muito bem de uma audição em Compacto Simples (sim, também existia os CS (single) e Compactos Duplos (EP), com duas músicas de cada lado do single) da canção 'Hey Jude', e que já na época me parecia muito longa! Bem, eu tinha apenas 9 anos de idade!
Voltando pros anos 80, minha coleção de vinis, como falei, tomava espaços cada vez maiores de meu pequeno quarto.Quando em 1987, comprei a novidade que todo mundo comentava - um aparelho de CD (Cd Player) - não levava muita fé, mas fui seduzido pela praticidade do formato (você não precisava virar o disco) e pelo pouco espaço necessário para guardar os CDs. Além, é claro, do término do então chato 'chiado na agulha'! Depois vim a saber que estes chiados, eram causados principalmente pela baixa qualidade dos vinis fabricados nos anos 80 - a indústria da música já estava pensando somente no CD -, e em princípio curti aquele silêncio entre as músicas!
Contra o CD havia a dificuldade durante um certo tempo de se conseguir os lançamentos do mercado, mas isto logo foi superado. O preço também era um empecilho e tornava proibitivo você adquirir muitos exemplares.
Além disso, outras duas questões começaram a me incomodar na mídia CD.
Como sabem os meus amigos, sou fã dos Beatles, e os CDs lançados em 1987 da banda, aqui no Brasil, eram uma verdadeira piada, só que de mau-gosto!
O som abafado, não remasterizado, e com um stereo completamente artificial, me deixou decepcionado. Sei que muita gente, principalmente os mais jovens, não reclamaram, porque estavam conhecendo a música dos Beatles naqueles CDs, mas quem conhecia o som da banda em vinil, não engoliu aquela edição.
Álbuns como 'Rubber Soul', principalmente, me soaram muito mal! As canções 'Drive My Car' e 'If I Needed Someone', com o tal 'stereo fabricado', não se tornaram audíveis para mim!
É óbvio que o som do CD foi aperfeiçoado com o tempo, e, finalmente em 2009, os Beatles remasterizados em CD, chegaram para corrigir esta falha.
Outra coisa que sempre me incomodou no CD, era o fato de que ele na verdade era uma miniatura do LP, inclusive a capa. Então você perdia muito da arte original das capas, que num tamanho muito menor, não tinha o mesmo efeito. Sem falar no fato de você ter de ler com uma lupa o nome das canções. Vieram, sim, há algum tempo as edições de luxo, remixadas e remasterizadas, embaladas em grandes caixas, com enormes booklets, e isto também melhorou a qualidade visual (embora muitas delas com preços proibitivos).
Quem ganhou espaço com tudo isso foi o formato digital. A maioria dos jovens passou a 'baixar' as músicas, e o CD passou quase a ser um objeto decorativo nas prateleiras das lojas. Sinceramente, não pelo ato de fazer o download da canção, mas muito mais pelo fato, de você não ter toda a capinha original, e as informações contidas nela, o CD 'pirata' ou as 'cópias' como chamam, nunca me fez a cabeça!
Eu continuo preferindo a obra original do artista que quero ouvir, e não músicas ou álbuns 'baixados'. Paga-se um preço caro, mas para quem é fã, tenho certeza de que vale a pena. Além do mais, comprando o original, você valoriza muito mais a obra de seus ídolos.
Então, atualmente, tenho uma coleção de CDs, quatro vezes maior que de vinis. Além, de como já falei, a facilidade da audição ser uma das qualidades do CD, acabei me desfazendo nos anos 90 de mais de 200 vinis por falta de espaço.
Mas eis que o vinil volta a ganhar força lá fora! Com uma qualidade de deixar babando os aficcionados por música dos velhos tempos!
Agora temos relançamento de obras de artistas 'top' em vinil de 180 grs.! Um vinil pesado e de alta qualidade. Você já acha nas melhores lojas do Brasil estes LPs importados. Outro segmento que ganha força a cada dia, é o de vinil usado, em que você encontra verdadeiras pérolas do gênero, se tiver tempo e paciência para garimpar.
Artistas como Bob Dylan e Paul McCartney - para citar só dois - lançaram seus últimos trabalhos em vinil, além de CD e DVD. Estes trabalhos muitas vezes são transformados em vinil 'duplo' para não comprimir todas as canções em apenas um vinil, e perder qualidade sonora. Sim, o preço é salgado, por enquanto, mas a tendência, com certeza é de que com a demanda cada vez maior, ele baixe.
Esta semana recebi a caixa de vinis 'The Beatles'. São todos os seus 13 álbuns de estúdio (mais o Past Masters) remasterizados em vinil, além de um enorme livro de capa dura. Edição definitiva, sem dúvida, das gravações originais da maior banda que o planeta já ouviu. A caixa pesa mais de 10 kgs, para se ter ideia. Agora o som..... Sai de baixo! Seu 'toca-discos', tem de estar em forma, claro! Sua agulha - você consegue repô-la no mercado - também! O resto é só a qualidade musical desta mídia, que está voltando para ficar!
Vou começar a procurar espaço....
quinta-feira, 6 de dezembro de 2012
25 Anos de 'Cloud Nine'
No início de 1987, George Harrison voltava de um período de retiro. Ele ficara 5 anos sem gravar, dando atenção a família, e a seu maior hobby, a jardinagem!
Poucos estavam preparados naquela época para um álbum como 'Cloud Nine', que lançado em novembro daquele ano chegou ao topo das paradas com o single 'Got My Mind Set on You'! Mas ele foi muito mais que um single. Sugiro ao caro leitor que faça uma audição deste disco agora que completamos 25 anos de seu lançamento. Tenho certeza que vocês descobrirão sempre coisas novas brotando da genialidade de George, Eric, Elton John, Ringo, etc...
Cloud Nine – George no paraíso*
Após um início de carreira solo arrasador, que incluíram o álbum triplo “All Things Must Pass” e o show beneficente para Bangladesh, George Harrison entrou num período típico de inferno astral.
Em 1973, sua esposa Pattie o trocou pelo amigo de longa data, Eric Clapton. No ano seguinte, ele tentou excursionar pelos Estados Unidos, mas fracassou. George tinha decidido mudar o arranjo da maioria das músicas, e o público não aceitou esta mudança. Além disso, ele estava com um problema crônico na voz que atrapalhava seu desempenho vocal.
Tempos depois, George reencontrou a alegria de viver nos braços da mexicana Olivia Arias e, após ser pai de Dhani em 1981, resolve retirar-se do show bizz.
Seu último álbum seria o medíocre “Gone Troppo” de 1982.
Depois de cinco anos de aposentadoria, aproveitados para meditar, viajar e aprender noções avançadas de jardinagem, George sentiu que era hora de voltar aos estúdios.
Com o ânimo renovado e inspirado pela vida feliz que levava com Olivia e o pequeno Dhani, George faz parceria com Jeff Lynne, ex- Electric Light Orchestra, que iria tocar baixo, guitarra , teclados e co-produzir o álbum com Harrison. Na bateria, o amigo de sempre Ringo Starr dá as cartas, junto com o talento do músico de estúdio brilhante e sempre requisitado Jim Keltner. Para o piano, além de outro amigo, Gary Whright, o grande destaque foi a participação de Elton John, considerado como um ‘tio’ por Harrison. Para auxiliar George nos solos de guitarra, Eric Clapton também se fez presente.
Com este time de craques bem entrosados, Harrison entra no estúdio particular de sua casa, em Friar Park , em janeiro de 1987, para as gravações que se estenderiam até março.
Ao admirarmos a bela capa de ‘Cloud Nine’, já temos uma pista de qual seria a tônica do álbum: George posa com uma guitarra ‘Gretsch’ anos 50, que ele tocava nos áureos tempos antes de ser famoso. Essa guitarra seria perdida e anos depois, recuperada por George. Ele nos mostrava, assim, que queria resgatar o ritmo dos velhos tempos, mas com uma roupagem totalmente nova.
A canção que inicia os trabalhos é a faixa-título Cloud Nine, posicionando sem preâmbulos o ouvinte sobre qual seria a base do disco – as afiadíssimas guitarras de Clapton e o vocal inconfundível de Harrison de volta a velha forma.
O rock alegrinho de Fish on the Sand, segura bem o ritmo do disco enquanto a balada Just for Today é Harrison em um de seus melhores momentos como compositor e cantor.
Uma parceria de George com Jeff Lynne, This is Love, também se destaca no lado A, em que o grande atrativo acaba sendo uma composição de George sobre os velhos tempos dos Beatles, a antológica When We Was Fab.
Harrison, que sempre relutou em recordar aqueles tempos em que a banda reconhecidamente era a melhor do planeta, compôs uma música resgatando aquela época sem ser nostálgica e conseguindo criar uma atmosfera anos 60 sem soar antiga.
Devil’s Radio, o rock mais forte do álbum abre o lado 2, mostrando um estilo de tocar guitarra que lembra o grande ídolo de George, Carl Perkins.
Devil’s Radio, o rock mais forte do álbum abre o lado 2, mostrando um estilo de tocar guitarra que lembra o grande ídolo de George, Carl Perkins.
A simplicidade e pureza de Someplace Else, mais uma balada romântica de George, não nos deixa esquecer que não era apenas Paul McCartney que sabia compor músicas lentas na fase Beatle de suas carreiras.
Finalmente, quem rouba o show é uma cover de uma música dos anos 50, Got My Mind Set On You, que lançada em single chegou ao primeiro lugar na América. Sem dúvida, foi uma grande e merecida surpresa para Harrison ter mais uma vez uma canção interpretada por ele liderando as paradas.
A previsão - e esperança - de todos nós era a de que George se entusiasmasse com o sucesso do álbum e retomasse de maneira mais efetiva sua carreira solo, compondo e lançando mais discos.
Não foi o que aconteceu.
Em 1988, ele ainda se reuniria a Bob Dylan, Tom Petty, Jeff Lynne e Roy Orbison e formaria o supergrupo de astros Traveling Wilburys, tendo relativo sucesso em dois álbuns lançados no intervalo de três anos.
Estimulado por Clapton, Harrison faz algumas apresentações no Japão em 1991, com a participação do próprio Clapton e sua banda. George não parecia muito animado, mas relembrou seus sucessos antigos e várias músicas do tempo dos Beatles. Estes shows seriam eternizados no cd duplo ‘Live in Japan’.
Após estas apresentações, George silenciou novamente. A partir de então, seu principal passatempo e verdadeira paixão passou a ser a jardinagem.
Simultaneamente quando a produtora de cinema de Harrison, a ‘Handmade Films’ abre falência, ele participa junto a seus ex-parceiros Ringo Starr e Paul McCartney do projeto “Anthology’, resgatando a memória dos Beatles para os jovens dos anos 90.
Por melhor que tenham sido todos esses trabalhos posteriores de George Harrison nenhum deles chegou perto do criativo e ousado mergulho no passado – mas com um olho no futuro – de “Cloud Nine”.
*Texto Escrito para o livro 'Alto & Bom Som - Ruidos, Chiados e Pinceladas Musicais'.
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